SBSR’19: Jungle, The 1975 e Metronomy

SBSR’19: Jungle, The 1975 e Metronomy

2019-07-18, Super Bock Super Rock 2019
António Maurício
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No primeiro dia de SBSR, o palco principal foi abençoado por uma performance celestial de Jungle. The 1975 mostraram synth rock jovem e fresco e os Metronomy indie pop de alto calibre.

O único dia do Super Bock Super Rock efectivamente esgotado foi o primeiro. Carregado por performances maioritariamente pop, as sonoridades foram animadas e coloridas. Entre o recinto, muito movimento – maré de gente a assistir a Jungle, outros ainda a conhecer o espaço de um lado para o outro ou a jantar.

JUNGLE

A banda inglesa, anteriormente assombrada por problemas técnicos no Super Bock em Stock 2018, revelou-se enorme, agora que tudo bateu certo. Com um set arrastado pelo pôr do sol, dispararam músicas totalmente dançáveis que colocaram pés a bater, desde as grades até ao fim da multidão. “Heavy California”, bem no início, apresentou uma dos maior sucessos da banda e apresentou uma projecção de vocais com efeitos bem trabalhados ao vivo. Entre “Pray”, “Platoon” e “Drops”, a equipa instrumental fechava as músicas com divertidos ad libs, que pareciam genuinamente improvisados (mas provavelmente não o são).

“Busy Earnin’, com sonoridade motivadora, que nos faz acreditar em tudo, foi amplamente esticada para encaixe das palmas por parte da plateia. A festa esteve sempre activa e a final “Time”, com o pôr do sol praticamente extinto, deixou a marca final num dos melhores concerto do primeiro dia de festival.

 

THE 1975

Os The1975 assumem o formato rock, mas encostam-se à sonoridade de uma boys band na grande fatia das suas músicas. Sem qualquer tipo de sentido pejorativo, porque as três músicas, “Give Yourself a Try”, “TOOTIMETOOTIMETOOTIME” e “She’s American” funcionam extremamente bem ao vivo. Bem apresentadas, com uma sonoridade mais crua que acrescenta integridade e os refrões que se colam facilmente aos que não conhecem a discografia.

Por outro lado, quando se aventuram por outros caminhos fora do seu contexto pop rock habitual, caem vertiginosamente. “I Like America & America Likes Me”, que mistura auto-tune em grandes doses e performance vocal a raspar o emo, foi apresentada com rugidos desafinados por cima dos péssimos efeitos de som. Para esquecer…

Após uma primeira parte bem composta, depois de “Love Me”, sentimos uma quebra de qualidade. Instrumentais menos interessantes, performances vocais menos concentradas e diferentes das versões de estúdio (o que pode ser positivo mas, neste caso não o foi) que soaram com menos potência sonora e energia por parte dos quatro rapazes ingleses.

METRONOMY

O grande nome do palco secundário no primeiro dia de festival. Os Metronomy mereciam lugar no palco principal e um melhor horário (muitos desapareçam antes do final para marcar lugar para o concerto de Lana Del Rey) mas, a performance foi recompensadora para quem permaneceu fiel às arruaças experimentais de indie rock com sons electrónicos, numa espécie de new rave.

Prontamente equipados com as suas habituais roupas de concerto (somente as cores branco e azul), prepararam um concerto carregado com músicas do iminente álbum, “Metronomy Forever” – as já conhecidas “Salted Caramel Ice Cream” e “Lately”, partilhadas como single, foram entrecruzadas por mais três temas novos que ainda não estão na posse do público. Em “Everything Goes My Way”, carregada de vozes secundárias, a baterista Anna Prior fez um brilharete ao manter a percussão alinhada enquanto suavizava o ambiente com vocais principais amenas.

Já as malhas conhecidas foram sempre interpretadas com um twist. As performances vocais alternativas concentravam mais emoção e os instrumentais acabam por entrar ou finalizar de forma mais criativa. As incríveis “The Look” e “The Bay”, apesar de terem sido editadas em 2011, envelheceram como o vinho e foram alongadas para um maior usufruimento dos músicos e da plateia. Aliás, todas as músicas continuam com aquele sentimento de “novo” ao vivo, ultrapassando o teste mais difícil: o do tempo.