The Young Gods

The Young Gods

2013-12-06, TMN Ao Vivo
Nero
7

Se há uma forma entusiasmante de ouvir um tributo a uma banda é ouvi-lo feito por ela própria. Muito bom concerto dos Young Gods. O Porto não deve perder este concerto…

Uma chegada tardia às docas lisboetas apenas nos permite acompanhar os dois últimos temas da banda de abertura, mas dá para intuir que os TAPE JUNK foram bem acolhidos por um público que, à partida não seria o seu e que estava ali com um propósito reverencial.

Para os fãs será sempre estimulante ouvir e ver uma banda passar uma hora a reconstruir numa réplica perfeita os pilares que a erigiram. Sabemos agora que os THE YOUNG GODS partilharão esse mesmo estímulo, afinal a actuação da banda foi irrepreensível em energia e compenetração na reprodução dos seus dois primeiros discos – o álbum de estreia homónimo e “L’Eau Rouge”.

Há um factor determinante na aproximação a 1987 e que, eventualmente, uma banda “convencional” de rock teria mais dificuldade em conseguir: a “repescagem”, através de software, dos samples originais desses discos. Quando começa a soar “C.S.C.L.D.F.” ouvimos uma atmosfera única – o som de uma lendária Akai S900. A emulação, construída a partir de ferramentas originais imperfeitas, soa perfeitamente até pela ausência do baterista Bernard Trontin neste tema. De facto, o som vibrante e dinâmico de uma captação contemporânea à bateria é um eixo do revigoramento feito aos temas (e já agora dizer que Trontin foi soberbo, com uma precisão “maquinal”). A dinâmica impressa pela banda, já referido atrás, é a grande valia do concerto, a paixão pelo momento revela uma intensidade genuína e celebrativa que divide uma sala bem composta de público – por um lado uns juntam-se à celebração efusiva que transborda dos três suíços, por outro outros mantém-se numa postura reverente diante da sensação de estar a ver serem reescritos textos sagrados na formação do post industrial europeu.

Posto isto, é verdade que Franz Treichler assumiu em entrevista connosco que estes concertos podiam tornar-se os últimos da banda, mas vendo o “rejuvenescer” dos Young Gods através do bálsamo da sua própria música deixa esta questão em suspenso. Voz impecável de Treichler, quer nos apontamentos mais melódicos quer nos mais agressivos. A referida “C.S.C.L.D.F.”, “Fais La Mouett, “A Ciel Ouvert”, “L’eau Rouge”, “Did You Miss Me?” e “Percussione” (onde mais nitidamente se distingue a influência dos Swans no som criado pelos suíços) terão sido os pontos altos de um concerto muito bom. Se, no final, esta tiver sido mesmo a última vez que Lisboa viu uma das bandas fétiche de Portugal, o concerto não será difícil de perpetuar na memória.

A setlist poderão encontrar descrita nos concertos do ano passado, em que a banda celebrou o ano em que completou uma carreira de 25, agora 26 e a parecer ter mais uns anitos diante de si.

NOTA: O frontman procurou comunicar sempre em português com o público, mesmo nos discursos mais longos e por mais que seja meio lamechas admiti-lo, a verdade é que gostamos sempre desse.

 

FOTO: Miguel Mestre