Sigur Rós

2013-02-14, Campo Pequeno, Lisboa
Inês Barrau

Mais uma vez os islandeses Sigur Rós visitaram o nosso país com duas datas, uma no Porto e outra em Lisboa. No Porto, iniciaram a primeira data da tour onde estrearam algumas músicas inéditas, que também puderam ser ouvidas em Lisboa.

A entrada no Campo Pequeno foi feita ao som de Blanck Mass, o projecto electrónico de Benjamin John Power. A visão ao entrar na Praça de Touros era de um cubo feito de pano que tapava toda a zona do palco e foi aí dentro que os islandeses tocaram as 3 primeiras músicas a inédita “Yfirborð“, “Vaka”  e “Ný Batterí” entre jogos de sombras e projeções visuais. Começavam assim duas horas de uma mistura de sons instrumentais e fonéticos, estranhos mas que se entrenham. Segue-se as novas “Kveikur e “Hrafntinna” e de seguida, o vocalista Jónsi, ao teclado por instantes, traz-nos os primeiros acordes da “velhinha” mas sempre bem vinda “Sæglópur” editada em 2006. A originalidade e o post-rock de Sigur Rós ao vivo é ainda mais poderoso, os temas ganham novo corpo, tornam-se mais pesados, mais graves, com mais distorção, numa palavra mais arrebatadores. O falsete e os sons exprimidos da guitarra pelo arco de violino nas mãos do vocalista transportam-nos para algo do plano divido, algo que nos transcende. A presença em palco de um trio de violinistas, da secção de metais e de percurssão são a cereja no topo do bolo, estes embelezam e engradecem os temas ao vivo.

Continuamos com “Fljótavík” de 2008 e “E-Bow” de 2002 e com “Varúð”, extraída do novo álbum “Valtari”. Também “Hoppípolla” e “Glósóli” não ficaram de fora da setlist e o público agradeceu. Antes do encore ouviu-se mais um inédito “Brennisteinn”, uma boa composição da banda que prova que ao fim de 16 anos de carreira, a banda mantem a sua vitalidade e a sua fasquia de qualidade na criação de temas pouco radio friendly. Nos dias de hoje é um privilégio assistir a um concerto de uma banda que sai fora dos cânones instituidos pela grande indústria musical.

No encore o público assistiu a um final explosivo, musicalmente falando, com “Svefn-g-englar” e “Popplagið”. Confesso que dificilmente consegui arranjar palavras que consigam exprimir verdadeiramente o que passou no Campo Pequeno, quem lá esteve teve uma experiência única vivida por cada um à sua maneira.

Sigur Rós fazem arte sonora, ponto final.