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We Are The Damned

Holy Beast

Raging Planet, 2011-04-21

Nero

Gente danada faz som danado. Directo ao assunto, “Holy Beast”, que está próximo de completar dois anos desde a sua edição, é mais sólido, mais demolidor e mais limado que o primeiro trabalho da banda. Isso é um reflexo do crescimento dos músicos, da própria banda e da rodagem ao vivo e em estúdio que esta foi tendo – a intermediar os dois álbuns há as sessões de covers a clássicos do submundo da guitarra eléctrica.

A filosofia da banda é simples, assenta numa devoção, que sonoramente roça o fonatismo, dos pilares que suportam os altares das frequências de Metal Gods como Bathory, Entombed ou Napalm Death. Com o desenrolar dos anos a cristalização do grind foi provocando a queda do género, para uma série de álbuns sem dinâmica, reduzidos a linhas desinteressantes de compressão numa busca inócua por agressividade e peso centrada em afinações baixas e pickups com mais ataque. “Holy Beast” é um exemplo perfeito da ressurreição que o género tem sofrido nos anos mais recentes, muito através duma atitude mais punk, mais roqueira.

As subtilezas no balanço (quer sonoras quer melódicas) que detalham momentos do disco não eliminam a sensação de que a supressão de espaço dinâmico continua presente na grande parte do som, mas isso não acontece de uma forma estéril, antes a servir a atitude na execução que catapulta os temas para um nível de intensidade sufocante. Em “Holy Beast” o ouvinte é subjugado à força arrasadora do Grande Bode sem nunca ter tréguas. Esta é uma forma de rock n’ roll que serviu sempre apenas para os amantes do género que possuem “cojones”.