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Sinistro

Semente

Season Of Mist, 2016-04-08

EM LOOP
  • Estrada
  • Semente
  • Fragmento
Nero

Negro e luminoso, opressivo e catártico. As palavras dedicadas ao álbum de estreia, um disco instrumental, ainda sem Patrícia Andrade (que só iria entrar no EP “Cidade”, de 2013), podem ser aplicadas integralmente a este segundo trabalho.

Desde o primeiro álbum (homónimo), nada nos Sinistro é feito para ser exuberante individualmente, portanto a banda soa massiva e orgânica na soma das partes, o que torna “Semente” um álbum carregado de poder e dramatismo no balanço entre o tremendo corpo e ambiente instrumental e a voz de Patrícia Andrade (esplendorosa no tema que dá título ao álbum).

O grande triunfo do álbum é a elegância das composições, a sua violência e esquizofrenia charmosa.

Aliás, “Semente” possui uma produção sonora exímia, na qual os efeitos e sintetização (e até programações, como no tema título) não subtraem dimensão à parede de amplificação. O metodismo de construção melódica e dinâmica (com o zénite em “Estrada”) vai além das tendências do mundo moderno da fusão do post, com o doom e o sludge, procurando, efectivamente o sentido de canção, em vez duma mera busca por “peso” que, todavia, não deixa de ser constante no álbum, mesmo em momentos new wave como “Reliquia”. Assim, o grande triunfo de “Semente” é a elegância das composições, a sua violência e esquizofrenia charmosa. Qualidades que, já presentes no primeiro LP e no próprio EP, estão aqui exponenciadas.

O álbum é encerrado de forma esmagadora, com o riff megalítico no final de “Fragmento”.