Weezer, “A” Banda de Covers

Weezer, “A” Banda de Covers

2019-07-11, NOS Alive 2019
António Maurício
Inês Barrau
7
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Covers, sucessos de outros tempos e dificuldades técnicas no NOS Alive. Estes meninos têm uma imagem a manter.

Os Weezer são frequentemente catalogados como, “A” banda de Covers. De facto, fazem bastantes covers, mas ignorar todo o trabalho original que já criaram ao longo dos anos é algo injusto. Foram formados em 1992, mas mantêm o mesmo espírito desde então: rock descomplicado, divertido e alegre.

Em palco são descontraídos e parecem divertirem-se tanto como os fãs. Aliás, o estilo descontraído, nunca se levando muito a sério, foi provavelmente a razão principal para serem levados a sério. Por exemplo, “Pork and Beans”, surgiu depois da editora pedir composições mais comerciais e apesar de ser uma resposta em sátira, ridicularizando o pedido, foi um enorme sucesso (plano genial ou sorte?). Ao vivo, foi talvez a a faixa com maior resposta do público e a sua performance, dez anos depois do seu lançamento, continua a ser executada com uma energia positiva de indiferença e pujança juvenil de quem quer lutar com o sistema.

De facto, fazem bastantes covers, mas ignorar todo o trabalho original que já criaram ao longo dos anos é algo injusto.

Em termos técnicos, os instrumentais de Weezer não são nada de outro mundo mas, foi norma, brincar ligeiramente com a composição no final de cada música. Pequenos detalhes para apimentar o som ao vivo, como por exemplo, “The Sweater Song”. A distinção de membro mais ocupado foi atribuída a Brian Bell, responsável pelos sons da guitarra rítmica e do sintetizador, saltando entre um e outro entre faixas. O homem do dia. Se nos focarmos inteiramente na voz principal de Rivers Cuomo, mesmo não sendo um cantor nato, a sua personalidade nerd, meio acanhado-meio-alternativo, oferece-lhe o carisma necessário para complementar a tarefa de frontman e conseguimos perceber o charme. Combina com a energia descontraída reflectida pela banda.

Entrando no caminho das covers, “Happy Together”, dos The Turtles, foi a primeira descarga de karaoke. Utilizamos a palavra karaoke porque o público, principalmente os estrangeiros, deslumbravam-se e cantavam em conjunto. O som foi abaixo em duas covers. Na “Take On Me”, dos A-HA, e na “Africa” dos Toto. A primeira até caiu em boas graças, porque a banda não parou de tocar e quando a energia voltou (todos os instrumentos ficaram silenciados) entrou com precisão no tempo. No entanto, a segunda já não possuiu o mesmo impacto e foi simplesmente desagradável.

No final das contas, é impossível não passar um bom bocado com os Weezer. Nem que seja só um bocadinho. Em “Island in the Sun” mostraram-se mais autoritários, mais pesados e com riffs bem mais carregados, variando um pouco o estilo. Talvez a melhor performance do set, mas a que obteve a menor resposta do público. Ali, quem os via ao vivo, parecia que ia, apenas, pelas covers – faz todo o sentido que o desejo seja concretizado – mas as falhas técnicas e o som meio embrulhado impediram a alta-qualidade.

SETLIST

  • My Name Is Jonas
    Beverly Hills
    Pork and Beans
    Happy Together (The Turtles cover)
    Undone – The Sweater Song
    Take On Me (a‐ha cover)
    Feels Like Summer
    Island in the Sun
    Africa (Toto cover)
    Say It Ain’t So
    Buddy Holly