Wookid merece um Óscar

Wookid merece um Óscar

2014-07-18, Herdade do Cabeço da Flauta, Meco
Nero
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Será difícil descrever o poder do concerto de Woodkid. Cinematográfico, conceptual e épico, foi crescendo em intensidade até à apoteose final.

Sem pretender abusar do cliché que será referir Yoann Lemoine como cineasta, a verdade é que o Woodkid realizou um concerto digno de Óscares. É a meio da actuação que começamos a perceber que a noção inicial, de que a beleza dos arranjos ganhava primazia em relação à dinâmica, está errada e que, mais que num concerto estávamos numa experiência de gratificação emocional. Um concerto que eleva aquilo que está em disco para um patamar superior e poderoso.

O aumento de intensidade das percussões, o crescente volume dos sopros e igual sensação nos aranjos orquestrais da sintetização, começam a tornar-se óbvios em “Ghost Ligts”. A reflexão dual da natureza humana é projectada claramente a partir de “Stabat Mater”, as forças prímevas e pulsionais em contraponto com a ânsia de transcendência, são sonorizadas pelas batidas tribais e pelas harmonias etéreas que circulam o registo quase narrativa de Lemoine. É cinestésico o concerto. E torna-se arrasador quando se ouve “Volcano”, tema novo.

Há ecos das composições de Miklós Rózsa ou Ennio Morricone nos arranjos de Wookid, e há qualquer coisa dos crescendos que reputaram os Swans enquanto o concerto se aproxima para o final. É já perto do fim, como num filme, que o público se apercebe que esteve a ser preparado para reconhecer a obra,”Iron” é como o momento final de um herói ficcional, seguido por “The Great Escape”, e “Run Boy” acaba de forma apoteótica um concerto soberbo e inesquecível.

Foto: Pedro Mendonça

SETLIST

  • Baltimore’s Fireflies
  • Childhood / The Golden Age
  • Evolution / Ghost Lights
  • I Love You
  • Technology /Stabat Mater
  • Conquest Of Spaces
  • Volcano
  • Iron
  • The Great Escape
  • Run Boy Run