Eddie Vedder Recorda Rivalidade Com Kurt Cobain E Luto Pela Morte De Chris Cornell

Eddie Vedder Recorda Rivalidade Com Kurt Cobain E Luto Pela Morte De Chris Cornell

Redacção

«Poderia ter concordado com [Kurt] sobre algumas coisas que ele disse», afirmou Eddie Vedder numa extensa entrevista com Howard Stern na qual olhou para o passado, para a sua relação com o líder dos Nirvana e ainda a morte do amigo Chris Cornell.

Numa entrevista de três horas concedida ao The Howard Stern Show, no canal SiriusXM, Eddie Vedder foi às profundezas da sua memória para abordar temas como a infância, a carreira, a escrita de canções e as amizades na música.

Uma das questões mais sensíveis foi quando Stern perguntou a Vedder sobre a rivalidade entre os Pearl Jam e os Nirvana no início dos anos 90, sugerindo que alguns dos comentários de Kurt Cobain sobre os Pearl Jam, nomeadamente que a banda de Vedder era “carreirista”, provocaram ressentimento em Vedder e companhia.

Vedder, encolhendo os ombros e rindo, começou por responder: «Provavelmente, poderia ter concordado com algumas das coisas que ele disse». O músico salientou porém que o estrondoso sucesso que ambas as bandas desfrutaram após o lançamento de “Ten” and “Nevermind”, respectivamente, foi «um pouco difícil de lidar», observando: «Tivemos uma relação um pouco difícil com essa realidade… e isso tornou-nos um pouco vulneráveis».

O sucesso, continuou, «afectou algumas pessoas na cidade [Seattle]», pois houve «uma boa cena e isso mudou um pouco as coisas», explicou, sublinhando que alguma da rivalidade entre as bandas de Seattle se devia ao facto de haver «uma história com algumas das bandas locais» – com Jeff Ament e Stone Gossard, dos Pearl Jam, que tinham tocado anteriormente ao lado de Mark Arm (Mudhoney) e Steve Turner (Green River).

«Uma das minhas bandas favoritas de Seattle era Mudhoney, e havia como que uma facção. O nosso estilo não encaixava tão bem nisso… o que era bom», observa Vedder.  «A única coisa que me incomodava sobre isso [alegada rivalidade] era porque era público, e as pessoas reagiam a isso: não era entre nós. Houve um certo escritor que tirou uma citação de Jeff Ament, e tirou uma citação de Kurt, e isso fez com que a imprensa falasse. Mas, na verdade, sempre me senti como se fôssemos nós contra o mundo, a nossa cidade contra o mundo, não a nossa banda contra outra banda».

«Ainda penso no passado e sempre fui grato por ter havido uma cena real, havia música por todo o lado, e as pessoas saíam todas as noites. Depois de um espectáculo no Crocodile [Café], quando três ou quatro bandas tocavam, Girl Trouble ou Melvins… havia uma ‘after party’ na cave de alguém nesta casa velha e fixe em Seattle, e de repente tinhas o Krist Novoselic (Nirvana) a tocar baixo e eu a tocar bateria, tocávamos canções dos Beatles com o tipo dos Fastbacks, o Kurt Bloch… foi uma época incrível», recordou, antes de lembrar também um certo episódio com o malogrado líder dos Nirvana. «Nunca tivemos uma luta. Mas sempre detestei a banda deles», disse Kurt Cobain à MTV em 1993, que falou assim sobre Eddie Vedder: «Tivemos algumas conversas ao telefone, eu gosto muito dele. Acho que ele é uma pessoa muito simpática».

Noutro ponto da entrevista, Eddie Vedder falou sobre a sua amizade com o falecido Chris Cornell, admitindo que ainda está «um pouco em negação» sobre a morte do frontman dos Soundgarden em 2017. «Tive de estar de alguma forma em negação. Nem sequer sinto que tinha escolha. Estava apenas aterrorizado para onde iria se me permitisse sentir o que eu precisava de sentir. Éramos vizinhos. Eu andava com ele fora da banda mais do que até os outros tipos dos Pearl Jam e não sabia que havia muita gente em Seattle. Fazíamos aventuras loucas de caminhadas, ou andávamos de bicicleta, ou perseguíamos o cão à chuva enquanto bebíamos cerveja de merda – e era fixe».

Vedder disse ainda a Howard Stern que já estava a lidar com o luto quando Cornell faleceu a 18 de Maio de 2017, pois o seu irmão mais novo, também chamado Chris, tinha morrido recentemente após um acidente de escalada. «Esse episódio bateu-me com tanta força. Não sabia seriamente se ia sair dessa e magoou-me muito pensar no que as minhas filhas estavam a testemunhar. Não havia nada a esconder. Era um lugar escuro».

Podes assistir aqui a um excerto da entrevista:

EGITANA