Thom Yorke, Marés de Sintetização

Thom Yorke, Marés de Sintetização

2019-07-13, Passeio Marítimo de Algés, NOS Alive
António Maurício
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Afastando-se parcialmente do legado que o caracteriza enquanto membro dos Radiohead, Thom Yorke comunicou através de ondas electrónicas melancólicas e dançantes.

É muito difícil dissociar Thom Yorke dos Radiohead, mas o artista vai conseguindo navegar na sua própria onda com os trabalhos a solo. O seu trabalho foge progressivamente ao rock e no Palco Sagres do NOS Alive o género predominante foi essencialmente o electrónico. Entre marés de sintetização, projectou grande parte do seu novo trabalho, “ANIMA”.

Com um amplo ecrã de fundo, a cobrir praticamente todo o background do palco, assistimos a um espectáculo visual bem produzido, repleto de cores fortes, transições rápidas e formatos minimalistas. O ambiente electrónico mais calmo de “Impossible Knots”, produzido por sintetizadores e percussão digital deu o pontapé de saída ao concerto, que encontraria formatos mais dançantes e agitados em breve.

A voz de Thom deslizava calmamente entre os instrumentais, com uma projecção perfeitamente controlada que proferia melancolicamente as letras. Na segunda faixa, entra um novo elemento a bordo, o baixo. O instrumento de graves verificou-se essencial para toda a performance, marcando presença e destacando-se como principal elemento de groove, especialmente em “Black Swan”, onde cortou entre as várias camadas contemplativas de sintetização com uma sonoridade mais mexida.

E se o espectáculo de Thom é equilibrado entre os momentos pacíficos de, por exemplo, “Has Ended” , onde o corpo se mexe minimamente, até momentos onde o pé bate mais rapidamente, como em “Not the News” ou em “(Ladies & Gentlemen, Thank You for Coming)” onde encontramos uma combinação dos dois estilos. A batida electrónica assumidamente dançante encontra um vocalista céptico e sombrio, que lamenta a sua visão niilista. Excelentemente executada, no sentido instrumental, vocal e de performance física, com Yorke a contorcer-se entre movimentos – foi o momento mais alto do concerto.

Toda a percussão foi executada digitalmente, os sons variavam imenso de faixa em faixa (um dos grandes benefícios do digital) além de ser possível utilizar técnicas exclusivas com o “reverse”. A arma principal foram os diferentes sintetizadores, que criaram todas as bases para os mais variados ambientes electrónicos. Entre dança e tranquilidade, o mais improvável é não ficarmos (pelo menos) intrigados.

SETLIST

  • Impossible Knots
    Black Swan
    Harrowdown Hill
    The Clock
    (Ladies & Gentlemen, Thank You for Coming)
    Has Ended
    Amok
    Not the News
    Truth Ray
    Traffic
    Twist
  • Dawn Chorus
    Atoms for Peace