Primeiras confirmações no OUT.FEST 2018

Primeiras confirmações no OUT.FEST 2018

António Maurício

O 15º edição do festival decorre na cidade do Barreiro, de 5 a 6 de Outubro.

O OUT.FEST (Festival Internacional de Música Exploratória do Barreiro) já anunciou as datas do festival, o primeiro lote de artistas e a informação sobre os bilhetes. A 15º edição acontece de 5 a 6 de Outubro, na cidade do Barreiro e de acordo com Rui Pedro Dâmaso, director artístico do OUT.FEST:

«…o que mais importa é continuar a falar do desconhecido. (auto)desafiar um modelo, mesmo que seja o nosso. O OUT.FEST 2018 (e o que se seguirá em 2019) ver-nos-á repensar, reformular, experimentar a relação, desenho e interacção com a cidade. Já não chega mostrar o Barreiro, já não se trata de abrir espaços a olhares curiosos; trata-se de viver no espaço entre eles – na cidade que já cada vez mais foi descoberta. Na cidade realmente habitada e vivida. Maior fluidez de caminho(s) e maior fluidez de Som; o espaço entre géneros e o espaço entre espaços. Cada vez menos o “dia do jazz”, o “dia da electrónica” ou o “dia do Museu”, o “dia do auditório”. Mais os dias de toda a Música que vive no espaço entre as “Músicas” e nos espaços do dia. O OUT.FEST tem de ser – todo ele, em cada recanto do que é como organismo vivo – um Caminho. Uma exploração. Uma procura.»

Os primeiros 100 passes gerais vão estar disponível para venda nos locais habituais a partir de Sexta-feira, 6 de Julho, a 15€, e as primeiras oito confirmações são:

Fret (aka Mick Harris)

Lorde original dos blast beats como baterista nos Napalm Death, Extreme Noise Terror e Godflesh, é porventura o seu trabalho com o pseudónimo Scorn que mais influenciou uma diversidade de criativos musicais a operar sob a égide transgressora do encontro entre a linhagem Industrial e a cultura Dub. Depois de um hiato de vários anos, está de regresso como Fret, proposta vencedora do escuro tecnóide como só ele aprimorou realizar, com o seu característico peso colossal de graves e insigne densidade textural.

 

Group A

Duo feminino japonês transgressor de ortodoxias estilísticas, logísticas e económicas, condutoras de um minimalismo não onda, caravana da imaginação, denotando lições e inspirações do Dada, arte performativa e demais campos de fronteira, confronto e síntese quer a nível visual, quer musical dos que aprendem por si atirando-se no informe. Formadas em 2012, estão há dois anos baseadas em Berlim, peça nuclear na Mannequin Records, e encontram-se actualmente a trabalhar no seu próximo disco e numa peça de teatro com o encenador e coreógrafo de Montréal, Dana Gingras.

HHY & The Macumbas 

Elenco de formação variável de músicos sediados no Porto, reunido e liderado por Jonathan Saldanha (HHY), membro co-fundador do colectivo Soopa. Têm vindo a trabalhar no seu percurso público uma linguagem audiovisual evocativa do jazz como pensado e praticado por Sun Ra e a sua Arkestra, fazendo uso de estratégias da herança do dub para deslaçamento do campo sónico que os consome, conciliado com um fascínio imagético pela cosmologia voodoo, expressa em cenografia de palco e nos seus admiráveis trabalhos gráficos e de vídeo, abertamente chamando a si a influência da obra de Ballard, Sherwood, Burroughs e Carpenter.

João Pais Filipe

Baterista, percussionista e escultor sonoro do Porto. O seu percurso enquanto músico tem sido caracterizado pela imersão numa amplitude de estilos e linguagens, em bandas como os Sektor 304, HHY & The Macumbas, Montanha Magnética, entre outros, ao mesmo tempo que mantém uma actividade regular no universo da música improvisada, tocando com nomes como os de Evan Parker, Carlos “Zíngaro” ou Rafael Toral. João Pais Filipe tem desenvolvido também um trabalho de construção de gongos, pratos e outros instrumentos percussivos de metal, através do qual explora tanto as propriedades acústicas destes objectos como a sua potencial dimensão escultórica e imagética. Irá editar o seu primeiro álbum de percussão solo em Setembro e o OUT.FEST será uma das datas de apresentação do mesmo.

Lea Bertucci 

Compositora e performer norte-americana emergente cujo trabalho se debruça sobre as relações entre os fenómenos de acústica e a ressonância biológica. Para além da sua técnica e prática instrumental em alto saxofone e clarinete baixo, as suas apresentações tendem a integrar difusão multi-canal nos sistemas de som, feedback electro-acústico, trabalho de colagem em fita, entre outros processos de experimentação em música e som, sem pruridos pelas expectativas musicais com que o público e a crítica tem chegado a ela.

Linn da Quebrada 

Linna Pereira mais conhecida como Linn da Quebrada é uma actriz, cantora, compositora e ativista transexual brasileira. Linn encontrou na música uma poderosa arma na luta pela quebra de paradigmas sexuais, de gênero e corpo. Ela está entre os artistas mais relevantes do cenário musical LGBT brasileiro atual e com galopante disseminação internacional, tendo ascendido ao reconhecimento utilizando-se do choque de culturas, tocando em tabus e desconstruindo estereótipos com o seu estilo mordaz e sarcástico bem particular. “Bicha, trans, preta e periférica. Nem ator, nem atriz, atroz. Performer e terrorista de género”.

Lotic

Dj e produtor J’Kerian Morgan de seu nome, crescido em Houston, Texas, onde fez estudos superiores em composição eletrónica e saxofone até mudar-se pra Berlim em 2012. Aí ajudou a nascer o influente colectivo Janus e afirmou-se como uma das vozes mais assertivas da frente avançada da club music europeia. O seu disco “Hererocetera” de 2015 na Tri Angle Records é um compêndio de electrónica experimental vertendo melodias sintéticas espectrais em soluções de batidas niilistas mileniais. O seu longa duração de estreia “Power” será editado em Julho, conceptualmente alicerçado na paixão do autor pelas marching bands do Texas e o livro “Between The World And Me” de Ta-Nehisi Coates.

Ricardo Rocha 

Nome incontornável do repertório da guitarra portuguesa e da composição contemporânea nacional. Agraciado já por duas vezes com o Prémio Carlos Paredes, assim como recipiente do Prémio Revelação Ribeiro da Fonte para Jovens Compositores e Troféu Amália Rodrigues para Melhor Guitarra Portuguesa, diz sempre ter distinguido e vivido “com muita disciplina os dois mundos: a guitarra e o mundo do fado, e depois poderia criar-se outro mundo paralelo ao do fado”. Ou como a editora Mbari propunha em 2010 pelo lançamento do seu segundo álbum “Luminismo”, apelando a entendê-lo para além da técnica fenomenal evidenciada, Ricardo Rocha “assemelha-se mais a um cirugião, extraíndo o tumor ‘Fado’ de um instrumento que raramente conheceu vida própria, para além da inscrita nessa tradição de Lisboa”.