YES @ Coliseu dos Recreios [03.11.11]

Nero

Quando a banda pérpetua (os Yes serão das bandas com mais retoques de line-up na história do rock) entrou no palco do Coliseu com uma fusão da abertura do último álbum com o som do clássico “Yours Is No Disgrace” ainda as bancadas se iam compondo, felizmente o ar desolador que chegaram a ter transformou-se numa casa bem composta, o público disse “Yes”.

A banda, actualmente com Benoît David nas vozes, Geoff Downes nas teclas, o mágico Steve Howe na guitarra, Alan White na bateria e o eterno Chris Squire (o único elemento que esteve presente em todas as encarnações dos deuses do prog) no baixo, alternou momentos de grande intensidade com momentos menos conseguidos. Então se “Yours Is No Disgrace” fugiu mesmo um pouco aos veteranos e principalmente teve em falta o poder de som que brota da versão em álbum levantam-se algumas dúvidas sobre se ainda conseguem soar. Contudo, logo seguida, em “Tempus Fugit” ouviu-se a banda a dizer um claro “Yes”.

Mas essa afirmação foi algumas vezes posta em causa, essencialmente por Alan White, que além está… bom, velho (com todo o respeito) e não tem estofo físico para aguentar temas de 10 e mais minutos e para o fazer simplifica em demasia. Depois Steve Howe é uma guitarrista extraordinário (e como brilhou com uma acústica, para os mais desatentos, aquele riff flamenco de “Innuendo” é dele, não de Brian May), mas não surge já com a fúria que tinha nos anos 70 e os teclados não bastam para sujar e dar dimensão e peso ao som. Por falar em sujidade e peso destaca-se Chris Squire – espantoso o seu uso dum Moog Taurus, a dimensão que dava ao som quando o disparava, um tamanho colossal!

Não quer tudo isto dizer que a banda tenha dado um mau concerto, apenas que é necessário entender e pesar várias condicionantes para o avaliar. E depois um primeiro concerto duma tour é sempre igual para todas as bandas, com muitos detalhes para acertar, algumas passagens “emperradas” e mesmo detalhes técnicos a serem ensaiados.

O público pareceu não estar familiarizado com o novo disco, e reagiu naturalmente ao erro de setlist que a banda insiste em manter, “Owner Of A Lonely Heart”, e onde se notam claramente todas as diferenças de personalidade musical entre Steve Howe e Trevor Rabin.

Houve grandes momentos como “Machine Messiah”, “Starship Trooper” e, claro, “Heart Of Sunrise”. Mas a verdade é que faltou sempre um pouco de “edge” ao som, alguma intensidade, foi demasiado polido – se ouvirem os álbuns da era dourada da banda penso que entendem o que pretendo dizer. Contudo, e ainda que sejam uns senhores de idade avançada tocaram cerca de duas horas e meia e isso não é para meninos.