BEN HOWARD
Pela primeira vez em Portugal, o arranque oficial do Palco TMN da presente edição do Festival Sudoeste TMN ficou a cargo do britânico Ben Howard. Algo tímido e recatado foi assim que o músico Londrino apresentou para uma plateia, ainda a conta-gotas, o seu álbum de estreia “Every Kingdom”, lançado em Outubro de 2011. Conhecido para alguns, mas desconhecido para outros tantos, a postura comedida foi a imagem de marca de Ben Howard durante grande parte da sua actuação – a excepção foi para “The Fear”, o single, que soou familiar e o público mais efusivo deu asas ao músico, que se libertou e descontraiu, terminando o espectáculo em comunhão com a audiência. Não será arriscado dizer que estará para breve uma actuação em nome próprio.
MATISYAHU
Esqueçam a barba, o judeu ortodoxo, o rapaz de Westchester largou a religião que tanto o ajudou a catapultar-se e a diferenciar-se… ou será que é um “praticante à sua maneira”, algo resposta em voga hoje em dia? A realidade é que Matisyahu nada tem a ver com a primeira vez que nos visitou no Coliseu dos Recreios, em Lisboa. A proclamação do Reino do Rei David hoje é feita numa versão renovada ao estilo Linkin Park “mainstream”. O balanço do Reggae e do Dub deram lugar ao peso das guitarras e a actuação do cantor norte-americano foi deixando o público atento, mas pouco entusiasta, sentindo-se apenas o verdadeiro espírito de Live at Stubb’s, álbum que transportou Matthew Paul Miller para as luzes da ribalta quando um improviso de beat box antecedeu “Jerusalem” e “King Without a Crown”. Momento que destacou uma actuação competente, mas pouco exuberante, para uma plateia que pareceu estar a descobrir esta nova personagem.
FAT FREDDY’S DROP
Da Nova Zelândia com a bagagem cheia de “good vibes”. Assim começou a actuação dos Fat Freddy’s Drop, porque a Herdade da Casa Branca a isso inspira e o Reggae assim pede. A assistência é que não estava para aí virada… e o concerto foi bom sem ser espectacular. Começaram em altas, com grandes e sonoros “Make some noise”, mas foram-se apagando. Ou seria o público que não estava ligado e nos faz ter esta sensação? Um bom concerto é sempre feito de duas partes, a banda e o público? Se sim, a banda esteve bem, o público esteve mal.
BEN HARPER
Um senhor! Uma prestação digna do adjectivo atribuído. Não só Ben Harper, como toda a banda que o acompanhou, destacando o guitarrista, cujos solos nos lembraram que o Rock é o que é porque nasceu do Blues! Apupos não faltaram, falta de paciência foi o mais observado, mas o senhor fez o que queria e ainda bem. Não foi um “show” pensado para “teens” mas para amantes e fãs da música. Poucos foram os que apreciaram… poucos foram os de bom gosto?… É curioso passarmos mais de hora e meia a ouvirmos criticarem uma música desta excelência e chegar a tão banal “Boa Sorte, Good Luck” e tudo se dissipar e toda a audiência a cantar em uníssono, como se se esquecessem das críticas anteriores. Vanessa da Mata foi Dama, numa noite em que as cordas foram as Rainhas.
Marcelo D2
A fazer parte do tema SW. Críticas sociais, no meio do povo. É assim que, aparentemente, o SW TMN se quer destacar, como o festival das críticas sociais e do reggae e das good vibes mas sempre com a responsabilidade ecológica e social presentes… Marcelo sofreu do mesmo dos seus antecessores, público desatento e pouco consciente do que poderia usufruir. O menino/homem pós-Gabriel o Pensador tem qualidade superior à atenção que lhe foi atribuída. Vale a pena perceber o que as letras significam!
Nota de redacção:
As distracções são demasiadas – toda a gente quer sair do festival com o maior número de brindes possível – e nenhuma banda está a ter o efeito que podia. Resultado: quem está a tentar assistir REALMENTE à prestação da banda em palco, sofre e sofre e sofre… há paciências que se esgotam e outras que arranjam algum alento e continuam persistentes. O problema? A banda sentir o mesmo que os mais devotados à música: que toda a gente está ali para qualquer outra coisa que não a música.Let’s pray that today will be a better day!!!