Zebrahead Photo 01 Tobias Sutter
© Tobias Sutter

Zebrahead, Uma Pop Punk Drinking Party no LAV

18/07/2025

Review

Banda
8/10
Voz
8/10
Som
6/10
Ambiente
7/10
Overall
7.3/10
The Perfect Crime
We're Not Alright
Hello Tomorrow
Homesick for Hope
Lay Me to Rest
Rescue Me
Postcards From Hell
When Both Sides Suck, We're All Winners
No Tomorrow
Mike Dexter Is a God, Mike Dexter Is a Role Model, Mike Dexter Is an Asshole
Hell Yeah!
Fight for Your Right (Beastie Boys Cover)
Who Brings a Knife to a Gunfight?
Drink Drink
Sink Like a Stone
Worse Than This
Call Your Friends
Anthem
Falling Apart
All My Friends Are Nobodies

Na sua estreia em Portugal, os californianos Zebrahead trouxeram o seu pop punk com sabor a verão até Lisboa. Com a energia de um grupo de adolescentes, a veterana banda de La Habra serviu-nos um concerto festivo e galhofeiro.

Falar do Condado de Orange e não falar de punk é praticamente impossível. Além do surf, este condado do sul da Califórnia também é conhecido pela sua longa história ligada ao punk, afinal de contas foi lá que surgiram bandas icónicas comos  os Social Distortion, os The Offspring, os Stick To Your Guns e, claro, os Zebrahead.

Provenientes dessa geração de ouro que também deu-nos nomes como Sum 41 e Alkaline Trio, os Zebrahead sempre se destacaram no meio pela forma como fundiram o pop punk rasgado com a métrica do hip hop, algo que levou a banda a apresentar-se desde início com dois vocalistas principais.

Em Portugal o pop punk nunca teve muita expressão. O expoente máximo do género no nosso país são os Fonzie, que conseguiram quebrar para o mercado internacional em 2004 com o seu álbum “Wake Up Call”. Porém, a cena de concertos em Portugal nunca se desenvolveu com muita intensidade, tirando as visitas esporádicas de pesos pesados como Blink-182 e Simple Plan, a passagem à boleia de The Story So Far ou as visitas mais discretas de Yellowcard e State Champs, este sempre foi um género algo desprezado pelas promotoras. Só mesmo as visitas rotineiras dos Sum 41 é que contrariam um pouco a estatística.

Desta forma, foi sem dúvida uma surpresa quando recebemos a notícia de que os Zebrahead iriam estrear-se finalmente em Portugal pela mão da Prime Artists, uma promotora que até então só tinha trazido uma banda ligada ao género, os Millencolin em 2009. Terá sido este concerto dos Zebrahead uma espécie de teste para analisar a viabilidade dos concertos pop punk em Portugal? É certo que a sala 2 do LAV-Lisboa ao Vivo esteve longe de estar esgotada, mas também ninguém pode acusar os que estiveram presentes de não dignificarem a cena pop punk portuguesa, pois a festa foi feita com muitos circle pits, crowd surf e uma passagem de testemunho muito especial para uma geração mais nova.

Longe de se apresentarem como uma banda que vive só do legado, os Zebrahead subiram ao palco do LAV com uma setlist repleta de clássicos, alguns deles com mais de vinte anos, mas também com vários temas da nova fase da banda pós-entrada do vocalista e guitarrista Adrian Estrella.

“The Perfect Crime” deu o pontapé de saída com um som super embrulhado, algo que infelizmente se prolongou ao longo de todo o concerto. A bateria de Ed Udhus pareceu-nos que não estava micada, pois o som que vinha para o público era totalmente oco, já a EVH Wolfgang Special Striped de Dan Palmer não sobressaiu nos solos devido à discrepância de volumes. Porém, nada disto foi um impedimento para a festa que os Zebrahead tinham preparado para nós.

Além dos músicos, em cima do palco também esteve um elemento que partilha funções de guitar tech, backing vocals e, pasmem-se, de barman. Com um mini bar instalado em palco foram servidas ao longo do concerto várias bebidas, maioritariamente para o guitarrista Dan Palmer e para o baixista Ben Osmundson, este último o grande humorista da banda que nunca perdeu uma oportunidade para ir ao livro de larachas de “American Pie” com o intuito de entreter o público entre músicas.

Temas como “We’re Not Alright”, “Hello Tomorrow” e “Rescue Me” mostraram as gargantas afinadas dos fãs portugueses com os refrãos orelhudos a serem entoados. A banda surpreendida com tamanha receção aproveitou algumas deixas entre músicas para expressar todo o seu encantamento para com o nosso país. Chegados a Lisboa dois dias antes do concerto, os Zebrahead tiveram tempo para explorar a cidade e conhecer o nosso Fado. Uma breve passagem pelas redes sociais mostrou-nos a banda a jantar e a apreciar um bom serão de fados na histórica Adega Machado, no Bairro Alto. Aliás, Dan Palmer ficou tão encantado com a guitarra portuguesa que decidiu experimentá-la nesse mesmo espaço. Mas voltemos ao concerto.

Que o pop punk invoca momentos de pura diversão nos seus concertos isso já é conhecimento comum, mas nada nos preparou para o circle pit às cavalitas que Ali Tabatabaee pediu em “Mike Dexter Is a God, Mike Dexter Is a Role Model, Mike Dexter Is an Asshole”, uma malha que resvala para o campo do ska punk. Mais à frente, em “Drink Drink”, foi o momento de convidar dois fãs a subirem ao palco para beberem duas cervejas com a banda. 

No campo individual, a qualidade vocal de Adrian Estrella, membro mais recente da banda, elevou o repertório clássico dos Zebrahead. “Sink Like a Stone”, “Worse Than This” e “Call Your Friends” sobressaíram num timbre que combina rouquidão e melodia. Já “Anthem” encerrou o set com Ali a cantar no meio do público enquanto um circle pit rodopiava à sua volta.

Após uma saída do palco que durou literalmente 30 segundos, a banda serviu-nos “Falling Apart”. Mas, antes de terminarem o concerto ainda havia mais uma brincadeira para fazer. Com o barman de serviço a pegar num estojo rígido de guitarra, Ali pediu ao publico para se transformar numa onda que seria surfada por este membro polivalente. Destemido, lá se colocou de pé em cima do estojo e após completar uma volta completa a banda arrancou com a derradeira “All My Friends Are Nobodies”.

Durante sensivelmente 1h30m a diversão esteve sempre assegurada, afinal de contas é mesmo isto que o pop punk representa ao aliar música rápida e melódica a um espetáculo descontraído e festivo. O teste ficou  feito e o resultado trouxe muitos pontos positivos, mas agora cabe mesmo à Prime Artists analisar se o pop punk deve ou não constar mais vezes na sua programação.

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