O Halloween dos Cat Empire

O Halloween dos Cat Empire

2015-10-31, Paradise Garage, Lisboa
Joana Silveira
7

Os Cat Empire definitivamente acordaram a noite de Halloween no Paradise Garage, dando oiro aos mortos e celebrando a luz dos vivos. Mal o som da música “Brighter than Gold” se sentiu a multidão não conseguiu parar de dançar ao ritmo embriagante e irrestrito de apenas um género musical.

Os oito músicos em palco apresentaram um rodopio musical, que começa com Jazz, Funk e Soul envolvendo-nos nos em ritmos latinos e rematando com sons de Ska, Reggae e Electro. As melodias fazem-nos sentir que não existem fronteiras entre nada nesta vida e que somos todos cidadãos do mundo. A habilidade dos músicos em alargarem cada música a um improviso extraordinário, em que as mãos doíam de tanto aplaudir e as palavras ficavam mudas para descrever. O piano ressoava a um ritmo furioso, quase como se tivesse sido possuído por um génio poeta que por magia conseguia transparecer todo o seu espectro emocional. A eloquência das trombetas e trombone transportavam-nos num abrir e fechar de olhos a uma festa do dia dos Mortos, numa qualquer vila rural no meio do México. A inigualável técnica de percussão vocal do vocalista Harry Angus levou-nos provavelmente ao sul da Índia, onde um mantra de sílabas embalava a dança num crescendo em que os nossos corpos aceleravam num transe quase que espiritual. Quando chegou o momento da música “Two Shoes” já os pés dançavam sozinhos. O vocalista Felix Riebl guiava as massas pondo os seus braços no ar, baloiçando da esquerda para a direita. Todos sem excepção se deixavam guiar, criando uma imagem visual quase ritualista e um sentimento de pertença a uma tribo qualquer. Chegamos ao ponto mais esperado por muitos, a música “Steal the Light”, a multidão entrou noutro estado energético difícil de descrever. De tal maneira, que o vocalista Harry James comandou a cada um de nós para rodar em si mesmo, como se tivéssemos entrado num templo Sufi.

Despediram-se com a música “Still Young” em que o uníssono experienciava-se de uma forma fora do normal. Quando a banda saiu ninguém parou de cantar, e continuamos em alto e bom som até que os artistas voltaram de novo e tocaram até toda a tribo ficar satisfeita com essa música em particular. Fomos presenteados com três músicas e na segunda tentativa de despedida, voltaram com mais duas. Tivemos o privilégio de ouvir algumas músicas pela primeira vez e as palmas de agrado ouviam-se mesmo durante a sua apresentação. “Playing all Night Loud” rematou toda a celebração desta tribo, vinda de todas as estradas da vida, e o Halloween 2015 nunca será esquecido devido a está última actuação dos Cat Empire na Europa. Lisboa foi a despedida, e poderemos dizer que acabaram em grande.