Sirumba Aberta: O Esplendor de Linda Martini no Coliseu

Sirumba Aberta: O Esplendor de Linda Martini no Coliseu

2016-04-02, Coliseu dos Recreios, Lisboa
Pedro Miranda
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No que ao habitual glamour e ostentação das bandas de rock diz respeito, os Linda Martini sempre se apresentaram como a proverbial carta fora do baralho. Desprovidos de grandes exibicionismos em torno do seu regresso, foi no entanto de peito cheio que no sábado passado apresentaram, no Coliseu dos Recreios, “Sirumba”, o seu quarto LP e o primeiro em quase 3 anos.

Se a modéstia se conta entre as mais virtuosas características da banda, tanto em palco (“Não quero ser doutor”, faz entender André Henriques) como fora dele, a verdade é que poucos terão ignorado a enxurrada de fãs que se fizeram presentes para cortejar o retorno do quarteto, ou não tivessem os Linda Martini cimentado a sua reputação como uma das maiores e mais celebradas bandas de rock da actualidade portuguesa. O grupo não ficou indiferente ao elogio, agradecendo efusivamente ao fim de cada música o apoio mostrado e expressando a constante admiração por terem chegado até este ponto, tendo estado, nas palavras do próprio vocalista, «ainda no outro dia na cozinha dos meus pais a decidir que nome dar à banda».

O maior agradecimento veio, não obstante, sob a  forma de uma das mais exclusivas e aliciantes setlists alguma vez montadas pela banda. Conhecendo bem o enfado em que incorrem algumas destas estreias de discos, os Linda Martini fizeram pela diversificação, espalhando pequenas pérolas do seu passado por entre a lista de faixas de “Sirumba”, para deleite dos que pensavam ter ido ao Coliseu apenas por temas novos e (em grande parte) desconhecidos. É assim que, à terceira música, tocam “Juventude Sónica”, seguida, duas faixas depois, da ainda melhor recebida “Amor Combate”. Segundo estrutura semelhante, apareceriam aqui e ali sucessos anteriores da banda, misturados às canções novas: de “Olhos de Mongol”, “Estuque” e a efusivamente celebrada “Dá-me a Tua Melhor Faca”; de “Casa Ocupada”, a fulminante “Mulher-a-dias”; de “Turbo Lento” os singles “Volta” e “Ratos”.

Os Linda Martini deixaram-se contagiar pela música que produziam e pelo efeito visivelmente visceral que esta exercia sobre a plateia.

Sem descurar, obviamente, os destaques de “Sirumba”, igualmente bem executados pelo expressivo quarteto: “Unicórnio de Sta. Engrácia” arrancou cânticos de «É presa ou predador» da audiência, enquanto que “Putos Bons” e, a encerrar, “O Dia em que a Música Morreu” fizeram especialmente boa figura.

Para todos os efeitos, foi uma noite especial para André, Cláudia, Pedro e Hélio, que se embaraçavam alternadamente em agradecimentos sem fim, deixando-se contagiar pela música que produziam e pelo efeito visivelmente visceral que exercia sobre a plateia. Tocado o encore, que encerrou com “Este Mar”, seguida do par de “Belarmino Vs” e a habitual “Cem Metros Sereia”, a vontade de tocar não se extinguia: impelidos por pedidos de «só mais uma» do público, retornam uma vez mais ao palco para a mais energética rendição até ali – “O Amor é Não Haver Polícia”.

Um final digno para uma noite que se atreve a persistir na memória, não só pela abertura de um novo capítulo no percurso dos Linda Martini como também pela mestria com que a banda o uniu tão esplendidamente aos anteriores.

SETLIST

  • Sirumba
    Unicórnio de Santa Engrácia
    Preguiça
    Juventude Sónica
    Putos Bons
    Mulher-a-dias
    Amor Combate
    Estuque
    Volta
    Era Uma Vez o Corpo Humano (Inédito)
    Comer Por Dois
    Dá-me a tua melhor faca
    Dentes de Mentiroso
    Bom Partido
    Farda Limpa
    Ratos
    O dia em que a música morreu
  • Dez Tostões
    Panteão
    Este Mar
    Belarmino vs
    Cem metros sereia
  • O amor é não haver polícia