Lisboa é palco do debate sobre a preservação de arquivo musical no digital

Lisboa é palco do debate sobre a preservação de arquivo musical no digital

Tiago Varzim

“Preocupados com a precariedade do suporte”, especialistas debatem hoje, em Lisboa, sobre a preservação de arquivo musical no digital, para encontrarem estratégias futuras, avançou esta manhã a Lusa citando uma fonte da organização.

SOS Digital – Património musical e preservação digital: Atualização do estado atual do projeto continuidade digital e o universo da música“: assim se chama o evento que se realiza a partir das 14h30, no espaço O’culto da Ajuda, perto de Belém, e que vai a problemática do património digital. De acordo com as declarações do compositor e músico Miguel Azguime  à Lusa, o património digital é “muito mais frágil e potencialmente muito menos perene, por causa da evolução tecnológica“.

Azguime, um dos participantes neste debates, acrescentou que, “ao contrário do que todos supõem, as plataformas digitais são mais perecíveis do que os tipos de arquivos que as antecederam“. Mas porquê? O também diretor do Centro de Investigação & Informação da Música Portuguesa explica:  “a sucessiva alteração de suportes e sistemas operativos” impede, segundo afirma, “por exemplo, que um documento guardado em MS-DOS, não seja acessível”.

O encontro conta com a apresentação de “À procura de um arquivo dinâmico e inteligente para as obras musicais digitais. Histórias, contextos e perspetivas“, por Miguel Azguime, seguido da proposta da investigadora da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade NOVA, Andreia Nogueira, “Pensar o futuro da música contemporânea com o advento da tecnologia digital“. Há ainda uma intervenção de António de Sousa Dias, compositor, professor e investigador no Instituto Superior Autónomo de Estudos Politécnicos (IPA) e na Universidade Católica Portuguesa, e um debate com os especialistas da DGLAB Francisco Barbedo, Mário Sant`Ana e José Furtado.

De onde vem esta preocupação?

Tudo começou com a iniciativa da Direção-Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas (DGLAB), que criou a Rede de Preservação Comum de Património Digital, onde se viria a enquadrar o projeto “Continuidade Digital“. Neste projeto foram lançados “uma série de SOS Digitais dedicados às diversas comunidades de práticas, desde os museus às televisões, passando pelo jornalismo e a música“.

O alerta desta situação vem diretamente de França, avisa Azguime:  20% do material arquivado no Instituto Nacional do Audiovisual, durante a segunda metade do século XX, “está definitivamente perdido” e, de todo o material lá desenvolvido, desde finais da década de 80, “pensa-se que 70% não é recuperável“.

EGITANA

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