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Utopium

Vicious Consolation | Virtuous Totality

Raging Planet, 2013-05-01

Ines barrau

Como é que este trabalho pode ser descrito? Pesado, muito pesado! O disco, para dar-lhe uma imagem, é equivalente a um soco de Rocky Balboa no épico combate contra Apollo Greed na produção de 1979, “Rocky II”. Um trabalho inarticulado, atenuante e doloroso, mas que contém um envolvente poder e uma brutalidade que merece forte admiração.

Sem deixar de fora os esperados riffs frenéticos e ritmos apocalípticos do grind, os UTOPIUM, quinteto lisboeta, conseguem ainda acrescentar na sua sonoridade, e de uma forma vigorosa, componentes híbridos, que vão beber a diferentes fontes do crust e do sludge. Isto torna as suas composições mais interessantes e ao mesmo tempo mais profundas na sua simplicidade.

A edição partilhada pela Bleak Recordings, casa dos PROCESS OF GUILT, em parceria com Raging Planet, que já é uma referência no underground nacional, apresenta 18 temas de perna curta, que te pontapeiam nas partes baixas de forma ruidosa e certeira e que te deixam a fervilhar de raiva e ferocidade. Isso percebe-se logo no exórdio “Null Rousting”, que abre as portas à verba com sombrios fragmentos sonoros do filme “The Jacket”, dirigido por John Maybury, no ano de 2005. Este facto, acompanhado pela  leitura visual do artwork que compõe o encarte, dá-nos logo uma ideia do que se pode adivinhar –  uma obra que pode muito bem servir de referência para a música extrema em Portugal.

É verdade que certas sonoridades são difíceis de explicar, mas este “Vicious Consolation/Virtuous Totality” revela-se uma agradável escuta. Fora do comum e dentro do comum, para quem já tem os ouvidos treinados para o efeito hipnótico provocado pelo som dos UTOPIUM. Venham mais!