Festival “Entre Quatro Paredes”, uma viagem ao indie português sem sair de casa

Festival “Entre Quatro Paredes”, uma viagem ao indie português sem sair de casa

Bernardo Pereira

“Entre4Paredes” é o nome do festival que promete juntar vários artistas do panorama indie nacional.

«Entre4Paredes é um festival online de música que tem como objectivo angariar fundos para a iniciativa #TodosPorQuemCuida.» assim descreve a página de instagram oficial do festival numa acção que como é descrita, pretende angariar um total de 1.500 euros para a hashtag, criada pela ordem dos médicos e pela ordem dos farmacêuticos. Esta campanha pretende «…assegurar que todos os profissionais trabalhem protegidos e com acesso a equipamento e dispositivos necessários para salvar vidas», através do GoFundMe, uma plataforma americana de financiamento colectivo com fins lucrativos que permite às pessoas arrecadar dinheiro para eventos que vão desde projectos até circunstâncias desafiadoras, como doenças ou acidentes. No momento em que escrevemos este artigo a campanha já conta com 35€ angariados.

O festival arranca a 24 de Abril e tem a duração de 4 dias, é o mais recente festival online de entre os vários que já surgiram devido à situação actual e traz vários nomes, alguns já descobertos pelo público português e outros por descobrir. Os concertos terão início às 17:30h e acabam por volta das 19:30h, todas as informações estão disponíveis no instagram oficial do festival.

A banda Call me Alice dá início ao festival e na programação podemos contar também com Men On The Couch, Tó Trips, Rossana, Pz, Tiago Braga, Aníbal Zola, entre outros… que entre 30 a 45 minutos irão na sua conta pessoal dar aos seguidores os tão aguardados concertos. «O foco do festival é ajudar a saúde, angariando fundos que serão utilizados para adquirir material hospitalar, pois sem os profissionais de saúde e sem os materiais necessários não haverá forma de ultrapassar esta pandemia…» assim o descreve Fábio Duarte, o impulsionador e criador deste festival.

Cresceu em Sintra, fez um ano em ciências musicais na NOVA FCSH e neste momento estuda em Londres, também na área musical mas com foco para a bateria. Com apenas 19 anos, Fábio aventurou-se neste desafio e afirma “…nunca me imaginei a fazê-lo nestes termos e desta forma”. Em entrevista à Arte Sonora, Fábio falou um pouco sobre a criação do projecto e que contributo poderá dar.

Como surgiu a ideia de criar este festival?
O festival surgiu como um projecto da faculdade. Inicialmente, ia fazer um concerto em Londres, onde estou a estudar música, mas devido à impossibilidade de o fazer neste momento tive que mudar a ideia, e muito, a meu ver. Ao longo do último mês vi vários projectos semelhantes a aparecerem e isso, além de ajudar a passar o tempo em casa, ajudou-me a assentar a ideia de que tinha mesmo que ficar em casa, pois eu vim de Londres para Lisboa pouco antes do estado de emergência ser anunciado e não via família e amigos há meses, e continuo sem ver. Queria, então, juntar o projecto da faculdade a algo que fosse maior do que eu e uma simples nota, portanto decidi tentar ajudar a área da saúde e um festival solidário pareceu-me a melhor forma de o fazer, até porque está dentro da minha área.

Sentes que com a criação deste festival estás a ajudar tanto a cultura como a saúde?
O foco do festival é ajudar a saúde, angariando fundos que serão utilizados para adquirir material hospitalar, pois sem os profissionais de saúde e sem os materiais necessários não haverá forma de ultrapassar esta pandemia. Relativamente à cultura, penso que este festival pode reforçar, mais uma vez, a ideia que esta tem um papel essencial na nossa vida e vai muito além de simples entretenimento. E mesmo que o fosse, nesta altura, também teria uma grande importância.

Como foi feita a selecção dos artistas?
Eu queria ter um intermédio entre artistas emergentes e artistas já conhecidos, portanto tudo partiu daí. Depois foi contactar artistas que pudessem contribuir com alguma variedade de estilos musicais para que o festival se tornasse acessível a toda a gente.

Qual o papel dos artistas na ajuda da iniciativa #TodosPorQuemCuida?
O papel dos artistas é bem maior que o meu. Embora tenha sido eu a organizar o festival, sem eles nada disto seria possível e nem sequer haveria alguma coisa para organizar.

Alguma vez imaginaste que ias criar esta campanha/iniciativa?
Já me imaginei a fazer coisas do género, apesar de, infelizmente, nunca as ter posto em prática, mas sem dúvida que nunca me imaginei a fazê-lo nestes termos e desta forma.

EGITANA