Trabalhadores Da Cultura Manifestam-se Para Evitar Tragédia Iminente

Trabalhadores Da Cultura Manifestam-se Para Evitar Tragédia Iminente

Nuno Sarafa

Mais um Sábado de recolher obrigatório, mais de oito milhões de portugueses confinados em casa a partir das 13h, e mais uma manifestação dos trabalhadores da Cultura, em Lisboa, para apelar aos decisores políticos e (tentar) evitar tragédia.

A manifestação sob o título “Quem Assume a Decisão de Acabar com a Cultura” foi organizada na manhã de Sábado, 21 de Novembro, pela Associação de Promotores de Espectáculos, Festivais e Eventos (APEFE), num grito de ajuda que juntou, desta vez no Campo Pequeno, em Lisboa, cerca de dois milhares de trabalhadores de um universo de «130 mil que vivem uma tragédia».

Para os responsáveis da APEFE, as mais recentes medidas impostas pelo Governo estão a ter repercussões em diversos sectores, entre os quais a Cultura, na qual se está a viver uma verdadeira «tragédia», como destacou a presidente da associação Sandra Faria.

Para aquela dirigente, esta manifestação é mais «um alerta grande do colapso que a cultura está a viver neste país», acrescentando que «é preciso os decisores políticos assumirem se querem salvar a cultura ou não, pois esta é um bem essencial para a nossa saúde mental, para a nossa vida».

Sandra Faria lembrou que há «130 mil trabalhadores a viver uma tragédia», com «pessoas a mudar de profissão» e «músicos a venderem instrumentos para conseguirem sobreviver», apontando ainda que se registou uma quebra de 87% nas actividades culturais por causa da pandemia.

Por isso, Sandra Faria apela ao Governo para a necessidade de «subsidiar a fundo perdido este sector, para as empresas não fecharem, para não haver mais despedimentos, para que se consiga continuar a trabalhar».

«Exigimos que dessa bazuca económica que vem da União Europeia venha uma percentagem para a cultura e que haja apoios a nível da banca, do crédito, com taxas de juro, com spreads de 1%, com períodos de carência de um ano e meio, pelo menos, porque o que se está a passar é que as empresas e as pessoas se estão a endividar para conseguirem sobreviver» salientou.

A manifestação do Campo Pequeno foi organizada como se de um espectáculo se tratasse, com as regras sanitárias impostas pela Direcção Geral de Saúde para as salas de espectáculo, incluindo lugares marcados, distanciamento físico, organização da circulação e higienização das mãos.

Entre os participantes na manifestação estiveram muitas figuras conhecidas do mundo das artes “em português”, ou sentados na plateia ou proferindo alguns dos discursos que foram passando pelo palco, ao vivo ou através de videoconferência.

Entra na galeria para veres a manifestação em imagens e, a seguir, assiste a vários vídeos com os discursos que tomaram conta do palco Campo Pequeno: