Simone Mendes passou no dia 2 de Outubro pelo Sagres Campo Pequeno, em Lisboa, para uma noite em que o sertanejo atravessou o Atlântico e encontrou do lado português um público que sabia os refrões de cor.
A cantora brasileira Simone Mendes regressou a Portugal já definitivamente afirmada em nome próprio e mostrou que a história iniciada depois de Simone & Simaria está longe de ser apenas um segundo capítulo.
Existem concertos em que a distância entre palco e plateia praticamente desaparece. Na noite de 2 de outubro, no Sagres Campo Pequeno, Simone Mendes encontrou um público que não precisava de apresentações nem de grandes incentivos para assumir parte das canções.
Lisboa era a primeira paragem da passagem portuguesa da cantora brasileira, antes da atuação, na noite seguinte, na Super Bock Arena, no Porto. Um regresso que acontece depois da forte receção que Simone encontrou no país em 2025 e num momento em que a artista parece cada vez mais confortável com o caminho construído desde que avançou para uma carreira a solo.
E é precisamente essa Simone que agora chega ao palco: segura, comunicativa e consciente de que tem nas mãos um repertório capaz de dispensar apresentações.
E é precisamente essa Simone que agora chega ao palco: segura, comunicativa e consciente de que tem nas mãos um repertório capaz de dispensar apresentações.
Se durante anos foi impossível separar o seu nome do de Simaria, essa associação começa definitivamente a pertencer à história. O presente escreve-se apenas com Simone Mendes.
Do Brasil para um Campo Pequeno pronto para cantar
O sertanejo vive muito das histórias que conta. Amores, separações, saudades, traições e relações que ficaram pelo caminho são matéria-prima de canções construídas para serem cantadas coletivamente. Simone sabe-o particularmente bem.
A sua voz grave e imediatamente reconhecível continua a ser o elemento central, mas ao vivo existe outra componente igualmente importante: a capacidade de transformar canções de sofrimento amoroso em momentos de celebração coletiva.

No Campo Pequeno, essa ligação fez-se naturalmente.
Temas como “Erro Gostoso”, “Dois Tristes”, “Daqui Pra Sempre” ou “Regime Fechado” pertencem ao núcleo de canções mais recorrentes no repertório recente da cantora, com “Erro Gostoso” a assumir-se como o tema mais tocado nos registos disponíveis dos seus concertos. São canções de coração partido, mas dificilmente se poderia falar de uma plateia deprimida. Antes pelo contrário.
Quando milhares de pessoas transformam um refrão sobre relações falhadas num coro coletivo, a “sofrência” deixa de ser apenas sofrimento e passa a festa. E poucos géneros musicais aprenderam a explorar tão bem essa contradição como o sertanejo brasileiro.
Uma voz que já não precisa da antiga dupla
Há também algo de simbólico nesta nova passagem por Portugal. Simone Mendes já não está propriamente a apresentar uma carreira a solo, está a consolidá-la.
Depois do fim de Simone & Simaria, em 2022, havia inevitavelmente uma questão sobre até onde poderia chegar individualmente uma das vozes de uma das duplas femininas mais populares do Brasil.
Quatro anos depois, a resposta começa a ser dada pelos próprios números, pelas salas e, sobretudo, pelas canções. Em entrevista publicada por ocasião destes concertos em Portugal, Simone assumiu precisamente essa segurança na identidade que construiu enquanto artista individual. E isso sente-se em palco.
Não existe uma tentativa de apagar o passado — nem faria sentido fazê-lo. Existe antes uma artista que percebeu como transportar essa história para uma identidade própria, acrescentando-lhe os temas que entretanto se tornaram êxitos.