Rock in Rio Lisboa 2026 | Um Concerto a Olhar Para o Futuro das 4 Non Blondes
(c) Inês Barrau

Rock in Rio Lisboa 2026 | Um Concerto a Olhar Para o Futuro das 4 Non Blondes

Review

Voz
9/10
Banda
8/10
Som
8/10
Ambiente
7/10
Overall
8.0/10
Train
Lilah
Drama Queen
Push & Shove
Nowhere
Strange Places
Wall Flower
Spaceman
Live Forever
Drop the Bomb
Don't Wanna
What's Up?

De regresso ao ativo mais de uma década após a primeira reunião, as 4 Non Blondes marcaram presença em Portugal para nos levarem numa viagem ao passado e ao futuro da banda. Além do grande êxito que todos queriam ouvir, este foi um concerto onde Linda Perry se sentiu em casa. 

Dizer que as 4 Non Blondes têm quase 40 anos de carreira é deveras uma falácia. Apesar da sua formação em 1989, a banda seguiu um trajeto irregular que foi interrompido após cinco anos no ativo. Com a sua génese em São Francisco, num período em que o rock disparava para múltiplas direções, as 4 Non Blondes foram posicionadas imediatamente de baixo desse grande guarda chuva musical dos anos 90 que é o rock alternativo. Auditivamente distantes de nomes como The Smashing Pumpkins, The Breeders ou The Cranberries, as 4 Non Blondes conseguiram, à semelhança de nomes como Sex Pistols, Lauryn Hill e Buena Vista Social Club, a proeza de ganhar o estatuto de culto devido ao lançamento de um único álbum de estúdio, neste caso o icónico “Bigger, Better, Faster, More!” (1992).

Perante um repertório tão limitado levantou-se em nós uma questão face à composição da setlist desta estreia num grande palco em Portugal. Poderia a banda da carismática Linda Perry estar a preparar a apresentação do álbum na íntegra em jeito de celebração desta reunião. A reposta acabaria por surgir logo após “Train”, o tema que sonoriza a capa de Bigger, Better, Faster, More!”, com “Lilah”, um dos muitos temas que Perry tem vindo a compor nos últimos anos e que ainda não viram a luz do estúdio de gravação. Daí até “Spaceman”, apenas o segundo tema editado do concerto, surgiram passagens por mais inéditos que farão parte de um segundo álbum de originais como é o caso de “Drama Queen”, “Push & Shove”, “Nowhere” ou “Strange Places”. As duas primeiras, assim como a última, seguem as pisadas das malhas mais uptempo com um ou outro piscar de olho à sonoridade grunge. Já “Nowhere” sobressaiu entre as demais com uma estética mais folk rock. Numa pesquisa por várias entrevistas recentes realizadas com Linda, a artista refere que não toca mais do que três músicas do primeiro álbum da banda porque já não representam a sua maneira de ser. Para Linda, só faz sentido tocar uma determinada música se a mensagem for sentida pelo intérprete.

Já “Nowhere” sobressaiu entre as demais com uma estética mais folk rock. Numa pesquisa por várias entrevistas recentes realizadas com Linda, a artista refere que não toca mais do que três músicas do primeiro álbum da banda porque já não representam a sua maneira de ser.

Ainda assim, verdade seja dita, é preciso ter coragem para uma banda se apresentar num festival como o Rock in Rio Lisboa com uma setlist composta maioritariamente por temas ainda não lançados, principalmente quando a maioria do público está à espera para ouvir uma única música. Mas, isso foi algo que não melindrou Linda Perry, assim como o resto da banda, aliás até lhe deu mais motivação para conquistar toda aquela moldura humana que se encontrava à sua frente. Munida da sua Fender Telecaster elemento fulcral de uma silhueta também composta por um chapéu capotain ao estilo da era puritana, a artista fez da sua postura e voz magnetizante o grande trunfo do concerto. «Que honra estar aqui num sitio tão bonito. Quem me dera ter mais tempo para estar aqui. O meu pai era de Portugal e a minha de São Paulo, Brasil, mas não sei falar português. Ainda assim consigo perceber um pouco», disse Perry para entusiasmo de todos aqueles que esperavam por uma “faísca” para sentir algum tipo de ligação para com a música que estava a ser tocada no Palco Mundo.

Seguiram-se mais temas inéditos como “Live Forever”, que trouxe um déjà vu sonoro com melodias reminiscentes do repertório antigo das 4 Non Blondes, “Drop the Bomb”, que invocou um coro a cappella repleto de vozes a entoar o lema «só tu podes mudar o mundo» e “Don’t Wanna”, que gerou a antecipação para o derradeiro tema do set. Já de telemóveis em riste, o público recebeu com grande entusiasmo os primeiros acordes de “What’s Up?” provenientes da Taylor de Linda. Ciente de que este seria o momento de maior calor humano, Perry convidou o seu filho a subir ao palco para cantar com o refrão da música com o público. Mas, ainda não saciada com a interação, Linda acabou mesmo por descer até junto dos fãs para cantar olhos nos olhos o refrão do tema. Já com a bandeira de Portugal nas mãos a artista regressou a palco para agradecer o carinho de todos e despedir-se por uma última vez. «Há tanta coisa para nos sentirmos frustrados. Obrigada por esta oportunidade», soltou Linda, emocionada, na sua última intervenção.

Não sabemos se vamos voltar a ver as 4 Non Blondes num concerto em Portugal, mas uma coisa é certa, este já ficou para a história do Rock in Rio Lisboa pela forma como Linda Perry conseguiu magnetizar a atenção de todos os presentes.