Numa viagem sonora à transição do milénio, os californianos P.O.D. e Hoobastank trouxeram-nos dois regressos há muito aguardados. Entre a comunhão do nu metal dos primeiros e a nostalgia do rock alternativo dos segundos, estes foram dois concertos que arrastaram um público que não se deixou condicionar pela supremacia dos cabeça de cartaz.
P.O.D.
Nome cimeiro da segunda divisão do nu metal, os P.O.D. explodiram na cena no princípio dos anos 2000s com a sua fusão de metal, rap e reggae alicerçada em letras de cariz cristão. Para cima do palco, a banda de San Diego continua a trazer toda a alma e energia latina que os caracteriza, transformando cada concerto numa catarse coletiva. No ano em que se assinalam os 25 anos do clássico “Satellite” (2001), a banda trouxe ao Rock in Rio Lisboa um concerto fugaz, mas intenso, que reuniu no Palco Music Valley várias gerações de fãs.
“Boom”, logo a abrir, provocou a primeira explosão de corpos aos encontrões e de gargantas bem afinadas a entoar a onomatopeia que dá o título à malha. O vocalista e líder do grupo, Sonny Sandoval, como bom mestre de cerimónias que é, não precisou de muito tempo para sentir o pulso ao público. Com os dois pés bem assentes nas grades, encarou os fãs e passou o microfone pela boca de todos aqueles que debitavam cada letra.


Caloroso no trato, ou não fosse ele latino, Sandoval ainda arriscou algumas palavras com o público em castelhano, mas rapidamente passou para o inglês. «Estamos tão contentes por estar aqui. Vimos de longe para estar aqui convosco», disse o vocalista já em jeito de agradecimento para com tamanha receção no Palco Music Valley. Entre passagens pelo catálogo mais antigo com “Rock the Party (Off the Hook)” e “Murdered Love”, houve ainda espaço para ouvir as colaborações com Randy Blythe dos Lamb of God e Tatiana Shmayluk dos Jinjer ,do último álbum “Veritas” (2024), na forma de “Drop” e “Afraid to Die”. Mas, a grande surpresa do concerto surgiu com uma das melhores covers que já ouvimos. «Quantos fãs dos The Beatles temos por aqui?», perguntou Sandoval. Foi então na sua já tradicional fusão de nu metal e reggae, que a banda partiu para uma inspirada versão de “Don’t Let Me Down”, imediatamente reconhecida por todos os presentes.
O vocalista e líder do grupo, Sonny Sandoval, como bom mestre de cerimónias que é, não precisou de muito tempo para sentir o pulso ao público. Com os dois pés bem assentes nas grades, encarou os fãs e passou o microfone pela boca de todos aqueles que debitavam cada letra.
A boa disposição e o bom ambiente revelaram-se uma constante ao longo de todo o concerto com intervenções que foram desde o simples agradecimento aos cânticos: «Olé, Olé, Olé P.O.D.!» incentivados por Sandoval. Ainda assim, e como era de esperar, foram as passagens pelo clássico “Satellite” que arrancaram uma participação mais efusiva e sentida por parte dos fãs. Tanto a faixa título, como “Youth of the Nation” e “Alive”, esta última já a fechar, mostraram que os P.O.D. não ficaram esquecidos no tempo. É certo que não são tão grandes como uns Korn, Limp Bizkit ou System of a Down, mas têm, com todo o mérito, o seu lugar marcado na história do nu metal. Voltem rápido!
Hoobastank
Diretamente de Agoura Hills, California, a mesma cidade que viu nascer os Linkin Park, os Hoobastank rapidamente assumiram-se como um dos nomes mais fortes da cena do rock alternativo/post-grunge. Injustamente catalogada de one hit wonder pelo sucesso que foi a balada “The Reason”, a banda liderada por Doug Robb sempre mostrou mestria na composição de temas com algum peso, mas com uma sensibilidade melódica bem apurada.
A tocar à mesma hora que os Sepultura, algo que não parece ter feito mossa visto que são duas bandas que se movem em estilos completamente diferentes, os Hoosbastank subiram ao Palco Super Rock sedentos para compensar o público português pela sua ausência do nossos palcos nos últimos 15 anos. À sua espera estava uma moldura humana pronta a reviver clássicos que marcaram a adolescência de todos aqueles que cresceram na primeira metade dos anos 2000s. Para tal, a banda trouxe uma setlist em formato best of e ainda um cheirinho daquilo que o futuro reserva para a banda.
Com um som bastante equilibrado e sem qualquer tipo de artifícios ao nível da produção de palco, a banda atirou-se de imediato a “Just One”, deixando claro duas coisas: a primeira é que os riffs que Dan Estrin compôs há mais de 20 anos atrás continuam bem afiados e dinâmicos e a segunda é que Doug Robb conseguiu preservar a sua voz num estado quase imaculado, algo que por exemplo o seu contemporâneo Brandon Boyd já não se pode gabar.
Com um som bastante equilibrado e sem qualquer tipo de artifícios ao nível da produção de palco, a banda atirou-se de imediato a “Just One”, deixando claro duas coisas: a primeira é que os riffs que Dan Estrin compôs há mais de 20 anos atrás continuam bem afiados e dinâmicos e a segunda é que Doug Robb conseguiu preservar a sua voz num estado quase imaculado, algo que por exemplo o seu contemporâneo Brandon Boyd já não se pode gabar.

Para o Rock in Rio Lisboa os Hoosbastank trouxeram o melhor concerto que o “fã” apenas conhecedor de “The Reason” poderia assistir. Temas como “Remember Me”, “Same Direction” e “Out of Control”, esta última acompanhada por um espetáculo de fogo de artifício proveniente do Palco Mundo, mostraram a veia explosiva que a banda tem no seu repertório e que no contexto ao vivo imprime uma dinâmica magnetizante a quem está experienciar o concerto.
«Quero colocar estes óculos que têm uma câmara e quero ver toda a gente a saltar», disse Doug antes de “No Destination”. Não sabemos se os óculos tinham efetivamente uma câmara, mas o pedido foi aceite por todos. Já antes de “Running Away”, o vocalista tirou um momento para demonstrar que a vida na estrada nem sempre é um mar de rosas. «Estou tão grato por estar aqui. Mas, para estar aqui hoje tive que faltar ao jogo de basebol do meu filho, que tem apenas 12 anos. Podemos enviar um cântico de apoio à equipa dele?», pediu Doug ao público que prontamente começou a entoar «Vamos Venom!», seguido de palmas a compasso.
Com fãs e banda totalmente em sintonia houve ainda espaço para apresentar “How Do You Sleep?”, o primeiro single da banda em oito anos. Uma malha bem rasgada e que se afasta do material mais experimental do álbum “Push Pull” (2018), curiosamente deixado de fora deste concerto.
“This Is Gonna Hurt”, “Inside of You” e ” Pieces” anteciparam o grande momento do concerto. «Se não sabem quem nós somos, estavam apenas de passagem e acabaram por ficar, esta é a música que vocês certamente conhecem,» disse Doug antes de “The Reason”. Esta é daquelas músicas que não é preciso pedir ao público para cantar, pois o coro acaba sempre por formar-se de forma orgânica. E assim foi, num do mais belos singalongs do dia, os Hoobastank atingiram o climax da sua performance. Com o público ainda em êxtase a banda partiu para a derradeira malha da noite, “Crawling in the Dark”.
As despedidas tiveram que ser feitas de forma apressada, pois os cabeça de cartaz estavam prestes a entrar no Palco Mundo. Não obstante, ficou a sensação de que a receção aos Hoobastank foi um dos momentos altos deste segundo dia de Rock in Rio Lisboa 2026.