Sinistro, Desfragmentação

Sinistro, Desfragmentação

2016-04-08, Sabotage, Lisboa
Nero
7
  • 7
  • 7
  • 6
  • 8

Os Sinistro plantaram uma semente negra e luminosa num Sabotage ao barrote.

A analogia é algo inapropriada, mas se pensarmos num computador, após a sua desfragmentação, a nova organização dos dados torna, na primeira utilização, os processos algo bruscos – até que surja a fluidez da utilização. Assim foi com Sinistro no concerto de Lisboa. A banda, saída de estúdio com um álbum emocionalmente potente e bem trabalho, ainda se mostrou a necessitar de fluidez em palco.

Negro. Luminoso. Opressivo e catártico.

As dinâmicas de intensidade não revelaram “balanço” de execução. Não que a execução dos músicos tenha sido pobre, apenas que faltou “balanço”. Normal numa banda que, após dois álbuns e um EP, dá os primeiros passos ao vivo. Além disso, nada nos Sinistro é feito para ser exuberante individualmente, portanto a banda soa melhor quando a soma das partes é feita de forma mais orgânica. A atenuação da sintetização ao vivo (ou mesmo ausência), por opção ou por limitações de mesa, terá também removido uma rede de segurança adicional. Contudo, ao procurar dominar esse espaço com baixo e guitarras, o tamanho sonoro da banda aumenta e ganha muito mais peso.

Usando o título do último registo, sente-se que a “Semente” está plantada e que será uma questão de tempo até que a banda consiga fazê-la florescer e conjugá-la com a maior carga dramática emprestada por Patrícia Andrade. Com a vocalista a denotar também a necessidade de “palco” para aumentar a confiança na sua voz, foi uma pena que o seu poder cénico, a atracção que exerce sobre o olhar, tenha sido ocultado pelas limitações físicas do Sabotage.

SETLIST

  • Partida
  • Corpo Presente
  • Relíquia
  • Estrada
  • Cidade II
  • Fragmento