Numa noite de terça feira no final do mês de Maio, o Campo Pequeno tem um grande amontoado de gente à porta. Está calor, está muito calor. Lá dentro sobem ao palco os The National, cujo único consenso que reúnem é mesmo esta plateia lotada de gente para os ver – primeiro ficamos a conhecer (ou a ouvir) a forma como se portam ao vivo os Dark Dark Dark, com Nona Marie Invie ao leme, e fazemos um gosto com as duas mãos.
Passavam poucos minutos das 22h, o momento de receber Matt Berninger e o seu mundo de fantasmas e histórias dolorosas e de Amores na primeira e terceira pessoa do singular e do plural, no femenino e no masculino, e…continuando a metáfora de motivos verbais, de pretéritos e gerúndios da sua mente, ou alma, ou da sua intuição no olhar o mundo emocional.
Não sei se são um fenómeno, ou uma banda de culto, sei que desde “Sad Songs For Dirty Lovers” começaram a dar nas vistas, mas é com “Alligator” que desbravam caminho até aos dias de hoje no meio indie, com músicas de construção quase idêntica, no que às letras diz respeito, mas que a voz e os adjectivos de Matt encaixam na perfeição, musicalmente sempre complexa, mesmo nos temas mais simples. A fórmula por enquanto parece resultar.
E a plateia sabe-os de cor, durante uma hora e cinquenta minutos entregam a alma para ser expurgada de “males de Amor” e em comunhão com a banda se vai fazendo a festa.
Para quem é mesmo fã, ficam a faltar temas como “Lit Up”(alguém empunhava um cartaz a pedir) e outros como “Mistaken for a Stranger”ou “Karen”. Mas a visita era de cortesia e pretendia dar a mostrar “High Violet”, último álbum e motivo da tour.
Houve emoção e clarividência desde o primeiro acorde, e tinham mais um punhado de músicas para tocar se fosse o caso. Depois disto fica mais difícil afirmar outra coisa que não seja que foi um excelente espectáculo e meter memorável no meio não me parece descabido. Num concerto que valeu por tudo, e basta ver o alinhamento para se perceber, não há momentos altos, pois foi tudo enorme. No final parece que só a sala precisa de mais dias assim para ser uma referência a nível de espectáculos musicais – e nem isso eles deixaram de elogiar, mostrando a simpatia que os caracteriza também.
No fim da actuação e já no segundo encore tocam, sem a ajuda de amplificadores nem colunas,”Vanderlyle Crybaby Geeks” , e é em formato acapella com o público que se despedem de nós. Mas mesmo no final e já no tunel em direcção à rua, “Mr.November” parece ser o hino National… e o que ficou na memória é aquilo que cada um se lembrar…
Por Joaquim Martins