7.5

Peter Gabriel

New Blood

EMI, 2011-10-10

Nero

Em vez de assumir que Peter Gabriel está com algum bloqueio criativo, prefiro pensar que está a pensar em mais um álbum de originais grandioso e assim, para não se ausentar muito do mercado nesta era de consumo imediato tem alimentado os ouvintes de uma forma mais descontraída. Primeiro o trabalho de covers e colaborações, agora este sangue novo nos seus clássicos, com os arranjos orquestrais, em vez de limitar-se a uma mera selecção e remasterização de uma colectânea em jeito best of.

Naturalmente que a apreciação só se pode resumir a esse trabalho de adaptação e arranjos para orquestra a temas emblemáticos e poderosos. E esse é um trabalho que acrescenta uma dinâmica necessariamente diferente, com uma nova sensibilidade, mas igualmente poderosa emocionalmente e agora também majestosa. Visto meramente através desses factores este “New Blood” é um trabalho com méritos próprios, mas que também não é algo surpreendente no sentido em que seria mais ou menos intuitivo perceber que um tema como “Downside Up” funcionaria plenamente com uma orquestra a elevá-lo ainda mais e que o obrigatório “Solsbury Hill” não teria uma nova pertinência tão significativa, por exemplo. “New Blood” viaja entre temas nesta indefinição, mas com certeza que Peter Gabriel se divertiu muito a fazê-lo. Afinal quem não gostaria de ter uma orquestra à disposição para brincar?