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The Bronx

IV

ATO Records, 2013-02-05

Hugo Tomé

Quando se pensava que não havia nada mais ridículo que uma banda de punk hardcore de Los Angeles virar-se para o Folclore Mexicano, trocar as guitarras eléctricas por guitarróns e fazer dois álbuns capazes de preencher a banda sonora da saga Mariachi de Robert Rodriguez, o alter-ego Mariachi El Bronx até que teve um ar da sua graça. No entanto, sejamos sinceros, ver agora chegar “IV” e os Bronx estarem de volta às suas origens, invenções e coisas engraçadas à parte, é novidade de satisfação maior.

Para registo, Mark Caughthran e restante comitiva já não são propriamente gente nova nestas andanças. Passaram 10 anos da estreia do homónimo e, se por um lado os californianos já provaram ser capazes de transformar ideias potencialmente idiotas em trabalhos de qualidade certificada, o som original da banda amadureceu e as pranchas deram lugar aos monovolumes, pois, isto hoje, já caminhamos todos para chefes de família.

Contudo, o estilo robusto dos Bronx não se “amantizou” propriamente (não confundir maduro com “pussy”). Os vocais de Mark Caughthran continuam rasgados com a tendência carniceira antiga como “The Unholy Hand” ou “Under The Rabbit” e os ganchos riffeiros continuam rancorosos quanto baste para provocar “molhadas” como “Too Many Devils” e “Ribcage”. Simplesmente o avançar da idade aprumou coros e refrões abertos por 24 horas como “Along For The Ride”, “Style Over Everything” ou “Life Less Ordinary” e, a variação extrema de temperamento sonoro alargou horizontes à serenidade da melodia sem precisar de programas de auto-ajuda espiritual como “Pilot Light”, “Torches” ou “Valley Heat”.

Na perspectiva mais roqueira que um passado punk hardcore pode ter, é caso para se dizer que a maturidade tem destas coisas e, depois do interregno eléctrico de 5 anos, quando se pensava que os “gringos” não mais passariam de alter-egos “Mariachis”, os velhos Bronx estão de volta, o que sejamos sinceros, ainda bem!