Um Anjo Chamado Mallu Magalhães

Um Anjo Chamado Mallu Magalhães

2018-07-14, Passeio Marítimo de Algés, NOS Alive
António Maurício
Thiago Batista
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Acompanhada por um ambicioso revestimento instrumental, a jovem brasileira projectou a sua voz angelical com total naturalidade.

A entrada de Mallu Magalhães no palco Sagres foi feita com uma simplicidade apaixonante. Vestida com uma indumentária completamente branca, a cantora brasileira, já reconhecida em Portugal pelo seu trabalho na Banda do Mar (em conjunto com Fred Ferreira e Marcelo Camelo), assumiu e justificou o destaque central no palco com uma voz angelical.

Somando um total de oito elementos em palco, distribuídos entre bateria, guitarras, baixo, saxofones, flautas, sintetizador e bongos, a vasta camada instrumental não ofuscou a protagonista. O som quente, com toques claramente brasileiros (principalmente fornecido pela percussão), manteve-se complexo, mas deixou em todas as ocasiões o espaço perfeito para a entrada lírica. Mesmo quando a intensidade instrumental ganha vivacidade, a voz de Mallu adapta-se em conformidade e com naturalidade.

Em “Velha e Louca”, as pausas instrumentais formaram uma rampa de destaque ainda maior para o refrão. Em “Sambinha Bom”, a camada musical minimalista desenvolve a balada perfeita e em “Olha Só Moreno” recebemos uma versão unplugged, constituída unicamente pela guitarra acústica nos braços da jovem brasileira. A entrada da guitarra acústica foi acontecendo fortuitamente pela própria e nunca desequilibrou a concentração vocal.

A presença em palco exibe uma descontracção natural, sinónimo de um talento genuíno e um à vontade trabalhado que projecta as notas mas difíceis sem esforço aparente.

As velocidades intercalaram-se durante a performance, com momentos mais clássicos de bossa-nova, música popular brasileira e a contemporaneidade indie. Mallu dançava principalmente com os braços e os pés, nada de brusco, mas o suficiente para também nos motivar a mexer o corpo entre as mensagens de positividade e esperança.

A enorme variedade de instrumentos em palco poderia ter sido um problema, mas formou a base fundamental para todas as músicas. A única dúvida que pairou do início ao fim: como é que esta rapariga faz tudo parecer tão fácil?