Rock in Rio Lisboa: Dia 2

2012-05-26, Parque da Bela Vista
Tânia Ferreira
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Segundo a organização, 83 mil pessoas estiveram ontem [26.05] no Parque da Bela Vista, e a confusão era evidente, tanto nas filas para entrar, como dentro do recinto.

[Por Inês Lourenço]

PALCO SUNSET

O início da tarde, as parcerias portuguesas foram feitas no feminino, com  Rita RedShoes a subir ao palco com Moreno Veloso [filho de Caetano Veloso] e Mafalda Veiga com o brasileiro Marcelo Jeneci. Os temas das vozes portuguesas ganharam uma nova vida ao vivo, mas sem apontamentos de maior.

Já com o pôr do sol, no palco Sunset ouve-se bom rock com Xutos & Pontapés e Titãs. Os Xutos entram em palco e tocam “Quem é Quem?”, de seguida, os Titãs entram em palco para tocar “Polícia”. O público estava em plena festa, e as duas bandas super bem dispostas vão tocando as suas versões de “Dados Viciados”, “Bichos Escrotos” e “Não sou o único”. E os Titãs tocam à sua maneira o êxito dos Xutos “À minha maneira”, e o Xutos retribuem com “Vossas Excelências”, música que Paulo Miklos, vocalista de Titãs, dedica a toda à classe política, “uma classe tão incompreendida e perseguida”. Para o final, estava reservada ainda uma surpresa e parafraseando Tim, “Para aumentar ainda mais a confusão”, é chamado ao palco mais um guitarrista, Andreas Kisser de Sepultura, para tocar “Alta Rotação” e “Cabeça Dinossauro”. Um momento único. Apesar de não ser a primeira vez de Xutos no RIR (nesta edição ainda vão subir ao palco Mundo), a actuação apanhou-nos de surpresa, já que se distinguiu pelo facto de haver um verdadeiro trabalho de arranjos nas músicas, não se limitando a juntar músicos em palco.

 

PALCO MUNDO

LIMP BIZKIT
A banda de Fred Durst tinha a tarefa de iniciar as hostes no Palco Mundo e não desiludiu. Limp Bizkit, apesar de terem lançado um novo álbum “Gold Cobra”, em 2011, optaram uma set list de êxitos antigos, limitando-se a tocar apenas “Bring it Back” desse álbum. Uma escolha inteligente e que não deixou (quase) ninguém indiferente. Assim que se ouve “If only we could fly…” é a explosão total no recinto da Bela Vista. Foi um concerto de revivalismos, e parece que a época áurea do Nu-metal está ainda bem presente na memória de várias gerações. Temas como “Hot Dog”, “Livin it up”, “My Way”, “Nookie” ou “Rolling” fizeram as delícias dos presentes.

Fred Durst chegou mesmo a confessar que há muito tempo que não tinha um dia assim. Nota 10 para o público presente, que apesar de por vezes haver alguns tempos mortos entre músicas que quebravam o ritmo do concerto, não perderam a energia. Por sua vez Fred Durst relembrou-nos que é um verdadeiro entertainer, e várias vezes comunicou com o público, várias vezes dirigiu-se ao fosso e chegou mesmo a percorrer o palco até à tenda da régie de som. E com o mérito de introduzir muito bem as bandas que aí vinham, cantando o refrão de “In the End” dos Linkin Park, e “Get a Job” dos Offspring. Sem dúvida um ponto alto no segundo dia do Rock in Rio.

 

OFFSPRING
Depois do Nu metal de Limp Bizkit, é hora de ouvir o punk rock de OffspringDexter Holland mostrou-se pouco falador e a idade já começa a pesar, notando-se algumas falhas e cansaço na voz. Mas nada disto abalou a energia do público. Se os álbuns recentes de Offspring passam ao lado do fenómeno das massas [à semelhança de Limp Bizkit], os hits do passado conseguem animar multidões. Neste dia, é notória a presença de camadas mais jovens, que aproveitam o punk acelerado de Offspring para libertar energias.

A inclusão de hits como “Come Out and Play”, “The Kids Aren’t Alright”, “Staring At The Sun”, “Get A Job”, “Pretty Fly”, “Kids Aren’t Alright” ou ” Self Esteem” são o sucesso garantido.
LINKIN PARK
Muitos dos que se dirigiram à Cidade do Rock vinham para ver Linkin Park, e já na edição de 2008 tinha acontecido o mesmo.

A banda liderada por Chester Bennington e Mike Shinoda continua a arrastar várias gerações atrás de si, e a agradar a miúdos e graúdos.

A set list que apresentaram no RIR foi bem construída, intercalando os grandes êxitos da banda com músicas menos conhecidas do público geral, o que contribuiu para um concerto praticamente sem quebras ou momentos mais monótonos.

Os pontos altos do concerto vieram com “With You”, “Runaway”, “Somewhere I Belong”, “Numb”, “Breaking the Habit” ou “In The End”.

Com um novo álbum já a chegar, “Living Things”, os Linkin Park tocaram 2 temas novos: “Lies Greed Misery”, com uma sonoridade que incide mais no hip hop, e “Burn It Down”, single já bem conhecido do público, principalmente das camadas mais jovens, e que a julgar pela receptividade se vai tornar num grande êxito.

De fora também não ficaram as músicas que integram a banda sonora da saga do filme “Transformers“, ouviu-se “Iridescent”, “What I’ve Done”e “New Divide”.

Com “Crawling” de 2001, andamos 11 para trás, e parece que tenho 16 anos outra vez. Chester canta a música no fosso e um elemento do público dá-lhe um cachecol do FCP, que ele exibe honrosamente – e quando o mostra à multidão desencadeia uma onda de assobios…

Foi um concerto irrepreensível, sem nada a apontar. Os Linkin Park estão em boa forma e foram os senhores da noite.

 

THE SMASHING PUMPKINS [Por Paulo Basílio]
Confesso que espero pelo concerto com a expectativa em baixo, porque dos Smashing a que estava habituado já pouco resta, mas apesar da debandada de público no intervalo, a banda entrou com um espírito elevado no concerto e disposto a dar um grande final ao segundo dia do RIR 2012. Não foi um mega concerto, mas foi muito espontâneo. Com uma atitude mais straight rock e menos alternativo, tivemos um Billy Corgan aventureiro na guitarra, entrando em improvisos e diálogos com o segundo guitarrista a puxar bem nos solos de guitarra, soltando uma garra roqueira e de Jamm que lhe desconhecia. Deixando as polémicas de parte, achei que a banda respondeu bem e sentia-se um bom vibe entre eles, o que fez com que principalmente na parte final agarrassem por completo o público que restava no recinto. Tivemos ainda um brinde de uma versão bem sacada do Space Oddity [David Bowie] com uma desconstrução a la Smashing e a prova final da sonoridade mais straight Rock chega-nos com uma bela versão cheia de energia do Black Diamond dos Kiss. Foram uns Smashing com um sabor diferente, mas também um bom momento de clássicos que fizeram uma geração e a explosão do rock alternativo, espontâneo e explosivo.

SETLIST

  • LIMP BIZKIT
  • My Generation
  • Hot Dog
  • Livin it up
  • Bring it Back
  • My Way
  • Break Stuff
  • Take a Look Around
  • Behind Blue Eyes
  • Nookie
  • Rollin 
  •  
  • OFFSPRING
  • Gonna Go Far Kid
  • All I Want
  • Come Out And Play
  • Days Go By
  • Have you Ever
  • Staring At The Sun
  • Original Prankster
  • Walla Walla
  • Hit That
  • Kristy
  • Get A Job
  • Americana
  • Head Around You
  • Pretty Fly
  • Kids Aren’t Alright
  • Self Esteem
  •  
  • LINKIN PARK
  • A Place For My Head
  • Given Up
  • Faint
  • With You
  • Runaway
  • From the inside
  • Somewhere I Belong
  • Numb
  • Lies Greed Misery
  • Points Of Authorit
  • Waiting For The End
  • Breaking the Habit
  • Leave Out All The Rest/Shadow of the Day/ Iridescent
  • Catalyst
  • Burn It Down
  • What I’ve Done
  • Crawling
  • New Divide
  • In the End
  • Bleed It Out
  • PaperCut
  • One Step Closer 
  •  
  • THE SMASHING PUMPKINS
  • Zero
  • Bullet
  • Today
  • Starla
  • The Beginning is the end
  • Quasar
  • Panopticon
  • Tonight w/Reprise @ Beginning
  • Ava Adore
  • Neverlost
  • The Ever Lasting Gaze
  • Oceania
  • 1979
  • Cherub Rock
  • Muzzle
  • Disarm
  • Space Oddity
  • XYU
  • Black Diamond