Quantcast
O Fanatismo dos ZOM

O Fanatismo dos ZOM

2015-05-01, SWR, Barroselas
Nero
8
  • 8
  • 6
  • 9
  • 7

Uma parede de som estridente, confusa e desagradável, tornou a actuação do trio em algo mais próximo de uma “experiência” que de um concerto. No final, não foram assim tantas as bandas a quem o público pediu “mais uma”, como fez com os irlandeses.

Os irlandeses, choquem-se os prosélitos do black metal clássico, foram o único vulto de índole suficientemente sacrílega para merecer as honrarias dessa catalogação, de todas as bandas do género que estiveram no festival. Não basta escrever sobre o Cornudo, é preciso soar como ele. De facto, o baixista e guitarrista parecem tocar com pregos sobre as cordas, em vez de palhetas, e vomitar correntes de motosserra. Enquanto o baterista pareceu usar facas em vez de baquetas, além de uma precisão destruidora no pedal duplo.

Um quadro com um estranho groove, desordenado, em vez de trancado, rude, em vez de pesado.

Uma execução tão infernal quanto gélida tornou a mistura sonora mais aguda e “mais na frente”, sendo um réplica quase perfeita do caos sonoro registado nos trabalhos dos ZOM. A sujidade das cordas completou um quadro com um estranho groove, desordenado, em vez de trancado, rude, em vez de pesado. Foi como uma viagem à era clássica das produções de black metal. Acrescentada por samples digitais a criar uma atmosfera densa e assassina. Entre as associações que emergem a Darkthrone, Mayhem ou… Dismember, sobrou pouco espaço para originalidade, mas a força da banda foi o fanatismo demente com que destruiu os ouvidos a quem esteve em frente ao palco.