SWR XVII, as surpresas

SWR XVII, as surpresas

Nero
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O SWR é sempre capaz de nos surpreender. Seja com bandas que desconhecemos, seja com concertos que não esperávamos “curtir” tanto.

Sabemos o que esperar de bandas como Anaal Nathrakh, mas a ausência do “motor” do projecto – o multi-instrumentista Mick Kenney aka Irrumator – poderia significar um concerto menos conseguido. Aliás, o vocalista Dave Hunt aka V.I.T.R.I.O.L. (giro isto dos pseudónimos, hein?) alertou o público para uma possível falta de alguma consistência no concerto. Isso no entanto pareceu o discurso do coitadinho, porque os ingleses deram um dos melhores concertos do festival e um dos que teve melhor som no palco principal. O guitarrista solo dos ingleses foi uma “cena” à parte… que monstro de feeling e técnica! O som actual da banda estará distante das origens black metal ou grind, mas os solos, a riqueza harmónica e a estética da guitarra transmitiram quase sempre um sentimento heavy metal.

VÊ AQUI QUAIS OS MELHORES CONCERTOS DO SWR XVII PARA A ARTE SONORA

De resto, o Dia 03 foi rico em grandes surpresas e grandes guitarristas. No Palco 03 os Pterossauros sobressairiam sempre, nem que fosse somente por estarem a promover um evento histórico – o primeiro saxofone em palco na história do SWR (se não me falha a memória). Mas a banda vale muito mais que essa excentricidade. É natural evocar mentalmente os Morphine, mas a fusão tão bem estudada de uma secção rítmica com algo de punk e stoner, em crossover com uma guitarra com um som tão dinâmico quanto o seu guitarrista, tornam esta banda em algo tão raro no underground português como obrigatório de explorar. Nesse enquadramento de grande som de guitarra, os franceses Verdun rebentaram o Palco 03 com temas entre o cânone do post, do doom e do sludge. Violentíssima marcação rítmica do seu baterista, com dinâmica não através do swing, mas por pura força. Concertão!

O som dos Pterossauros tornam esta banda em algo tão raro no underground português como obrigatório de explorar

Os Hirax ganharam com a vertente “azeiteira” do seu thrash e da simpatia do vocalista Katon W. De Pena (cuja auto-proclamada ascendência lusitana iremos ver repetidamente descrita). Enquanto nos paramos de rir de todos os clichés dos 80s e de toques dos Judas Priest dos 70s, começamos a perceber que, afinal, está a ser um concerto do caraças. Além disso, gritar “El Diablo Negro” com pronúncia californiana é badass!

Os Bölzer mantiveram uma tradição que pode estar a fazer escola no SWR. Os powerduos! Se pensarmos que os Jucifer arrasaram o Palco 02 cada vez que estiveram em solo minhoto, os suíços, num registo completamente diferente, fizeram justiça a essa tradição. Mas com os papéis invertidos em relação aos Jucifer. Aqui não é a bateria que brilha, aliás até puxa os temas um pouco para trás, muito colada a idiossincrasias do black metal, mas o tremendo trabalho de guitarra. Okoi Thierry Jones parece ter 4 braços. Exuberante tecnicamente, agressivo e estridente. Tudo características que, na despedida do festival, um puto espanhol não só apresentou como elevou. Os Display Of Power são uma mera banda de tributo a Pantera e quando se pensa no quão único foi Dimebag Darrell é fácil criar preconceitos a um projecto desses. A verdade, acreditem ou não, é que chegou a ser emocionante ver aquele nuestro hermano, nota após nota, fazer soar uma Dean Dime Razorback como se fosse o guitarrista texano ressuscitado.