Steve Vai, Bélico e Apaixonante

Steve Vai, Bélico e Apaixonante

2016-07-23, CCB, Lisboa
Nero
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Celebração do inigualável “Passion And Warfare” foi o melhor concerto de sempre do guitarrista em Portugal.

Como John Petrucci, um dos músicos que surgiu, virtualmente, no concerto, disse na sua intervenção: «Parabéns pelos 25 anos de “Passion And Warfare”, bela maneira de elevar o nível a atingir». Na verdade, Steve Vai terá elevado o nível demasiadamente, até para si próprio. É certo que à sua frente, no CCB, tinha uma plateia completamente prosélita, portanto, mesmo antes de iniciar a tocar o álbum, cujo aniversário é o mote deste tour, já estava a ser ovacionado, entre o peso inicial de “Bad Horsie” ou a influência de Stevie Ray Vaughan (acoplada à de Hendrix) presente em “Gravity Storm”, mas nunca mais atingiu o nível paranormal de “Passion And Warfare”.

PASSION AND WARFARE

É o álbum que define tudo em Steve Vai, que o imortalizou na galeria dos melhores de sempre. É como uma analogia de “Flores Do Mal”, de Baudelaire. Foi a tempestade perfeita, o marco de uma era, quer no cosmos individual como no universal. Impossível de imitar, de repetir o fôlego e a encruzilhada específica em que surgiu.

Aliás, os improvisos que surgem ao vivo são o quanto bastante para poluir o equilíbrio perfeito do álbum. Felizmente isso não aconteceu muito. E, livre dos excessos de notas, praga neste tipo de concertos, até “For The Love Of God” foi tocada nas proporções certas, soando com um feeling glorioso.

A simplicidade encantadora e épica de “Liberty” (tocada por cima de Brian May, no icónico concerto de Sevilha), a excentricidade e groove de “The Animal” ou “Greasy Kid’s Stuff”, as exóticas e livres de overdrive “Ballerina 12/24” e “Sisters”, ou a fúria eléctrica de “Answers” e “The Audience Is Listening” – temas que foram pontuados com os duelos virtuais intensos com Joe Satriani e John Petrucci, respectivamente – são temas que, passados 25 anos da sua edição, permanecem com o vigor intacto, tal como a pertinência de uma era em que, como vemos no divertido vídeo de “I Would Love To”, mesmo as teenagers vibravam com guitar heroes e rockstars.

The Animal, The Audience Is Listening, I Would Love To e a cover de Frank Zappa, foram os momentos mais altos daquele que foi o melhor concerto do guitarrista em Portugal

O único pecado na tradução de “Passion And Warfare” para o palco do CCB terá sido a ausência do vinculado carácter sonoro originalmente presente no álbum. Aliás, Steve Vai referiu, antes de começar a “reprodução” do álbum que a razão por nunca (até esta tour) o ter tocado integralmente ao vivo era falta de coragem.

E a coragem presente na experimentação neste álbum tem faltado a Vai… Removendo-lhe arrojo e pertinência criativa, vinda dos tempos em que um adolescente tocou com Zappa. Uma noção que fica explícita no final, quando “Stevie’s Spanking” é tocado. Outros riffs…

No final, mesmo com os números de circo, de coisas como “Build Me A Song”, e genéricos como “Racing The World”, a celebração de “Passion And Warfare” fica marcada como o melhor concerto de Steve Vai em Portugal. Bem secundado por Philip Bynoe e pelos seus slap frenéticos, não tanto por Dave Weiner, que esteve bastante discreto, e principalmente por uma prestação explosiva de Jeremy Colson atrás do drumkit.

SETLIST

  • Bad Horsie
    The Crying Machine
    Gravity Storm
    Tender Surrender
  • Liberty
    Erotic Nightmares
    The Animal
    Answers
    The Riddle
    Ballerina 12/24
    For the Love of God
    The Audience Is Listening
    I Would Love To
    Blue Powder
    Greasy Kid’s Stuff
    Alien Water Kiss
    Sisters
    Love Secrets
  • Stevie’s Spanking
    Racing the World
    Fire Garden Suite IV – Taurus Bulba