SWR XVII, os melhores

SWR XVII, os melhores

Nero
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Sourvein, Graves At Sea, The Quartet of Woah!, Martelo Negro e Grave Miasma foram os Dons da Metal Máfia no 17º SWR.

Os Sourvein e os Graves At Sea partilham muita coisa nos dias actuais. As bandas editaram um split [que inseriram nos seus alinhamentos], uma digressão e a primeira vez que estiveram no nosso país. E, naturalmente, o paquidérmico som de amplificação e frequências lentas e graves. Há também um certo sabor a bourbon no sludge de ambos, mas o groove diferencia-os – mais rocker nos Sourvein, mais ocultista nos Graves At Sea. No Dia 01 foram gigantescos os bateristas de ambas as bandas, Dwayne Jones aka Hotlanta Jones [Sourvein] e Bryan Sours [Graves At Sea].

De alguma forma, os Sourvein soaram mais sólidos, mais energéticos e dinâmicos e isso deve-se, provavelmente, à entrega de T-Roy Medlin. O vocalista, único membro original da banda e o seu verdadeiro rosto, cedo manifestou vontade em compensar os cancelamentos forçados em edições anteriores do festival. Ainda assim, dando um concerto menos coeso, os Graves At Sea terão conseguido dois momentos mais memoráveis, através da megalítica versão de “Lord Of This World”, o original de Black Sabbath, no álbum “Master of Reality”, e a arrasadora “Pariah”. O concerto de Graves At Sea foi sintomático de como a porrada que uma banda dá aos instrumentos pode expandir a experiência de a ouvir ao vivo – o guitarrista Nick Phit teve a sua Les Paul quase sempre desafinada, mas a violência da actuação nunca permitiu que esse factor diminuísse a mesma.

Os Graves At Sea terão conseguido os dois momentos mais memoráveis, através da megalítica versão de “Lord Of This World”, o original de Black Sabbath, no álbum “Master of Reality”, e a arrasadora “Pariah”.

No Dia 02, Palco 1, os The Quartet Of Woah! não terão tido o maior número de público, mas o que tiveram foi invadido pelo retro rock de uma das melhores bandas nacionais. As notas do álbum “Ultrabomb” foram favorecidas pela amplitude de som do palco principal e, principalmente, isso permitiu perceber mais facilmente a excelente dinâmica de harmonização vocal entre o guitarrista Gonçalo Kotowicz e teclista Rui Guerra. Um ponto negativo, o “Ultrabomb” é um ultra disco, mas a ocasião merecia um tema novo. Está na altura!

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Os Martelo Negro surgiram, no Dia 03, no Palco 2 do SWR com um nível de sacrilégio tal como se fora o próprio Pazuzu a comandá-los. A agressividade blasfema do vocalista/baixista Simão Santos (impossível não sublinhar a ironia no nome do músico) conduziu um ritual de thrash em que fomos repetidamente espancados pelo Cornudo. Som altíssimo e a bateria com um “estalo” enorme foram os pilares da devastação estridente das guitarras. Os Martelo Negro deram não só um dos melhores concertos do SWR XVII, como da história do festival. Um concerto “sob os cascos de Satã”. Brutal também reprodução de “Odori Sepulcrorum”, o álbum de estreia homónimo (em Latim) dos Grave Miasma. Guitarristas com um nível técnico que, não estando ao nível da autêntica máquina trituradora do seu baterista, não deslustrou. A discografia relativamente curta da banda permitiu um setlist sem grandes alternativas à violência ininterrupta dos ingleses.