Dois concertos, duas formas de explosão, um mesmo palco. O Palco Super Bock voltou a ser um dos centros nevrálgicos do Rock in Rio Lisboa, onde a intensidade tomou conta da Cidade do Rock através de duas atuações que meteram o acelerador a fundo.
Entre a celebração ritual dos Blasted Mechanism e o caos controlado dos Kaiser Chiefs, o segundo dia do Rock in Rio Lisboa, no Palco Super Bock, ficou marcado por dois momentos de entrega total ao público e ao próprio espetáculo, num registo em que a fronteira entre palco e plateia praticamente desapareceu.
Os Blasted Mechanism não falharam mais uma vez na sua missão. Transformaram o Rock in Rio Lisboa numa verdadeira celebração tribal sonora, naquele que foi um dos concertos mais intensos e bem conseguidos desta edição do festival. Entre batidas eletrónicas, percussões hipnóticas e sonoridades tribais que há décadas definem a identidade única da banda, o espetáculo revelou-se uma viagem coletiva onde música, performance e comunhão se fundiram num só momento.
Desde os primeiros acordes, o público respondeu em uníssono, criando uma atmosfera de proximidade rara entre banda e fãs. A energia vinda do palco propagava-se pelo recinto como um ritual moderno, onde cada tema parecia reforçar o sentimento de pertença à tribo Blasted. Mais do que um concerto, foi uma experiência imersiva, marcada pela entrega total dos músicos e pela união perfeita criada com milhares de pessoas. Os temas mais recentes encaixaram naturalmente no alinhamento, provando que o material mais recente da banda tem já lugar garantido ao lado dos grandes clássicos e funciona na perfeição em contexto de festival. Longe de se limitarem a um alinhamento de “best of”, sendo donos de tantas canções que cabiam neste formato, os temas mais recentes, como “Come with Us” e “New Militia”, integraram-se de forma natural no concerto, trazendo a sonoridade mais contemporânea sem quebrar a identidade da banda.
Um dos momentos mais simbólicos da atuação surgiu quando os elementos da banda “abençoaram” o público com tinta, num gesto quase cerimonial que reforçou a ideia de união e partilha entre artistas e espectadores. O recinto transformou-se então num espaço de celebração, onde a música assumiu o papel de linguagem universal.
Com uma componente visual impactante, sonoridades densas e uma resposta efusiva do público do início ao fim, os Blasted Mechanism confirmaram, uma vez mais, o estatuto de banda de culto da música portuguesa, protagonizando um dos concertos mais memoráveis e bem recebidos do Palco Super Bock.
Fotos (c) Paulo Miranda
Portugal voltou a receber os frenéticos Kaiser Chiefs, que protagonizaram um dos concertos mais imprevisíveis do festival. Não fosse a presença de um vocalista como Ricky Wilson. Se existia algum protocolo de atuação em palco, Wilson tratou rapidamente de o destruir, entregando-se a uma performance explosiva, marcada por uma energia quase inesgotável.
O vocalista percorreu o palco numa autêntica demonstração de adrenalina, com movimentos dignos de um espetáculo de parkour, culminando numa surpreendente investida até à régie, num momento que levou o público ao delírio. A idade não o impede de continuar a trepar estruturas! A intensidade física e a constante proximidade com os fãs transformaram o concerto numa verdadeira celebração de indie rock sem filtros.
Do outro lado, o público respondeu à altura, frenético, vibrante e completamente rendido ao carisma da banda britânica, mas sempre de forma ordeira. Entre refrões cantados em uníssono e uma energia contagiante que se espalhou por toda a Cidade do Rock, os Kaiser Chiefs provaram porque continuam a ser uma das bandas mais eletrizantes em palco.
Fotos (c) Paulo Miranda