Nestes 52 anos da Revolução dos Cravos há memórias que ganham nova força e sentido. Uma delas é a de José Afonso, figura incontornável da música e da resistência ao fascismo, cuja voz ecoou como símbolo maior da revolução.
Como sugestão neste 25 de Abril de 2026 e para assinalar esta data, recuperamos o concerto “José Afonso e as Gerações de Abril”.
A origem deste espectáculo remete para a noite de 29 de março de 1974, no Coliseu dos Recreios, durante a entrega de prémios da Casa da Imprensa. Perante uma sala cheia e com a presença de militares que poucos dias depois protagonizariam a Revolução dos Cravos, o público levantou-se em uníssono para cantar “Grândola, Vila Morena”, a canção que viria a tornar-se uma das senhas do movimento militar. Esse momento ficou gravado como um dos últimos grandes gestos culturais antes do fim do regime.
Cinco décadas depois, a 29 de Março de 2024, esse episódio histórico foi recriado num concerto evocativo que voltou a ocupar o mesmo palco, reunindo diferentes gerações de músicos ligados ao legado de Zeca Afonso. Nomes como Vitorino Salomé, Manuel Freire e Francisco Fanhais, que conviveram de perto com o artista, juntaram-se a intérpretes de gerações seguintes, numa celebração que cruzou memória, homenagem e reinvenção.
Ao longo do espetáculo, as canções de intervenção ganharam novas leituras, mantendo viva a sua dimensão cívica e artística. Acompanhados por outros convidados e pela Banda Filarmónica da Sociedade Fraternidade Operária Grandolense, os artistas recriaram o espírito de união e resistência que marcou aquela noite de 1974.
Mais do que um concerto, “José Afonso e as Gerações de Abril” afirma-se como um testemunho da importância da música na construção da liberdade. Neste 25 de Abril, revisitar este momento é também uma forma de lembrar que «o povo é quem mais ordena», e que a cultura continua a ser um dos pilares fundamentais da democracia.
Podes assistir a este espectáculo na íntegra na RTP Palco, clica aqui.
