Two Door Cinema Club: 15 Anos de Turismo em Lisboa
(c) Inês Silva

Two Door Cinema Club: 15 Anos de Turismo em Lisboa

06/06/2026

Review

Voz
8/10
Banda
8/10
Som
9/10
Ambiente
8/10
Overall
8.3/10
Cigarettes in the Theatre
I Can Talk
Come Back Home
Do You Want It All?
This Is the Life
New Houses
Something Good Can Work
Sleep Alone
Next Year
Changing of the Seasons
Dirty Air
Handshake
Lucky
Are We Ready? (Wreck)
Sun
Undercover Martyn
Costume Party
You're Not Stubborn
Eat That Up, It's Good for You
What You Know

Nome incontornável do indie rock, os norte-irlandeses Two Door Cinema Club regressaram a Lisboa para celebrar “Tourist History”, o ponto de partida de uma carreira que se encaminha para as duas décadas de atividade. 

A 26 de Maio de 2011, um grupo de rapazes de Bangor, na Irlanda do Norte, fazia a sua estreia em Portugal com um concerto na já extinta sala TMN Ao Vivo, situada no Cais do Gás, em Lisboa. Na bagagem traziam o seu álbum de estreia “Tourist History” (2010) e uma quantidade considerável de menções a destacá-los como o próximo grande nome do indie rock. Colocados no mesmo “saco sonoro” dos Editors, Foals e The Futureheads, não tardou para que os Two Door Cinema Club começassem a atrair a atenção de um público mais próximo do mainstream. A vitória em 2010 nos Choice Music Prize, na categoria de Álbum Irlandês do Ano, assim como a sua presença no programa Late Night with Jimmy Fallon, onde apresentaram o seu maior êxito “What You Know”, foram dois momentos que ajudaram a lançar a banda para as bocas do mundo. 

Passados 15 anos, a nostalgia bateu à porta do grupo. Apoiados na efeméride que assinala a década e meia de “Tourist History”, os Two Door Cinema Club decidiram então partir para a estrada para celebrar com os fãs esse tão acarinhado primeiro álbum de estúdio. Alguns, certamente dirão que 15 anos é demasiado cedo para celebrar a longevidade de um trabalho discográfico, mas, a julgar pela moldura humana e pela receção calorosa que encontrámos no Coliseu dos Recreios, para muitos foi o momento certo para celebrar não só a adolescência de “Tourist History”, mas também a íntima relação que os Two Door Cinema Club construíram com os fãs portugueses ao longo de uma dúzia de concertos. 

Como qualquer celebração especial de um álbum que se preze, neste contexto não há como fugir à performance do seu alinhamento na totalidade. Com base neste formato já vimos várias tipologias: desde o alinhamento clássico que segue a ordem original ao alinhamento de trás para a frente, que começa na última música e termina na primeira. Porém, nesta tour, os Two Door Cinema Club quiseram fazer as suas próprias regras.  Com uma setlist dividida em três capítulos, a banda decidiu baralhar o alinhamento do álbum, alternando por vezes os seus temas com temas de outros trabalhos. Como se isso não bastasse para tornar o concerto mais dinâmico e imprevisível, a banda ainda foi sacar “Costume Party”, uma das duas faixas bónus presentes apenas na edição japonesa. 

Como se isso não bastasse para tornar o concerto mais dinâmico e imprevisível, a banda ainda foi sacar “Costume Party”, uma das duas faixas bónus presentes apenas na edição japonesa. 

Com uma tour que alterna entre arenas, anfiteatros e festivais, os Two Door Cinema Club foram em busca de uma produção visual que resultasse nestes diferentes contextos. Apoiados por uma tela de fundo e uma tira longitudinal que cobria o estrado de suporte à bateria e aos teclados, a banda apostou em projeções com cores vibrantes que fossem ao encontro da sua sonoridade repleta de momentos dançáveis e bem orelhudos para serem degustados auditivamente nesta altura do ano.

Cigarettes in the Theatre” testou os sapatos de dança do público enquanto “I Can Talk”  e “This Is the Life” soltaram as gargantas dos fãs entre coros e interpretações do riff de guitarra. Sem grandes altos e baixos, o concerto desenrolou-se em velocidade cruzeiro com poucos momentos, por estranho que pareça, para interações mais alongadas com o público. Algo, que não pareceu melindrar os fãs mais acérrimos quando a intenção era mesmo gingar, saltar e cantar êxitos que marcaram a adolescência de muitos dos presentes. A fechar a celebração, “What You Know” surgiu como o climax da celebração. O nível de entusiasmo foi tal que o soalho do Coliseu estremeceu com os saltos eufóricos de todos os indieheads que foram até à sala lisboeta para sentir o poder da nostalgia dos Two Door Cinema Club .

As despedidas, apesar de rápidas surgiram como um até já, pois os Two Door Cinema Club vão regressar a Portugal em Agosto para um concerto no MEO Monte Verde, na Ribeira Grande, nos Açores, naquele que será o encerramento desta tour europeia. 

Fotos (c) Inês Silva

Para terminar não podemos deixar de destacar a abertura do concerto por parte dos portugueses Hause Plants, quarteto de dance-punk com membros com muita estaleca na cena portuguesa, partilhando projetos como Them Flying Monkeys e Grand Sun. Com uma pegada ao vivo gigante, dentro e fora de Portugal, a banda veio apresentar os temas do seu álbum de estreia “Shake The Empty Feeling”, cuja data de estreia está agendada para 2026.  O destaque do seu set vai para a cover de “Dancing In The Dark” de Bruce Springsteen, aqui tocada num registo mais upbeat que incentivou o público a bater o pé. 

Fotos (c) Inês Silva