SWR XVI – DIA 2

Nero

No dia 26 de Abril, o segundo dia do festival, iniciaram-se as hostilidades no SWR Arena com a dupla bracarense The 1969 Revolutionary Orgy e os Hellcharge, tendo estes últimos com o seu Black/Punk n’ Roll conseguido a primeira sessão de headbanging do dia.

Os nacionais The Ransack, marcando novamente presença no festival, deram uma actuação coesa e intensa embora ainda com pouco público presente. Seguiram-se os Persefone, banda originária de Andorra, alternando entre um Death Metal melódico com passagens por sonoridades mais progressivas à la Dream Theater. Com algumas influências mais modernas e voz algo desenquadrada, não retirando mérito técnico aos bons músicos que mostraram ser foi um concerto pouco apelativo.

De seguida no palco 2 os brasileiros Headhunter D.C., que se encontram na Europa em tournée a celebrar os seus 25 anos de existência, para uma prestação aguardada com curiosidade. Tendo lançado 2 álbuns em 91/93 bastante apreciados no underground, entregaram uma descarga violenta de Death Metal old school, puxando sempre pelo público, ajudados pela língua comum. Um bom concerto a espalhar o Culto da Morte por terras lusas, bastante apreciado pelos presentes.

No SWR Arena preparava-se o bailarico com os nacionais Raw Decimating Brutality (RDB),  com o seu Grindcore característico, com letras e títulos de músicas alusivos à construção civil. Invasão de palco, moshpit e movimentação constante foram o resultado dos ritmos e riffs contagiantes, sendo “Limpei o Cú a Um Saco de Cimento” e “Fluido Vaginal” alguns dos já clássicos temas tocados.

Pouco após o início da prestação dos R.D.B. eis que tomam de assalto o palco 1 os ingleses Onslaught, a celebrar a sua 30th Anniversary Tour. Tocaram temas como “Killing Peace” e “The Sound of Violence” dos seus trabalhos mais recentes, mostrando que não se agarram apenas ao passado. No entanto, com dois trabalhos históricos do Thrash Metal como foram Power from Hell e The Force fazem uma incursão às suas raízes com “Metal Forces” e “Fight with the Beast”, fazendo a delícia do fãs. O vocalista anuncia que estavam a gravar um novo DVD no festival, para o público se juntar a eles em palco e saltarem / fazerem a festa. A plateia talvez não tenha percebido a mensagem por completo, visto que nas últimas músicas muitos subiram para o palco e permaneceram no mesmo até ao fim. Fecharam com “Onslaught (Power From Hell)” e “Thermonuclear Devastation”. Grande concerto, à boleia de um grande baterista, desta banda referência dentro do género.

Os lituanos Luctus no palco 2 apresentaram um Black Metal crú, cantado na sua língua materna, o que dava um toque algo exótico à banda. Entrega e prestação interessantes, embora muito lineares.

Os Belphegor regressaram a Portugal, desta vez trazendo o ábum Blood Magick Necromance de 2011 na bagagem do qual “In Blood – Devour This Sanctity” um dos temas iniciais. Devido a alguns problemas de saúde no passado, o frontman Helmuth cantou em apenas algumas partes das músicas, mostrando no entanto estar em grande forma na guitarra, tendo sido o restante concerto com um guitarrista/vocalista convidado. Esteticamente apresentaram-se com backdrops e figuras amorfas à frente do palco, ajudando à ambiência carregada e negra do concerto. A nível de som para quem não segue a banda estava muito confuso, pouco perceptível no geral. “Lucifer Incestus” e “Bondage Goat Zombie” alguns dos temas tocados, bastante apreciados pelos fãs presentes.

Os holandeses Urfaust são uma banda que causam alguma divergência de opiniões, aguardada com curiosidade e expectativa nesta edição do festival. Uma viagem verdadeiramente hipnótica foi o que presenciámos, com apenas 2 elementos a banda consegue criar uma ambiência extrema, com guitarras rasgadas e bateria sempre num ritmo médio e repetitivo. Sonoridade dento do Black Metal depressivo e arrastado, as vocalizações limpas adicionam um toque sombrio, já tendo sido o vocalista comparado a um Frank Sinatra bêbado, como referido pela banda numa entrevista recente. Um concerto com reacções mistas, ou se entra na viagem e adora a experiência ou não se consegue ultrapassar as cadências e melodias bastante repetitivas. No entanto, o saldo deste concerto é claramente positivo, o público presente a embarcar e participar com atenção no ritual sonoro.

E eis que entram em cena no palco 1 os Pentagram, no que seria um dos momentos altos do festival. Bobby Liebling, um dos verdadeiros dinossauros do Heavy/Rock, entra de casaco e camisa à anos 70, quase com 60 anos mas parecendo ter muitos mais devido à sua história cinzenta de consumos ilícitos. Iniciaram com “Day of Reckoning”, para de seguida recuar ainda mais na sua história com “Forever My Queen”, um dos primeiros temas criados pela banda.

Apresentaram um novo elemento na guitarra Matt Goldsborough, que conseguiu corresponder na perfeição à expectativa dos fãs e na execução das músicas da banda. Se haveria alguma apreensão a este respeito – uma vez que o novo guitarrista fora anunciado pela banda apenas alguns dias antes da tour – a sensação com que se ficou no final do concerto é de que Goldsborough foi um dos melhores guitarristas que já esteve presente em 16 edições de SWR. Seguro, com feeling, groove, técnica e uma mão muito sólida a segurar alguns riffs que fazem parte da história do proto-doom. “Treat Me Right” introduziu o último álbum da banda Last Rites lançado em 2011. O set escolhido ficou marcado por tocarem algumas músicas mais antigas e obscuras do catálogo como “Living in a Ram’s Head” e “Wheel of Fortune”, passando de seguida para um dos grandes clássicos da banda “The Ghoul”. A voz de Bobby esteve boa nas músicas, apenas nos intervalos se notando o que parecia ser algum cansaço quando se dirigia à plateia, o que é normal visto ter estado sempre imparável em palco, a fazer air guitar e a venerar a guitarra, ajoelhado nos solos. Nova incursão ao último álbum com “Everything’s Turning to Night”, e de seguida uma sequência de clássicos invejável do primeiro álbum com a excelente  “20 Buck Spin” e “Relentless”, intercalada com “Petrified” do seu 3º registo de originais Be Forewarned de 1994. Do mesmo álbum presentearam-nos ainda com “Be Forewarned” para terminar em grande com a excelente “Sign of the Wolf “. Fica para a história a visita deste senhor ao nosso país.

Outra das surpresas do festival estava reservada para os Jig-Ai, oriundos da República Checa, praticantes de um Party Slamming Goregrind. Assim que começaram os primeiros acordes da guitarra e o ritmo contagiante da bateria o público entrou em delírio completo. Bolas e bóias de praia, fitas de carnaval a voar, moshpit e stagediving constantes. Em palco a banda sempre em movimento, a mostrar uma energia impressionante. O vocalista dirigiu-se à plateia em “portunhol”, disse que falava bem o espanhol e pediu desculpa por não falar melhor português. Conseguiu comunicar na perfeição com o público, criando uma grande empatia, tornando este concerto num dos momentos altos do dia.

Simultaneamente aos Unfathomable Ruination e perante uma tenda cheia no SWR Arena, eis que iniciam a sua actuação os Dementia 13. Vieram mostar o seu excelente EP de estreia Tales for the Carnivorous e tocaram ainda algumas covers de entre as quais destacamos “Zombie Ritual” dos Death. Muito movimento na plateia para tentar afugentar o intenso frio ártico que se fazia sentir nessa noite e celebrar esta promessa do Death Metal nacional.