The Cult, Templo Sónico

The Cult, Templo Sónico

2019-08-22, EDP Vilar de Mouros
Rodrigo Baptista
Emanuel Ferreira
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A celebrar 30 anos de “Sonic Temple”, os The Cult regressaram a Portugal para uma atuação no EDP Vilar de Mouros 19.

Passados dois anos do seu último concerto em Portugal que decorreu no NOS Alive, e que diga-se de passagem deixou um “sabor” algo agridoce, pois o público presente no festival não soube receber nem respeitar a histórica banda britânica, que não só se apresentou ainda durante o dia, como teve ainda de tentar cativar os fãs dos headliners desse dia, os Foo Fighters.

Os The Cult regressaram a Portugal e trouxeram a Vilar de Mouros “A Sonic Temple”, um espectáculo assente na celebração dos 30 anos do álbum que marcou um período de transição na sonoridade da banda, desviando-se assim das sonoridades mais góticas de “Love” (1985) e com uma forte procura em aprofundar o hard rock de “Electric” (1987).

À 1h30m a banda entra em cena, não fossem eles britânicos. Ian Astbury e Billy Duffy são obviamente os elementos de destaque na frente do palco, e os únicos membros que permanecem no conjunto desde a sua criação. A cumplicidade entre os dois é óbvia, tanto em palco como em estúdio podendo ser colocados por vezes ao lado das grandes parelhas vocalista/guitarrista que marcaram a história do rock, como é caso de Plant/Page ou Axl/Slash. O resto da formação que se apresentou em Vilar de Mouros é composta por John Tempesta (bateria), Damon Fox (keyboards/guitarra) e Grant Fitzpatrick (baixo).

A “primeira parte” do concerto ficou entregue a “Sonic Temple”, no entanto o grupo optou por não apresentar o álbum na íntegra, mas sim fazer um apanhado das “melhores” canções presentes no LP de 1989. O público mostrou-se rendido desde o inicio, mas é de salientar o euforismo e a comunhão com a banda nos clássicos “Sweet Soul Sister” e “Fire Woman”.

Ian Astbury foi talvez a surpresa mais agradável da noite, a forma enérgica como se apresentou, interagindo sempre com o público, bem como a sua boa condição vocal foram dois aspectos que agradaram certamente ao público. Por sua vez, Billy Duffy um pouco mais contido, mas também bastante coeso, principalmente nos solos, ia deslumbrando os olhares com as suas poses de rockstar tendo usado e abusado do famoso Windmill, protagonizado por Pete Townshend. Em termos de gear, Duffy apresentou-se com apenas três guitarras: a sua famosa Gretsch 1974 White Falcon, uma Gibson 20th Anniversary 1957 Les Paul Custom Black Beauty e ainda a sua Gibson Les Paul Classic 1960 Reissue Goldtop, mas se quiseres saber mais sobre as guitarras e a sonoridade tão característica de Billy Duffy, clica aqui para leres a entrevista que fizemos com o próprio.

A “segunda parte” do concerto, já a caminhar em passos largos para o fim, foi completamente avassaladora para qualquer fã acérrimo dos The Cult, com a sequência ” Rain”, “She Sells Sanctuary”, “Wild Flower” e “Love Removal Machine”, a banda conseguiu ter o público na mão durante o resto do concerto, tendo este entoado refrões e batendo palmas a compasso. Os fãs ainda queriam mais, mas o grupo saiu de palco sem nunca mais voltar sob uma chuva de aplausos e cânticos futebolísticos. As pazes ficaram feitas.

SETLIST

  • Sun King
    New York City
    Automatic Blues
    Sweet Soul Sister
    American Horse
    Soul Asylum
    Edie (Ciao Baby)
    Fire Woman
    Rise
    Rain
    She Sells Sanctuary
    Wild Flower
    Love Removal Machine