Viriatada Junho #4: IRMA e Tiago Nacarato, Anarchicks, The Happy Mess, Os Quatro e Meia, Entre Outros

Viriatada Junho #4: IRMA e Tiago Nacarato, Anarchicks, The Happy Mess, Os Quatro e Meia, Entre Outros

Redacção

Mais uma semana, mais uma ronda de Viriatada, o espaço que a AS dedica aos lançamentos da música portuguesa.

A música nacional merece ser partilhada. Existem novos lançamentos todos os dias, todas as semanas, todos os meses, e qualidade é coisa que não falta! A nossa rubrica Viriatada reúne alguns dos destaques da música portuguesa todas as semanas. Poupamos-te o trabalho, só tens de visitar a Arte Sonora, conhecer, ouvir e partilhar.

IRMA e TIAGO NACARATO- “Vejo-te Aqui”// “Vejo-te Aqui”, canção que junta IRMA e Tiago Nacarato numa parceria inédita, já está disponível em todas as plataformas digitais. IRMA compôs “Vejo-te Aqui” depois de ler uma carta trocada entre dois amantes que se encontravam separados. Considerando que precisava de uma colaboração para melhor recriar a emoção da distância entre dois corações apaixonados, convidou Tiago Nacarato e a canção renasceu a duas vozes. “Vejo-te Aqui” é o espelho de um amor em tempos de pandemia. A trabalhar pela primeira vez juntos, IRMA e Nacarato levam-nos pela mão numa dança, que tanto é um rodopio de saudade, como um balanço gentil que adoça a ausência: «Quantos dias estão p’ra vir?/ Quantas noites sem dormir?/ Escrevo, leio, vejo filmes, faço bolos e sinto-te aqui (…)». Os dois artistas estão confirmados no cartaz do “Lusco-Fusco”, ciclo de concertos que decorre ao entardecer no terraço do Capitólio, em Lisboa, entre 26 de Junho e 25 de Julho. Tiago Nacarato actua a 4 de Julho e IRMA no dia 18.

ANARCHICKS – “No Freedom Under Fascist Rules”// No Freedom Under Fascist Rules” é o novo single de Anarchicks, uma mistura explosiva de energia, audácia, irreverência e atitude. «É um statement directo e sem metáforas que grita com todas as letras LIBERDADE. Quando, na penumbra e na calada da noite sentimos o bafejar fétido de um fascismo que pensávamos adormecido, tornou-se urgente lembrarmos que um mundo sem liberdade é um mundo incompleto, violento e que não serve uma sociedade de pessoas iguais nos seus direitos.» Com este tema, Anarchicks levantam, sem pudores e de forma firme e apaixonada, a bandeira da justiça da diversidade, da igualdade, da compaixão, do sentido de comunidade, do direito à felicidade para todos. É no fundo um mantra a favor da liberdade, que devemos interiorizar e usar em caso de emergência – ou sempre que nos aprouver. Foi gravado e masterizado por Makoto Yagyu e Fábio Jevelim (HAUS) e está disponível em todas as plataformas online com o selo Throwing Punches.

THE HAPPY MESS – “Nadar de Costas”// “Nadar de Costas”, o novo single dos The Happy Mess, é um tema de Verão cheio de ironia e que nos apresenta as desventuras de um jovem com enorme inabilidade na sedução. É uma canção com uma sonoridade inspirada nos anos 80, marcada por sintetizadores analógicos e guitarras funk. “Nadar de Costas” é um dos temas que antecipa o novo disco da banda, o primeiro cantado integralmente em Português, e que celebra 10 anos de canções. O 4º registo de originais dos The Happy Mess vai ser editado no final do Verão, quando a banda entrou em estúdio, pela primeira vez, em 2011, e conta com uma série de convidados especiais, entre músicos, escritores, poetas… O vídeo de “Nadar de Costas”, realizado por Paulinho Ribeiro e produzido pela P.nuts, mergulha na estética visual de séries clássicas como “Miami Vice” ou “Baywatch – Marés Vivas”.

INÓSPITA – “Março”// Março” é o single de estreia de Inóspita, projeto a solo da jovem guitarrista Inês Matos. Esta canção antecipa “Porto Santo”, o primeiro disco da artista lisboeta a ser lançado ainda este ano com selo da Xita Records. Produzida por Primeira Dama, com quem toca desde a adolescência, “Março” foi gravada na ilha que dá nome ao disco, fruto de uma residência apoiada pela Câmara Municipal do Porto Santo. Conta com um teledisco realizado por Catarina Viana, estando também disponível na página de bandcamp da editora. Inês toca desde tenra idade, tendo passado pela Academia de Guitarra, onde é professora desde os 16 anos, e pela Escola de Jazz Luiz Villas-Boas do Hot Clube de Portugal. Inóspita é a procura de um compromisso com o formato da canção e de uma abordagem própria ao seu instrumento, privilegiando a narrativa melódica apenas à guitarra.

CAVERNANCIA – “a noite”// A imagem cede lugar ao som “em ciano”, o álbum de estreia de CAVERNANCIA, o mais recente projecto do fotógrafo Pedro Roque. Os inusitados caminhos deste primeiro registo deambulam por três faixas montadas em luz crepuscular áspera e de divagações oníricas. Na incessante procura de escape e do ponto de fuga comum da comuta diária onde a noite se transforma em dia, os field recordings aí captados transmutam-se em dissertações sonoras num espectro de tons ciano, aqui metaforicamente assentes nas bases da musique concrète, distorções noise, drone e ambiente. O experimentalismo sónico que atravessa os minutos de “a noite”, “morre”, “em ciano” criam uma ruptura com o sistemático e o expectável, provocando o ouvinte a seguir esta escavação, daquilo que é matéria, do peso e do concreto em graciosa coexistência com a leveza daqueles mesmos primeiros instantes de luz que tocam o infinito da escuridão. Pedro Roque sempre se relacionou em igual medida com a fotografia e com a música, universos indissociáveis na sua vida. Inicialmente começou por ter bandas de garagem com amigos, sempre explorando os limites da sua voz. Foi num período de pausa entre projectos musicais que começou a fotografar os primeiros concertos, sempre com a premissa de continuar a seguir o meio underground que frequentava. Simultaneamente, continuou a participar em algumas bandas do meio punk e metal. MOTU, Besta e Systemik Violence são nomes com quem colaborou, até que, em 2019, decide fazer uma breve pausa enquanto vocalista. No final de 2020, surge um chamamento, um forte ímpeto que parece sugerir uma mudança. Desta vez, é a fotografia que o chama para a música, procurando uma linguagem nova e desafiante na exploração do seu sentir e intuição. É assim que nasce o projecto CAVERNANCIA.

OS QUATRO E MEIA – “Olá Solidão”// Os Quatro e Meia divulgaram o primeiro single do próximo álbum de originais. “Olá Solidão” já está disponível em várias plataformas digitais e faz-se acompanhar de um videoclipe com direção de André Tentúgal. Depois do bem-sucedido segundo longa-duração, “O Tempo Vai Esperar”, a banda de Coimbra já está de regresso ao estúdio para trabalhar no terceiro disco de originais. Este é o primeiro tema revelado aos fãs e aborda um assunto que deveria ser levado mais a sério: a solidão na velhice. “Olá Solidão” realça algo que muitos ignoram. Através da caracterização dos seis elementos do grupo, sofrendo na pele um envelhecimento drástico, Os Quatro e Meia apresentam «um dos mais emotivos vídeos da sua carreira.»


RITA VIAN – “CAOS’A“// “CAOS’A” é o título do EP de Rita Vian. O EP de cinco temas foi editado de surpresa na integra, sendo também revelado no mesmo dia o vídeo do novo single “TRAGO”, com a realização de João Pedro Moreira. A produção do EP ficou a cargo de Branko, que já tinha trabalhado com a artista no tema “Sereira Remix”. «Trago é o dialecto que nasce nas entrelinhas de um encontro. Uma música sobre o que fica por dizer e se esconde nos gestos, nos olhares e na linguagem corporal entre duas pessoas.», Rita Vian sobre o novo single “Trago”. Depois do lançamento do tema “Purga”, Rita Vian mostrou como trabalha a sua voz e composição num espectro amplo entre a electrónica e a tradição. O fado é um capítulo muito importante na sua expressão artística, bem como a música urbana, que é a outra face dessa mesma artista, dando agora origem ao EP CAOS’A.

 

CONSTANÇA QUINTEIRO – “Corpo a Corpo”// Constança Quinteiro lança “Corpo a Corpo”, o segundo single de avanço do EP de estreia a ser editado ainda este ano, que junta à Pop que criou todas as suas influências lusófonas. Se no primeiro single, “Miúda”, ouvimos o balanço da Bossa Nova, em “Corpo a Corpo” sentem-se as sonoridades influenciadas pela Afro Pop, o Semba e o Axé. Este novo tema, já disponível em todas as plataformas digitais, surgiu ainda em 2020, no início da pandemia, quando Constança ainda vivia em Londres, numa caravana e passava grande parte do tempo sozinha. Decidiu explorar o que sentia e escrever “Corpo a Corpo” num dia um pouco mais cinzento em que se sentia mais vulnerável e com algumas inseguranças, apesar de saber que eram fruto do isolamento. Constança continua a partilhar mensagens inspiradoras e positivas com a sua música e este novo single não é exceção. A artista explica que «Corpo a Corpo é sobre a necessidade de não conter o nosso afeto. É preciso demonstrá-lo sempre, nos gestos e nas palavras. Devemos fazê-lo nos dias bons e nos dias maus, o que por vezes implica mostrarmos as nossas fraquezas e termos conversas menos doces. Se não nos revelarmos, se não partilharmos o que sentimos, podemos estar a desperdiçar o último momento com aquela pessoa.»

NININHO VAZ MAIA – “Nova Era” // Nininho Vaz Maia revelou mais um tema do álbum de estreia “Raízes”. O tema que abre as hostes às 11 canções do álbum é aquele que o artista considera representar da melhor forma a cultura cigana, a quem dedica uma forte homenagem com o lançamento deste trabalho. As melodias bem vincadas do Flamenco arrancam ao sabor de um excerto de uma letra de um dos mais reconhecidos cantores ciganos portugueses, o já falecido Balele, um verdadeiro ícone da etnia cigana — «Estamos todos a viver uma era nova há quem queira ser feliz e já não possa.» Também a participação de muitos elementos da sua família no vídeo, representam na perfeição as suas raízes, precisamente a palavra que dá nome ao disco de estreia. Sem mais demoras e com a certeza de ter feito tudo o que podia para entregar um disco cheio de amor aos fãs, dia 02 de julho, “Raízes” estará disponível em todas as plataformas digitais. Nesse mesmo dia será revelado novo videoclipe e os restantes serão libertados progressivamente.

ATCHIIIM – “Imagina”// Atchiiim disponibilizou em todas as plataformas digitais, a sua nova canção. “Imagina” aborda a temática sobre a pressão adolescente de fazer escolhas acertadas na vida e essencialmente a pressão das redes sociais que fomentam o culto de sermos perfeitos. Mas nós podemos ser quem quisermos e quando o quisermos. Atchiiim tem 14 anos, é natural de Portimão, onde vive com a família e apresenta-se ao público como uma cantora pop, irreverente, moderna e com um elevado sentido de estética. Atchiiim, é o alter ego de Margarida Rotilo. O nome foi escolhido para os perfis das suas redes sociais e tornou-se conhecido na famosa rede Tik Tok onde soma mais de 337 mil seguidores e com mais de 13 milhões de gostos nas suas publicações tornado-a uma das mais conhecidas tiktokers portuguesas.

RITA ONOFRE – “Raiz”// Foi na experiência dos confinamentos que Rita Onofre, depois de 4 anos na banda SEASE, encontrou a vontade e a coragem para se lançar a solo, com canções que parecem saídas de páginas de um diário. O EP de estreia “Raíz”, disponível nas plataformas digitais, é assim o primeiro registo de uma das novas cantautoras nacionais. Formado pelos temas “Haja Sempre”, “Lugar Nenhum”, “Talvez Tenhas” e o mais recente “À Porta” -, “Raíz” é fruto de um processo de criação que se confunde com um processo de autoconhecimento: profundamente íntimo e quase artesanal. As limitações impostas pela quarentena não foram suficientes para impedir Rita (na verdade, talvez até a tenham impulsionado ainda mais), que contou com a ajuda de amigos e amigas para produzir e gravar, à distância, cada faixa. É como se, no meio de um período tão instável e triste, pudesse encontrar alguma segurança e certeza em si mesma, nas suas relações e nas suas raízes, aspecto presente tanto na feitura do disco como nas letras de suas composições. Mas a intimidade quer-se agora partilhada pelo que dia 4 de Julho, pelas 12h00, na Casa do Capitão, o público vai encontrar uma fácil identificação com Rita, que canta como quem escreve e envia uma carta. Os bilhetes custam 5 euros e podem ser adquiridos através em casacapitao.seetickets.com.

FREDDY LOCKS – “Healing of the Nation”// Depois do lançamento  de “Overstand” em 2018, Freddy Locks volta à carga com novo single. “Healing of the Nation”, uma música que traz a canábis para a frente  do debate, não só na sua vertente recreativa, mas sobretudo na sua comprovada e multifacetada capacidade de cura, no seu uso para fins medicinais. «Imensas pessoas que sofrem das mais diversas patologias como epilepsia crónica, alzheimer, doenças oncológicas, parkinson, etc. têm recorrido à canábis para minorar o seu sofrimento, porém na maioria dos casos, têm de recorrer a canais ilícitos para a obter ou importar de outros países onde  já está legalizada e regulamentada.», diz-nos o comunicado. O vídeo foi produzido por “Outros Ângulos” e parte foi filmada no Antigo Presidio da Trafaria hoje conhecido como “Prisão Paraíso”, e também na Quinta Maravilha, que é hoje um espaço entregue à “Agro Ecologia em Movimento”, uma AMAP   (Associação Pela manutenção da Agricultura de Proximidade) que como o nome indica difunde a agricultura de proximidade e biológica.

MÁ VIZINHANÇA – “À Minha Espera”// Depois do single “Jade”, os Má Vizinhança apresentam agora o single “À Minha Espera”. Os Má Vizinhança surgem, no início de 2020, a partir da junção de uma banda de Hard-Rock com base no Barreiro, com KYRA, o aclamado rapper da nova escola, também ele Barreirense, e parte da vontade de fugir aos estereótipos de género musical, fundindo o rock com o hip-hop sem medo da experimentação.

WAZE – “Vento”// “Vento” relata uma viagem intimista ao passado de WAZE e às suas vivências mais pessoais. A música foi escrita com o intuito de dar a conhecer o seu lado mais puro e humano, numa obra onde as diversas melodias completam o conteúdo da sua escrita que habita maioritariamente na raiz dos seus problemas. Um tema onde aborda experiências que o marcaram bastante a nível pessoal, seja em relações, em amizades e até em problemas de cariz familiar. O videoclipe foi realizado em parceria com a “Clout Prod” e cada cenário pretende criar um feeling diferente e ao mesmo tempo seguir a linha abstrata e cinemática que marca o videoclipe. A mix e master foram feitos pelo “Michael Ferreira” da Sine Factory que conseguiu alcançar um equilíbrio perfeito entre as vozes e tornar o tema ainda mais emocionante. Uma ponte entre o ego e a razão, entre a vida e o após, entre o passado e as memórias de WAZE, memórias estas mais cinzentas e profundas que numa maré de metáforas complementam a sua mensagem final e culminam no capítulo II no seu novo EP, a sair brevemente.

PETER STRANGE – “Equilibrium”// Depois de ter editado nos últimos meses os singles “Anita” e “Sadness”, Peter Strange, regressa em dose dupla: novo single “Say Goodbye” e um novo álbum, “Equilibrium”. Em relação ao single “Say Goodbye”, que desta forma, apresenta o álbum “Equilibrium”, Peter Strange diz-nos que «… foi escrita durante a quarentena, por volta de setembro de 2020. A letra retrata tempos que eu vivi meses antes de escrever. Uma altura em que eu simplesmente colapsei emocionalmente e pensei em tomar medidas drásticas em relação à minha própria vida. Felizmente, todos aqueles que me são mais chegados ajudaram-me a sair daquela situação cuja qual eu já não conseguia sair sozinho. Este tema fala sobre eles e é para eles, especialmente para a minha namorada Raquel?». “Say Goodbye”, que tem um videoclipe gravado no topo de um edifício e, que segundo Peter Strange «o rapaz que realiza os meus videoclipes, o Diogo, tratou disso tudo. Mas foi complicado levar toda aquela tralha lá para cima, principalmente amplificadores e bateria, mas tudo se fez e foi um dia muito bem passado em que estava rodeado de malta fixe. Ainda por cima o baixista que me acompanhou nesse vídeo tem vertigens… Ficamos com umas histórias muito interessantes para contar». Nas palavras de Strange «este disco é pequeno mas tem de tudo. Principalmente muito rock n’ roll! Desde power ballads ao ‘quase punk’, desde o garage ao prog, com letras de amor, de superação emocional, de crítica social e até pessoal. Exponho o meu ponto de vista em relação a vários assuntos. Há de tudo um pouco».

WILD MAUI – “Dystopia”// Toda a condição humana é  composta por um lado obscuro – essencial à reflexão e na busca do autoconhecimento. Este lado negro é, muitas vezes, estigmatizado socialmente, fazendo com que o Homem se afaste da sua própria essência, e, consequentemente, afastando-o da correta interpretação sobre si mesmo. “Dark Matter” é o segundo EP de André Ferreira aka Wild Maui, e conta a história de uma personagem que procura a sua própria libertação, mas, acima de tudo, de aceitar a sua percepção real sobre o mundo e a vida. Esta personagem irá partilhar convosco 5 músicas que constituem 5 passos catárticos até atingir a plenitude que tanto procura, através de uma história única e contínua, assente numa sonoridade que contempla os estilos Dark Wave e Witch House. “Dystopia” é o terceiro momento a ser apresentado, onde a personagem nos mostra um profundo confronto consigo mesmo, atingindo o pico do seu sofrimento e desespero. É neste momento que a personagem trava a sua maior luta – a verdadeira assunção da sua própria condição. Uma luta de tal maneira intensa, atroz e penosa, que a eleva para um estado transcendental e metafísico, colocando tudo o que a rodeia em perspectiva… O single está disponível em todas as plataformas digitais.

TIO REX – “The DecaDance”// Depois de 5 Monstros” (2014), “Ensaio Sobre a Harmonia” (2015) e “5 Tragedies” (2018) Tio Rex, alter ego do cantautor setubalense Miguel Reis, prepara-se para retornar aos longa-duração com o seu terceiro álbum de originais “Life, Love, Loss & Death”, produzido por Sérgio Mendes (a garota não e Um Corpo Estranho) e pelo próprio, a editar no Outono de 2021. O primeiro avanço foi lançado com o selo da Cidade Fantasma na forma de um videoclipe para o tema “The DecaDance”: uma valsa sarcástica que se debruça sobre o reciclar do conceito de decadência (identificado ainda no tempo dos romanos), facilmente constatável nos tempos de hoje pelo adormecimento do mundo desenvolvido – entretido com os mais recentes avanços tecnológicos, a (des)informação on demand e o acesso privilegiado a ambas – perante um mundo subdesenvolvido a braços com problemas sociais, económicos e culturais primitivos, que se mantêm há centenas de anos. Concebido por Tio Rex e Diogo Marrafa, com animação 3D da autoria de Monimo, este vídeo dá corpo a uma tema expansivo, que culmina numa dança embriagada entre guitarras acústicas, eléctricas, percussão e saxofone, e que reafirma a sonoridade mais texturada e madura do artista em lançamentos mais recentes.

OLIVAE – “Desperto”// Depois do lançamento do single “There’s a Time” em Fevereiro, Olivae (alter ego e nome artístico de Vasco Oliveira) apresenta agora a música “Desperto”. Com uma atmosfera melódica e calma que pretende induzir a reflexão acerca do despertar para o que sentimos, para aquilo que é importante na vida e para quem somos perto dos outros. O single encontra-se disponível nas plataformas digitais para audição.

O INCRÍVEL HOMEM BOMBA – “Procura que Vês”// O Incrível Homem Bomba (OIHB) está de regresso com “Procura que Vês”, o segundo single de apresentação do EP “Monstros juram que são Anjos”. «Uma música, um grito, uma revolta. Procura que vês é mais um tema denso e pesado, que nos leva a derrubar muros. Uma procura pelo nosso eu mais perfeito. A verdade está logo ali, basta ver, observar e esperar o momento certo. Desistir? Nunca! Não sabes porquê? Procura que vês!»

SOROASTRA – “Olimpíadas de Pensamentos Acelerado”// “Soroastra” é um projecto nascido do primeiro lockdown de 2020, quando Afonso Simões (bateria e percussão) e Borja Caro (Max-Msp, sintetizadores e efeitos) decidiram encontrar-se no estúdio, fruto de afinidade em gostos musicais, nomeadamente kraut-rock e electrónica dos anos 80em diante, new age, música tribal e techno. O grupo é uma aliança ibérica onde coexistem essas afinidades com outros idiomas mais afectos a cada um: um certo luso-tropicalismo no caso de Afonso, através dos GalaDrop, e uma vertente mais “escura” da parte de Borja(que lidera os Metametal) e da cidade onde cresceu –Madrid -, expressão da música industrial. “Olimpíadas de Pensamentos Acelerados” é o título do álbum que resultou da reunião dos dois músicos em estúdio durante o primeiro confinamento pandémico, em 2020. O material gravado durante esses encontros derivou em sete temas, sem qualquer tipo de pós- produção, dos quais três contaram com colaborações de Joana da Conceição e Violeta Azevedo. Entrar nestas olimpíadas é mergulhar de cabeça numa viagem obscura com caminhos sinuosos, como se fossemos constantemente atraídos para o ponto de partida num longo movimento circular que nos leva sem resistir, sem nunca olhar para trás. Assente numa base percussiva que atravessa o álbum de uma ponta à outra, envolto em sintetizadores e efeitos vários, “Olimpíadas de Pensamentos Acelerados” é tribalismo, voodoo, transe, hipnose. Um eterno retorno do qual não queremos sair. O artwork ficou a cargo de Nicolai Sarbib.

GABRIEL FERRANDINI – “Hair of the Dog”// Este novo trabalho resulta de 5 anos de trabalho a solo e reúne três composições que procuram explorar os contrastes entre o acústico e os sons amplificados, combinando a bateria com pedais de volume, sub-graves, baixas frequências e feedbacks. Para esta gravação, Gabriel escreveu para uma secção de sopros, utilizou material editado pelo compositor Carlo Gesualdo (1566-1613) e contou ainda com o processamento electrónico de Pedro Tavares (Império Pacífico, funcionário). O disco será editado em Julho pela CANTO, mas já pode ser ouvido, na íntegra, no bandcamp. Depois da estreia ao vivo no Teatro Viriato em Viseu, segue-se apresentação no Jazz em Agosto da Fundação Calouste de Gulbenkian (6 de Agosto). Para estas apresentações, foi delineada uma dramaturgia especial, com uma componente visual próxima da instalação sonora/performance.

ALVES BABY – “Bonito Serviço”// Sem grandes definições de si próprios enquanto banda, os Alves Baby lançaram o seu novo single “Sarrafo” que vem acompanhado por respectivo vídeo. A banda lisboeta encontra-se neste momento a ultimar a gravação e edição do álbum “Bonito Serviço2, que deverá estar disponível ainda em 2021. Com uma sonoridade assente no rock instrumental alternativo, os Alves Baby prometem trazer uma fresca e nova abordagem ao género. Nas suas palavras: «trata-se de uma banda que faz das narrativas construídas sem voz, mas com uma enorme paleta de vocábulos sonoros, o seu modus operandi. Em cada canção, uma viagem. Em cada acorde, um bilhete para uma nova paisagem sonora. Com influências demasiado grandes para nomear, os Alves Baby fazem canções em rock instrumental, com influências de rock alternativo, indie rock, música ambiente, space rock,  neopsicodelia, dream pop, shoegazing, chillwave ou tudo aquilo que se lhes queira ser apontado.» Bandas como os portugueses Linda Martini ou os escoceses Mogwai podem ser consideradas como influências. Entre muitas outras. A banda é composta por André Sousa, na guitarra; Bruno Gonçalves, no baixo; e Hugo Pinto, na bateria. Todos eles oriundos da cidade de Lisboa, tão cheia de narrativas sonoras em si mesma, e membros de outros projetos e paragens musicais ao longo dos últimos 20 anos, iniciaram o seu percurso, enquanto Alves Baby, em 2012, quando lançaram, a título experimental, o EP “Rissol Aquecido”. Desde então, vários temas têm sido trabalhados e pensados. E 2021 é o ano do lançamento de nova música para esta banda.

The Silent Box – “Rope”// Depois de um EP gravado em 2018 e lançado em 2019, The Silent Box mostraram “Hold On”, a porta de entrada para um álbum promissor da banda bracarense, ainda em fase de produção, com lançamento previsto para o final do ano, com o apoio do Poison Studio. Mais recentemente mostraram o segundo avanço “Rope”. “Rope” existe como crítica à falta de sentimento de individualidade e à resistência típica a tudo o que for diferente, abordando também temas de engano e falsas esperanças.

DOLINA – “P”// ‘P’ é o primeiro trabalho discográfico do duo de improvisação livre Dolina. O EP é composto por 5 faixas resultantes de uma sessão no dia 25/08/2019 nos estúdios Camaleão. Todos os sons foram criados em tempo real e são completamente improvisados. Foi lançado a 21 de Junho de 2021. Dolina é um grupo composto por Tiago Martins (baixo e electrónica) e Pedro Nobre (bateria). O duo originou da premissa de trabalhar os timbres e dimensões técnicas da electrónica, do hip-hop, r’n’b ou ambiente com o input a 100% da improvisação humana. Como no fenómeno geológico análogo, em Dolina não existe composição, quebram-se estruturas e subdivisões no momento e é bem acolhida a erosão entre as camadas que compõem o som. São os próprios movimentos do baixo que incitam a participação da electrónica. Desta, os elementos humanos recebem respostas imprevisíveis, inspiradoras ou adversas, às quais são obrigados a reagir como se o grupo se tratasse de um trio. Dois humanos e uma máquina, à procura de groove e texturas frescas e a tentar dirigir o caos do instante.

EGITANA