Rock in Rio Lisboa 2026 | Rod Stewart, A Longevidade do Eterno Galã do Rock
(c) Paulo Miranda

Rock in Rio Lisboa 2026 | Rod Stewart, A Longevidade do Eterno Galã do Rock

02/07/2026

Review

Rod Stewart
9/10
Banda
8/10
Som
8/10
Ambiente
7/10
Overall
8.0/10
Infatuation
Having a Party (Sam Cooke Cover)
It's a Heartache (Bonnie Tyler Cover)
Tonight I'm Yours (Don't Hurt Me)
It Takes Two (Kim Weston Cover)
Forever Young
The First Cut Is the Deepest (Cat Stevens Cover)
I Don't Want to Talk About It (Crazy Horse Cover)
Hot Legs
Maggie May
I'd Rather Go Blind (Etta James Cover)
Young Turks
Rhythm of My Heart (Marc Jordan Cover)
Jolene (Dolly Parton Cover)
People Get Ready (The Impressions Cover)
Have I Told You Lately (Van Morrison Cover)
Proud Mary (Creedence Clearwater Revival Cover)
Baby Jane
Do Ya Think I'm Sexy
Sailing (The Sutherland Brothers Band Cover)
Love Train (The O’Jays Cover)

Após um susto que poderia ter abalado o cartaz do terceiro dia de Rock in Rio Lisboa 2026, Rod Stewart acabou mesmo por apresentar-se no Palco Mundo para um concerto repleto de charme e energia.

Quando no dia 19 de Junho, Sir Rod Stewart teve de interromper o concerto em Utah, nos Estados Unidos da América, após se ter sentido mal, tendo posteriormente necessitado de receber oxigénio para concluir a performance, rapidamente soaram os alarmes. Estaria o cantor apto para se apresentar no espaço de uma semana no Rock in Rio Lisboa? Quem anda nestas andanças há alguns anos sabe que nestas circunstâncias as organizações dos eventos têm sempre um plano b, e certamente que o Rock in Rio Lisboa já teria apalavrado uma possível atuação de outro artista caso o britânico não pudesse comparecer. Felizmente, tudo não passou de um susto e o cantor de 81 anos acabou mesmo por subir ao Palco Mundo pleno daquela energia que tão bem conhecemos.

Apesar do seu vasto repertório de material original, existe todo um conjunto de versões que Rod Stewart gravou ao longo das décadas e que já são parte integrante das suas setlists. No concerto do Rock in Rio Lisboa isso não foi exceção, com o músico britânico a optar por uma setlist composta na sua maioria por temas que não são da sua autoria. “Infatuation”, um dos temas da sua fase 80s e que conta com a participação do lendário Jeff Beck, abriu o concerto com um convite à dança. A voz rouca de Stewart ecoou imediatamente pelo Parque Tejo com marcas muito pouco visíveis das passagem do tempo. Verdade seja dita, os seis dias de intervalo entre o concerto que Rod deu na Califórnia, a 21 de Junho, e o do Rock in Rio Lisboa, a 27 de Junho, certamente  contribuíram para essa excelente forma vocal.

«Sábado à noite! Portugal vai ganhar a taça!», disse o cantor, fã incondicional de futebol, já em jeito de antevisão do jogo Portugal-Colômbia que o Rock in Rio Lisboa iria transmitir após o concerto. Em mais uma passagem pelo repertório original, “Forever Young” sonificou o estado de espírito de Stewart. Apesar deste ser um tema dedicado aos seus filhos, assenta que nem uma luva à figura jovial que o artista continua a trazer para cima do palco.

Nos tempos que correm é essencial saber criar uma ligação com os fãs no contexto da performance ao vivo e Rod Stewart vai ainda mais longe ao demonstrar uma condição mais humana e plena de valores que vai além da sua faceta de estrela.

Mas, Rod também sabe que o seu sucesso ao longo das décadas só se manteve devido a um constante apoio e acompanhamento por parte dos fãs. Momentos como os singalongs em “I Don’t Want to Talk About It”, “Maggie May” e “Young Turks” continuam não só a emocionar quem vê o espetáculo enquanto espetador, mas também quem participa nele como protagonista. Nos tempos que correm é essencial saber criar uma ligação com os fãs no contexto da performance ao vivo e Rod Stewart vai ainda mais longe ao demonstrar uma condição mais humana e plena de valores que vai além da sua faceta de estrela. Em “Rhythm of My Heart” não se limitou a interpretar o tema, antes disso tomou alguns momentos para mencionar o conflito político-bélico que continua a decorrer na Ucrânia, encerrando o seu discurso com uma sentida dedicatória ao povo ucraniano.

Com uma persona artística capaz de encher um palco por si só, por vezes acaba por ser ingrato para a talentosa banda que o acompanha na retaguarda. Porém, Rod Stweart não procura ofuscar ninguém, pelo contrário, até lhes dá bastante destaque sempre que o espetáculo exige algum descanso ou troca de roupa. Em “Jolene” e “Proud Mary” são as cantoras que compõem o coro que tomam as rédeas do espetáculo, já em momentos de algum protagonismo solístico Stewart não tem problemas nenhuns em dar um “empurrãozinho” aos seus músicos para que estes cheguem à frente do palco.

Em “People Get Ready”, mais um tema que remete para a sua parceria com Jeff Beck, voltámos a ouvir um coro de vozes capaz de gerar alguns frissons. Aqui já estávamos a entrar na reta final dos maiores clássicos com “Baby Jane” e “Do Ya Think I’m Sexy” a soltarem os corpos dançantes por uma última vez. Quando chegámos finalmente a “Sailing” tudo soou a despedida, contudo o “quebra corações” britânico ainda tinha “Love Train” na manga. Assim ficou encerrado mais um capítulo desta relação amorosa entre Rod Stewart e Portugal.

Mas, o que se segue para o eterno galã do rock? Com 81 anos, Rod Stewart já confirmou que não tem planos para a reforma. Para o futuro próximo já estão planeadas gravações de mais álbuns e outras tantas tours, numa agenda que promete estar preenchida até pelo menos 2028. É caso para dizer até ao seu regresso, Sir Rod Stewart!