Vicious Five: os vícios fazem mal, mas sabem bem

Vicious Five: os vícios fazem mal, mas sabem bem

2014-07-11, Passeio Marítimo de Algés, Lisboa
Nero
8
  • 9
  • 8
  • 7
  • 7
  • 9

Poderão ser efeitos de nostalgia, mas os Vicious Five deram um concertão do caracinhas. Se houve rock n’ roll no palco principal do NOS Alive, os portugueses foram os culpados.

A entrada a rasgar com “Guillotine”, “Suicide Club” e “On A Bus To Nowhere” faria qualquer um esquecer-se de respirar, mas os Vicious Five lembraram que era tempo disso, a seguir a “Don’t Forget To Breathe”, com “Young Divorce” (recentemente editada na cura Optimus Discos, agora NOS Discos), que abranda um pouco a velocidade arrasadora do concerto.

A banda regressa rapidamente ao seu cânone e aos tempos em que Albergaria, em vez de uma poderosa barba, usava bigode à Chico Fininho, lembram-se de “Damn Right”? De “Hystereo” e “Coffee Helps” é mais fácil lembrar, que castanhadas bastardas do hardcore. A carburação da banda está a funcionar em pleno, e as nuances dinâmicas tornam-se mais suaves. O rock n’ roll está finalmente (e pela única vez nesta edição) em estado puro no palco principal do Alive. E se Albergaria anunciou o concerto como «o funeral dos Vicious Five», então estava-se diante de um groove zombieficado que podia rivalizar com “Thriller”.

Com fúria e precisão, electricidade e balanço, a banda esteve afinada como um motor de alta potência, com destaque para o baterista Paulo  Segadães.

Grande concerto dos Vicious Five, quiçá tomam-lhe, de novo, o gosto. Afinal, seguindo a exortação final, «vocês são a Electric Youth”, uma juventude assim precisará de guitarras eléctricas, de pintarolice e vícios. Os vícios fazem mal, mas sabem muito bem.

SETLIST

  • Guillotine
    Suicide Club
    On a Bus to Nowhere
    Don’t Forget to Breathe
    Young Divorce
    Damn’ Right
    Hystereo
    Coffee Helps
    Fallacies
    Vulgar Voice
    Lisbon Calling
    Daggers
    Electric Chants
    Bad Mirror
    Electric Youth