i prevail c sara hawk
I Prevail (c) SARAHAWK

Vilar de Mouros 2025 | Dia 4: Encerramento em grande, música para todos os gostos

26/08/2025

O regresso ao anfiteatro natural de Vilar de Mouros mostrou porque este é um festival único no calendário português.

Depois de revisitarmos o que aconteceu no primeirosegundo e terceiro dia de festival, é chegada a hora de contar o que vimos e ouvimos no dia das despedidas da edição de 2025 do CA Vilar de Mouros.

Foi a primeira vez que vi os Stereo MC’s ao vivo e não desiludiram. Rob Birch (Rob B) nos vocais e à frente da interação com o público, Nick Hallam nos indispensáveis decks e laptops, Cath Coffey nos backing vocals e dança, além de Tansay Omar na percussão, formam a espinha dorsal da banda. “Connected”, “Step It Up” e outros clássicos incendiaram a plateia, rendendo aplausos entusiasmados no final.

Antes de saber que os The Ting Tings estariam em Vilar de Mouros, o meu conhecimento sobre o projecto resumia-se a “That’s Not My Name”, marcada pelo pedal que dobrava a voz de Katie White, e ao cover de “Happy Birthday”, dos Altered Images (que também tocaram no festival este ano). O novo álbum, porém, revelou uma transformação: embora Katie e Jules De Martino se mantenham como força criativa, a banda conta agora com nove músicos em palco. Dois guitarristas, um baterista titular e outro percussionista, um baixista de presença marcante, teclista e vocalista de apoio deram outra dimensão ao espectáculo.

O concerto centrou-se nesta nova fase, repleta de faixas fortes como “Good People Do Bad Things” e “Dreaming”, mas sem esquecer os êxitos que moldaram a carreira da dupla. O clímax foi, inevitavelmente, “That’s Not My Name”, executada com perfeição e recebida com uma explosão colectiva da plateia. Foi arrepiante ver milhares de vozes a ecoar em uníssono este clássico contemporâneo.

I Prevail foi, sem dúvida, o melhor concerto da noite. Teve de tudo: mosh pits colossais, emoção à flor da pele e uma entrega rara de ambos os lados do palco. Desde os primeiros acordes de “Bow Down”, os norte-americanos conquistaram a multidão. Os rugidos guturais de Eric Vanlerberghes acudiram todos os cantos do recinto, enquanto os guitarristas Steve Menoian e Dylan Bowman entregaram riffs arrasadores, com camadas de texturas eletrónicas e breakdowns afiados o suficiente para cortar o aço. Punhos cerrados, vozes a gritar, corpos a mover-se em todas as direções, foi tudo verdadeiramente alucinante. A produção visual, repleta de strobes e luzes sincronizadas, elevou ainda mais a intensidade.

Ao longo do concerto, hinos como “Self Destruction” e “Choke”, abraçavam a novas “Violent Nature” e “Rain”. O momento mais marcante aconteceu quando Eric, visivelmente emocionado, se declarou ao público. Amparado pelos colegas de palco, arrancou lágrimas tanto da plateia como de si próprio. A catarse terminou em “Gasoline”, explosiva e esmagadora, deixando a multidão em transe mesmo após o apagar das luzes. I Prevail ao vivo não é apenas um concerto: é uma descarga de energia e vulnerabilidade que se converte em memória colectiva. E Eric prometeu regressar em breve, e quem não teve a oportunidade de os ver, não pode perdê-los ao vivo.

A despedida foi dupla: enquanto o festival se despedia até 2026, os Da Weasel encerravam o seu calendário de concertos deste ano. Na terceira passagem por Vilar de Mouros, reuniram, provavelmente o maior público diário da edição. O alinhamento de quase trinta temas foi cantado do início ao fim, numa demonstração rara de devoção. “Força (Uma página de história)”, “Duía”, “Re-Tratamento” e o fecho apoteótico com “Tás Na Boa” confirmam definitivamente porque a banda continua a ser um dos grandes momentos de todos os festivais por onde passa.

O Vilar de Mouros 2026 já tem data e até o primeiro nome anunciado, mas a sensação é que o cartaz vem em segundo plano. O festival é, acima de tudo, sobre encontro, partilha e permanência da memória colectiva. Mais do que nomes ou estilos, Vilar de Mouros é a celebração de uma aldeia que se transforma, ano após ano, no coração pulsante da música em Portugal.

Então, que venha 2026!

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