Red Fang, cães pré-históricos

Red Fang, cães pré-históricos

2014-07-31, Viveiro, Galiza
Nero
7
  • 7
  • 7
  • 7
  • 7

Comandados por uma dupla feroz de guitarristas, os Red Fang deram um concerto bruto e assimétrico.

Os Red Fang possuem, na sua sonoridade de estúdio, aquele som seco (tipo circuito classe A a amplificar magnética passiva) tão Portland, mas essa mesma sonoridade esteve um pouco perdida no concerto e o som brilhante fez-se inimigo do efeito “folha” dos temas da banda. Poderia pensar-se que isso tornaria os temas “maiores”, mas ao ouvir-se o épico “Wires” a sensação é de que os tornou mais genéricos. Poderá especular-se sobre o som de palco, pois o baterista John Sherman nunca conseguiu soltar-se verdadeiramente, a não ser nos temas mais directos ou quadrados da banda.

Uma estética de Route 66 e aquela riqueza melódica e harmónica dos Mastodon exposta sob força bruta.

Num set curto, a banda demorou a aquecer. A patada stoner só chegaria no final com as místicas “Dirt Wizard” e “Prehistoric Dog”. Poderá esse sentido estar intimamente ligado ao espaço festivaleiro, que acolheu melhor os riffs mais directos dos dois primeiros discos que o mais rico “Whales And Leeches”. Nesses temas descobrem-se ainda mais as coisas únicas dos Red Fang, uma estética de Route 66 embuída de tiques de Big Business ou mesmo Melvins, embora não tão excêntrica, e aquela riqueza melódica e harmónica dos Mastodon exposta sob força bruta.

Assim, embora curto, o concerto acabou por ser algo assimétrico. Uma palavra para o nível de awesomeness da Fender Mustang toda “escavacada” de Bryan Giles (sem esquecer a beleza da que tinha “saúde”) e para a Electra bastante bera de David Sullivan. Grandes guitarras e grande dupla de guitarristas.

SETLIST

  • DOEN
    Malverde
    Crows in Swine
    Blood Like Cream
    Into the Eye
    Wires
    Dirt Wizard
    Prehistoric Dog