Optimus Primavera Sound: Dia 2

2012-06-08, Parque da Cidade, Porto
Redacção
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A segunda noite de festival ficou marcada pela festa colorida dos Flaming Lips, pela genialidade dos Walkmen e pela pista de dança que os M83 criaram.

 

Yo La Tengo [Palco Primvera; 19:00]
Jamais perderíamos uma oportunidade de ver e ouvir o indie rock de Ira Kaplan, Georgia Hubley e de James McNew, porque ver os Yo La Tengo (YLT) é sempre uma lição de música sónica que é feita com alma, entrega e com uma humildade assinalável. Os YLT são uma banda com história,  com muitos discos e  são, sem dúvida alguma, a cara de um festival como o Primavera.

Como se previa, a actuação não desiludiu e ofereceram um bom concerto de fim de tarde. A distorção nas guitarras de Ira Kaplan, continua lá. O reservado  James McNew continua a tocar baixo no seu cantinho, sempre a tentar passar despercebido, mas quando canta é difícil ficar indiferente ao seu poder vocal, cantou em falsete, lado a lado com Ira Kaplan, a música “Mr. Tough” e isso enche a alma a qualquer um. Por seu lado, Georgia Hubley continua a tocar bateria com ar de menina tímida, mas a timidez não a impediu de se chegar à frente de palco para cantar  “My Little Corner of the World” e encerrar a actuação da banda. Sabe bem ter um fim de tarde assim.

 

Rufus Wainwright [Palco Optimus; 20:15]
Depois da distorção sónica dos Yo La Tengo rumámos para outros registos e fomos ver Rufus Wainwright and his Band. A actuação de Rufus ficou a ganhar pelo facto de ter uma banda de suporte diversificada e competente. As suas músicas ficaram mais arranjadas e os coros foram notáveis, em particular a voz gospel de Charysse Blackman.

Mas Rufus subiu sozinho ao palco e iniciou a sua actuação com a música “Candles”, inicialmente à capella e a meio da canção com a colaboração de toda a banda.

Se podia parecer fora de contexto a actuação de Rufus no alinhamento do festival, o canadiano/americano veio mostrar que tinha argumentos para realizar uma boa performance, e assim foi. “Greek Song” foi dedicada em tom de prece à Grécia. “One Man Guy”, canção original do seu pai, Loudon Wainwright, que interpretou com Teddy Thompson (guitarra e voz) e na parte final com o vozeirão de Charysse Blackman, chamou a palco as suas raízes folk. No meio da conversa de pôr-de-sol houve tempo para uma farpa política, Wainwright dedicou “Going To A Town” a Romney, o candidato republicano às presidenciais norte americanas, e pediu, directamente, para não votarem nele. Terminou a actuação com a sua versão do genial “Hallelujah”.

 

Flaming Lips [Palco Primavera; 21:30]
Os Flaming Lips deram um dos concertos da noite, quem já os viu ao vivo ou já tinha ouvido falar das suas actuações sabia ao que vinha.

Por regra, os norte americanos dão bons concertos, e há sempre festa e comunhão com o público, mas também há muita encenação. Essa encenação era fácil de entender mesmo antes do início do espectáculo porque o palco estava recheado de bolas coloridas gigantes, no seu fundo, e tinha uma enorme bola de espelhos suspensa no centro do palco.

Mal a banda iniciou o concerto voaram confetis e serpentinas e as bolas gigantes foram lançadas para o meio do público. Assistiu-se a um jogo visual intenso acompanhado com sons de sirenes saídos do megafone que Wayne Coyne energeticamente carregava.

Como se o espectáculo não estivesse já recheado, são acrescentados à festa dois grupos de colegiais, nas extremidades do palco, que dão ainda mais dinamismo ao concerto.

A seguir a isto temos direito a, já tradicional, crowd-surf de Wayne Coyne numa bola transparente gigante que deixou o público em extâse. Músicas como “Yoshimi Battles The Pink Robots Part 1” levam-nos a querer fazer exactamente o mesmo.

Deixámo-nos levar pela pop sonhadora dos Flaming Lips ao som do hino “Do You Realize??”, que fechou o concerto com chave de ouro.

 

The Walkmen [Palco Primavera; 01:00]
Antes do concerto dos Walkmen [ que deram entrevista à AS, e podes ler na próxima edição], Hamilton Leithauser passeou-se pela sala de imprensa e foi por lá que o encontrámos. Em passo de corrida, tivemos dois dedos de conversa com o vocalista da banda norte americana,  desejando-lhe boa sorte para o concerto e não lhe escondemos comentários positivos ao resultado final do novo álbum, intitulado “Heaven”, que do nosso ponto de vista é um disco que corta com o passado discográfico da banda. “Heaven” é mais alegre, é um disco que olha o futuro de uma maneira mais risonha que os seus antecessores, mas claro que o género mais sombrio que caracteriza os trabalhos anteriores da banda ainda lá está, mas desta vez mais disfarçado.

Houve ainda tempo para uma troca de ideias sobre “Lisbon” um bom disco que homenageia a cidade de Lisboa, e que “You & Me” é apontado como o melhor trabalho da banda. Hamilton foi cordial e simpático às nossas afirmações e seguiu apressado para o seu concerto.

De volta ao palco Primavera encontrámos os restantes elementos da banda, já em cima do palco, e a curiosidade para ver o novo disco ao vivo era grande – e claro, com direito aos sucessos dos discos anteriores, como é o caso do hit da banda, “The Rat” que não só a banda tocou como foi um dos momentos altos da sua actuação.

Mas, o concerto começou ao som de “Can’t Be Beat”, era o céu de esperança dos Walkmen a disparar no parque da cidade. Num concerto que nos levou a viajar pelos principais temas da banda, os Walkmen mostraram que continuam em excelente forma e proporcionaram um magnífico concerto.

 

M83 [Palco Optimus; 02:15]
Depois dos altos voos proporcionados pelos Walkmen fechámos a noite a dançar ao som dos M83. Os franceses apresentaram ao vivo do seu aclamado álbum “Hurry Up, We’re Dreaming”.  Com uma actuação fortíssima e cheia de energia o Primavera dançou ao som desta pop dançável e sonhadora dos M83. Logo a abrir, “Intro”, a primeira faixa de “Hurry Up, We’re Dreaming” e dançámos como se fosse início de noite, músicas como “Reunion” ou “Midnight City”,o grande hit da banda. Foi um fim de noite na pista de dança.

Por Nélio Matos | Fotos: Eduardo Costa