Esta dicotomia ou balanço de personalidades foi a atracção principal na performance dos Wolf Alice no NOS Alive.
Ellie Rowsell é a rapariga no comando. Sempre localizada no centro do palco, deixa os saltos e as solicitações de barulho e palmas para o baixista, Theo Ellis, rapidamente identificado como o agitado em palco. O início foi disparado com urgência, numa rápida sucessão cancioneira com “Your Loves Whore”, “Yuk Foo” e “You’re a Germ”. Temas estes carregados de breaks instrumentais que encontravam na curta pausa a motivação para voltar com ainda mais força e pujança (o lado Wolf). Zero pausas e três transições fluídas. Sem espinhas.
A mistura de som, no entanto, pareceu desequilibrada neste início. Era difícil individualizar sonicamente um dos instrumentos e existiram vários picos de nível. Recebemos pela primeira vez o lado sossegado (o lado Alice) na performance de “Lisbon”. Velocidade reduzida nos bpm e um instrumental mais despido de efeitos nas guitarras, onde a voz de Ellie contrastou a performance que anteriormente entregou. A agressividade anterior foi trocada por uma voz de indie rock, calma e suave.
Esta dicotomia ou balanço de personalidades foi a atracção principal na performance dos Wolf Alice. Com uma setlist dividida entre o mais recente trabalho, “Visions of a Life” e “My Love is Cool” de 2017 (e uma faixa do EP “Creature Songs”- “Moaning Lisa Smile”), não arriscaram dentro do estilo. A dualidade entre o lado agressivo e suave cria uma boa dinâmica, mas singularmente, nenhum dos lados apresentou criatividade suficiente para agarrar a atenção ao máximo dos que ainda não estão inseridos na alcateia.