6.5

Scissor Sisters

Magic Hour

Universal Music, 2012-05-25

Redacção

Estas tesouras não cortam, mas comportam o dourado dos 70’s, o néon dos 80’s e os beats dos 90’s. O 4º álbum da banda surpreende num misto de positivo e negativo, talvez por ser tão diferente dos anteriores trabalhos.

Mantiveram a estratégia e, mais uma vez, têm colaborações de peso. Boys Noize, nome artístico de Alexander Ridha, produziu em conjunto com a banda a maioria das músicas; Stuart Price também foi chamado a produzir umas quantas; Pharrel ajudou a escrever e a produzir “Inevitable”, tal como Calvin Harris só participou num tema (este último co-produziu o 2º single, “Only the Horses”) – este, tal como o 1º single, foi uma boa escolha.

Se o 1º single surgiu quase como uma fusão tecnho beats com kuduro, muito ao jeito da tão actual música de Buraka Som Sistema, mas com um refrão muito cativante, fiel ao estilo Scissor Sisters, com toques de synthpop e alternative pop dance, assim como um cheiro de hip hop trazido por Azealia Banks. Já o 2º single é muito mais pop e óptimo para remisturas. Aliás, todas as músicas, não baladas, presentes no disco têm esse ponto a favor, óptimos beats para remix. E falo de músicas não baladas porque francamente o álbum tem muitas baladas. Quase música sim, música não e lá surge uma balada. As baladas mais melancólicas são talvez as mais estranhas ao ouvido, pelo facto de não nos termos habituado à voz de Jake Shears neste registo.

A primeira audição é estranha, mas ao repetir-se começa a entranhar-se. É o efeito da pop, é verdade. Mas esta não é uma pop qualquer. É aqui que explico o primeira frase do texto. Há músicas que têm o charme dos anos 70, a primeira música do álbum “Baby Come Home” é a melhor prova, as back vocals atribuem-lhe uma elegância superior, à qual só “Inevitable” se aproxima. Há músicas que revisitam o estilo electro  e “vídeo game” dos anos 80 e outras que são recriações da tecnho pop e deep house dos anos 90. Há músicas completamente actuais, cheias de power, com doses de rave pop, house, electroclash, clubbing e hip hop, tudo misturado! Há até, em “San Luis Obispo”, um pop latino e a lembrar os trópicos, deixando uma certa nostalgia de férias. Há muita coisa presente.

Esta inconsistência e constante mudança de dinâmica podia resultar no facto de não saturar, mas não é o caso. Este exercício de intermitência torna mais difícil ouvir e perceber o álbum.

Com o perigo de me estar a repetir, é um álbum quase de homenagem à música de dança que se fez desde os 70’s até agora, à música de dança electrónica, e creio que até a eles próprios.