Red Fang, Amps Sunn & Selvajaria

Red Fang, Amps Sunn & Selvajaria

2019-06-30, Lisboa Ao Vivo
Nero
Inês Barrau
9
  • 9
  • 7
  • 8
  • 10

Pedrada memorável! Os Red Fang, com a colaboração de um incansável público lisboeta, não deixaram pedra sob pedra no LAV.

Muita gente. Mais gente do antecipámos. E uma energia formidável. O público que compôs o Lisboa Ao Vivo conquistou os Red Fang, desde que a banda subiu a palco a esgalhar “Blood Like Cream”. Metade da sala a berrar o o antémico refrão do tema e John Sherman com excelente som e em excelente forma atrás do drum kit. O baterista liderou de forma notável a banda durante todo o concerto. Imenso groove em “Malverde” e nas síncopes da sua cadenciação.

A sala estava em ebulição e explodiu através da mais straightforward “Crowns In Swine”. Rebaldaria de mosh e a intensidade de Sherman na tarola a tornarem este um dos grandes momentos da noite. “Not For You” e o seu jeito Foo Fighteresco e “Arrows” serviram para a banda abrandar um pouco a sua intensidade. Aaron Beam aproveitou para anunciar que o sucessor de “Only Ghosts” está quase pronto. A banda completou metade do próximo álbum antes de sair para esta curta digressão europeia, que arrancou na Hungria e terminou em Lisboa, indo agora encerrar as sessões de estúdio do esperado disco.

“Into The Eye”, soou lento e pesado, dinamizado pelos cruzamentos vocais de Beam e Bryan Giles. O baixista usou na amplificação um cabeço Sunn Beta Bass, Giles e David Sullivan, os dois guitarristas, usaram os Sunn Beta Lead. Já com os poderosos amps bem quentes, “Antidote” e os seus exóticos contratempos criaram outro dos grandes momentos do concerto.

E então, Sullivan começou a rasgar a introdução sabbathiana de “Wires”. O ritmo lisérgico, quadrado e pesadão, provocou histeria na sala e um imenso frenesim em frente ao palco. Sonzão nas guitarras, modelos Nik Huber Krautster (um dos luthiers envolvido no projecto Guitarras do Marquês), espécies de Les Paul Jrs que nos fizeram pensar em toda a celeuma Gibson destes últimos dias. Beam usou um modelo G&L SB-1.

O ambiente na sala, a entrega da banda, a densidade do som, tudo contribuía para uma noite memorável. “Number Thirteen” e o seu andamento algo Queens Of The Stone Age ou Kyuss, algo que se iria notar também em “Cut It Short”. Ainda antes desta última, a velocidade e intensidade de “Flies” fizeram saltar pernas e braços, reviraram de alto a baixo a sala, num caos de mosh. No final do tema Beam fez questão de elogiar o feroz público. Desta vez não soou a tretas politicamente correctas. Parabéns, Lisboa.

Essa atmosfera continuou presentes mesmo durante um downtempo, daqueles do bordão, como é “The Smell Of Sound”, e até ao final do set, com “Dirt Wizard”, “Sharks” e o clássico definidor da banda, “Prehistoric Dog”. A banda saiu de palco sob uma gritaria ovacional que se manteve até ao regresso para o poderoso encore, feito com “Hank Is Dead” e “Throw Up”.

SETLIST

  • Blood Like Cream
    Malverde
    Crows in Swine
    Not For You
    Arrows
    Into the Eye
    Antidote
    Wires
    Number Thirteen
    Flies
    Cut It Short
    The Smell of the Sound
    Dirt Wizard
    Sharks
    Prehistoric Dog
    Hank Is Dead
    Throw Up