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(c) Sara Hawk

Vilar de Mouros 2025 | Dia 2: O punk vive bem, mesmo que às vezes precise de sangue novo

24/08/2025

O regresso ao anfiteatro natural de Vilar de Mouros mostrou porque este é um festival único no calendário português.

Durante quatro dias, a pequena aldeia minhota de Vilar de Mouros voltou a ser um ponto de encontro intergeracional. Famílias com crianças, grupos de amigos, veteranos de festivais e curiosos que vinham pela primeira vez cruzaram-se num ambiente de partilha e descontração.

Depois de contarmos o que se passou no primeiro dia de festival, mostramos o que se passou no dia 21 de Agosto no recinto do CA Vliar de Mouros.

Se há um talento que os amantes da música valorizam, é a capacidade de criar refrões memoráveis. Quando isso se mistura a arranjos frescos, quase inocentes, o resultado torna-se mágico. As GIRLBAND! abusam dessas duas qualidades. O concerto foi tão fácil de se gostar que parecia familiar logo à segunda canção. Ao segundo refrão já dava vontade de começar a cantarolar, como num espetáculo de arena. O power trio feminino encanta e surpreende, sobretudo pelo set de bateria incrivelmente reduzido de Jada: apenas prato de choque, tarola e bombo. Haja criatividade! A voz de Georgie impressiona pela afinação impecável e a baixista Kay sustenta tudo em sintonia com Jada. Uma grande surpresa e uma aposta ganha da curadoria do festival.

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Os Godfathers subiram ao palco cheios de energia e entregaram um concerto honesto. O público ainda era reduzido e muitos não conheciam bem os seus êxitos, mas sempre que pediam apoio a resposta era imediata. Despediram-se com boa aclamação.

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Já os Palaye Royale trouxeram a estética exuberante do novo art-rock, que tem vindo a aproximar gerações nos festivais. Pela primeira vez nesta edição, as grades do fosso encheram-se com uma pequena, mas ruidosa legião de fãs, que assentou arraiais e não arredou pé até à hora do concerto. A actuação foi carregada de energia e alguns temas, como “Death or Glory”,  “Fever Dream” e  “Showbiz “, foram entoados em coro. “Remington Leith” é um verdadeiro showman e sabe conduzir uma plateia, mesmo perante um público que já aguardava impaciente pelo punk setentista que se seguiria.

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Às 22h30 os The Damned entraram em cena para revisitar um repertório vasto e influente, referência para nomes tão diferentes como Guns N’ Roses ou Offspring. Dave Vanian e Captain Sensible mantêm intacta a ferocidade que os tornou lendários, com Monty Oxymoron a completar o trio de membros constantes. Paul Gray e Rat Scabies, figuras do início humilde da banda, regressaram após longas ausências e mostraram estar em plena forma. O concerto teve pontos altos em “New Rose”, celebrizada mais tarde pelos Guns, e em “Neat, Neat, Neat”, acompanhada pelo humor peculiar de Captain Sensible e pelas aparições do seu cão, que roubava sorrisos à plateia. Para o encore, escolheram uma versão intensa de “White Rabbit”, dos Jefferson Airplane, e fecharam em grande com “Smash It Up Pts 1 & 2”, tema que viria a ganhar nova vida anos depois pelas mãos dos Offspring.

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Na noite em que o festival homenageou o género, ficou a constatação: o tempo passa, mas a chama do punk continua acesa.

Os Sex Pistols (ou o que resta deles) surgiram em palco acompanhados por Frank Carter, sob olhares curiosos, divididos entre a expectativa e as críticas recentes a esta reunião. Para alguns, tratava-se do regresso de uma lenda com energia renovada; para outros, apenas mais uma turné movida a dinheiro. O próprio John Lydon nunca escondeu o pragmatismo, quando dizia nos anos 90, na altura da primeira reunião após a separação nos anos 70, algo como «Of course it’s for the money – no one else will give it to us» [tradução livre: “Claro que é pelo dinheiro — mais ninguém nos vai dar isso.”). A festivaleira Ana Sofia, veterana de Vilar de Mouros e que já tinha visto os Pistols com Lydon, resumiu bem a noite: «Estamos em 2025, não em 1977, quando tocavam por uma caixa de whisky e mais umas cenas. Eu gostei do concerto. O Frank Carter encarnou bem o punk dos Pistols». E de facto foi um bom concerto. O trio Glen Matlock, Paul Cook e Steve Jones por si só justificaria o bilhete, mas foi Frank Carter quem trouxe frescura e energia. Carismático, interagiu com o público, foi abraçado pela banda e transmitiu a sensação de alegria renovada. O som esteve à altura e a guitarra de Jones manteve o timbre icónico que ajudou a moldar a história do punk. Foi impossível não nos arrepiar com os clássicos, como “God Save The Queen” e “Anarchy in The UK” cantada pelos pulmões de Frank Carter.

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Na noite em que o festival homenageou o género, ficou a constatação: o tempo passa, mas a chama do punk continua acesa. Sempre que é preciso sangue novo, há músicos prontos a assumir o posto. Para quem os acompanha há décadas, noites como esta são um lembrete do motivo pelo qual nos apaixonámos pelo punk rock. Vida longa aos artistas que criaram e mantêm essa história, para que a chama nunca se apague.

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