Pearl Jam Old School

Pearl Jam Old School

2018-07-14, Passeio Marítimo de Algés, NOS Alive
Nero
Thiago Batista
9
  • 9
  • 8
  • 10
  • 8

Um dos melhores concertos da banda no nosso país, senão o melhor. Os Pearl Jam estiveram focados, eléctricos e ainda convidaram Jack White para o palco, para um final épico.

A grande maioria das 162 mil que, ao longo dos três dias que passaram pelo Passeio Marítimo de Algés e se esteve a borrifar para o resto do festival teve aquilo que queria: uns Pearl Jam “ligados” à corrente. Ninguém poderá afirmar que este não foi um dos melhores concertos da banda no nosso país, senão o melhor.

Agraciada por um bom som e, finalmente, com volume intenso no palco principal do NOS Alive, a banda esteve extremamente focada desde “Low Light”, despachou a lamechas “Better Man” para os coros logo ao segundo tema e, a partir daí, levou o alinhamento na direcção do bom e velho rock, disparando de rajada “Go”, “Mind Your Manners” e “Do The Evolution”. Com McCready a começar a libertar-se para uma prestação épica, Cameron e Ament a soarem fortes e colados, com o som do baixista a envolver todo o campo harmónico da banda, tudo soava Pearl Jam old school.

Talvez inspirado por essa envolvência, Vedder não procurou protagonismos excessivos, nem na execução dos temas, nem na exagerada interacção com o público. Assim, a banda teve a possibilidade de soar harmoniosamente entre si e mostrar-se mais forte.

STAIRWAY TO HEAVEN

“Given To Fly” atenuou a potência e permitiu recuperar o fôlego, ao mesmo tempo que antecedeu as primeiras notas de Pink Floyd, emprestadas de “Interstellar Overdrive” para encaixar em “Corduroy”. Então fomos novamente levados a mais de duas décadas para trás com “Rats” e a sacrossanta “Even Flow”, executada com considerável velocidade em relação ao original de estúdio, mas sem conseguir eliminar aquele tremendo groove e colocando “Miguel” McCready, como lhe chamou Vedder, de novo destacado nos holofotes. O guitarrista aumentou a extensão dos solos, já normalmente ampla das interpretações deste tema ao vivo,e divertiu-se ao melhor jeito dos shredders, com guitarra atrás das costas, velocidade, todos os excessos dos guitars heroes. Depois, “Daughter”. Os dois primeiros álbuns sempre em destaque, tendo ocupado praticamente metade da setlist, e colocando em perspectiva toda a discografia da banda, especialmente esse colosso que é “Ten”.

O assombroso álbum de estreia, depois de “Unthought Known” e “Down” (cujos acordes transportam um cheirinho de “Para Ti Maria), seria novamente evocado quando Jeff Ament pegou no colossal Hamer de 12 cordas para abrir “Jeremy”. E depois, claro, o coração da setlist: “Black”. É por demais evidente o ainda enorme compromisso emocional da banda com o tema. “Black” é a “Stairway To Heaven” desta geração e McCready fez de Jimmy Page, estando épico nos solos, com feeling, intensidade e com um som cru. Tal como nos outros temas de “Ten”, usou a sua Stratocaster Sunburst de ’59, um escavacado modelo que o acompanha desde sempre.

ROCKIN’ IN THE FREE WORLD

Antes do encore, “Lukin” e “Rearviewmirror”, clássico no qual vale a pena destacar o trabalho de Vedder a cantar perfeitamente sobre o riff bem complexo enquanto o tocava. Passou o concerto focado, a fazer aquilo que melhor sabe, liderar a sua excelente banda. Depois, algumas centenas de pessoas desmobilizaram, quiçá para evitar as caóticas saídas do Passeio Marítimo de Algés. Essas pessoas não fazem ideia do festão que perderam…

Vedder foi o primeiro a subir a palco, elogiando Obama e deixando indirectas a Trump, discursando sobre aqueles que dominam o mundo e pensam mais em lucro e na protecção do grande capital em detrimento dos direitos humanos, exortando a que cada um se junte ao seu vizinho, que torne o mundo melhor. A bonita utopia humanista introduziu “Imagine”, o hino de Lennon. As covers, em destaque nesta World Jam tour, seguiram com “Numb”, dos Pink Floyd, e abriram portas à diversão da banda, que foi acrescentando sucessivamente e substancialmente cada um dos temas que tocou com jam sessions.

Isso sucedeu com a explosiva “Porch” (que terminou com alusões a “Seven Nation Army”) e com o hino homónimo ao festival, “Alive”, cantado a plenos pulmões pela enorme multidão. Então Jack White subiu a palco, coisa rara de ter estas reuniões de estrelas no nosso país, Stone Gossard emprestou-lhe a sua Les Paul e o apropriado “Rockin’ In The Free World” de Neil Young, numa rebaldaria de solos, encerrou praticamente duas horas de concerto.

Festão!

SETLIST

  • Low Light
    Better Man
    Go
    Mind Your Manners
    Do the Evolution
    Given to Fly
    Corduroy
    Rats
    Even Flow
    Daughter
    Unthought Known
    Down
    Jeremy
    Can’t Deny Me
    In My Tree
    Black
    Lukin
    Rearviewmirror
    Imagine
    Comfortably Numb
    Porch
    Alive
    Rockin’ in the Free World