8.5

ZZ Top

Texicali

American Recordings, 2012-06-05

Nero

Três “gajos” valem por mil DJ’s? Os ZZ Top acreditam piamente que sim e fazem questão de mostrar argumentos de força nesse credo.

O “estalo” de som destes quatro temas faz salivar por “La Futura”, que irá ser editado em Setembro próximo, ao mesmo tempo que levanta uma vez mais a questão de porque raio Rick Rubin apenas não consegue fazer “soar” os Metallica. Uma das respostas a essa questão poderá estar encerrada no super groove de Frank Beard, Dusty Hill e Billy Gibbons e consequentemente que esse super groove é resultado duma fé inabalável num estilo de vida e sonoridade. Chamem-lhes conservadores, mas a verdade é que mais vale ter uma sonoridade a ressoar, que uma fusão vanguardista a destoar.

Caramba, o som de guitarra de Gibbons faz lamentar não existir uma tradução fiel na nossa língua para o termo inglês meltdown! Felizmente, um tema como “I Gotsta Get Paid” é perfeitamente auto-ilustrativo. Que overdrive! Parece que as Gibson estão realmente a derreter aquele Marshall baseado num Super Lead de 1968. Em confronto com o tradicionalismo surgem as extravagantes, mas sempre trancadas, estruturas de bateria, com contratempos que em vez de quebrar, alimentam o swing to tema.

Esteticamente há tanto a dizer sobre este EP e o álbum que antecipa como haveria a dizer sobre um lançamento de AC/DC, ou seja, same old same old. A novidade está mesmo no tamanho do som, ao qual Rubin deu a densidade que havia conseguido com os American Recordings de Cash. Um tema como “Consumption” apresenta aqueles solos sujos de Gibbons, carregados com Tone Bender e Treble Booster, algo que neste trabalho parece solidificado por um detalhe – os 4 temas apresentados aqui em “Texicali” parecem possuir um decréscimo de bpm’s, que é mesmo assumido na Tom Waitsiana “Over You”.

A única coisa pouco rocker neste EP é ter-se restringido a sua edição a plataformas digitais. Nunca mais é Setembro!