6 Discos Intemporais a ouvir no NOS Primavera Sound

6 Discos Intemporais a ouvir no NOS Primavera Sound

Pedro Miranda

A 5ª edição portuense do festival traz a Portugal álbuns que resistiram ao teste do tempo.

O NOS Primavera Sound já é, por esta altura, reconhecido nacionalmente por ser um festival não só de referência, mas de reverência também. Sem discriminação por idades ou épocas, tem consistentemente trazido ao país artistas de renome dentro do seu género, dando segunda vida a nomes que viram o seu pico de popularidade em décadas passadas. E se em edições anteriores a lista poder-se-ia alongar indeterminadamente (de My Bloody Valentine a Neutral Milk Hotel, de Pixies a Slint, de Television a Godspeed You! Black Emperor), a deste ano não ficaria atrás, trazendo uma lista de artistas que levam, a tiracolo, discos que resistem ao teste do tempo.

1. Pet Sounds – The Beach Boys
O primeiro item desta lista não poderia deixar de ser o mais icónico e, incidentalmente ou não, o mais antigo. Completando em 2016 cinquenta anos de existência, o seminal álbum dos Beach Boys marca os primeiros ares de psicadelismo da prodigiosa criatividade de Brian Wilson, e também um trabalho que inspiraria incontáveis outros ao longo dos anos (encontrando mesmo eco em alguns dos outros artistas a actuar no Porto, mais prementemente nos inebriantes Beach House). Sendo uma ocasião imperdível por si só, a performance de “Pet Sounds”  na íntegra torna-se ainda mais exclusiva por representar, segundo o próprio, uma das derradeiras oportunidades de testemunhar Brian Wilson ao vivo, e muito provavelmente a última em território nacional. Brian Wilson performing Pet Sounds actua no dia 10 de Junho, sexta-feira, às 20h no Palco NOS.

https://www.youtube.com/watch?v=-5cuI5NTKVk

2. You’re Living All Over Me – Dinosaur Jr.
Infelizmente, por questões de conflitos de horários (aquele que se assume, a priori, como o maior problema do festival), a performance de “Pet Sounds” colide quase na íntegra com a de Dinosaur Jr, supremos senhores do rock alternativo dos anos 80 e 90 e fonte inesgotável de inspiração a tudo o que lhe era periférico durante esta época e as seguintes. E embora “Bug” (1988) e o estreante “Dinosaur” também se imponham como gigantes na sua discografia, não haverá melhor álbum a destacar que a gigante amálgama de géneros que é “You’re Living All Over Me”, editado em 1987 e composto de uma qualquer mescla de rock, punk, indie, grunge, stoner, noise e até algum shoegaze. Apesar de, diferentemente do caso anterior, este disco não ser tocado na sua íntegra, poderemos contar pelo menos com rendições valorosas de “The Lung” e “Sludgefeast”, e talvez até com o pequeno mimo que é “Little Fury Things”. Dinosaur Jr apresenta-se também no dia 10, no antigo Palco ATP, às 20h20.

3. Ágætis byrjun – Sigur Rós
Um dos nomes mais sonantes do post-rock da contemporaneidade (em conjunto com outros que mais à frente citaremos), os Sigur Rós viram a sua carreira descolar com este nobre conjunto de temas, reconhecidos prematuramente no panorama internacional por uns Radiohead com que a banda islandesa veio a partilhar as digressões que os colocaram no mapa. Repleto daquelas que vieram a ser as marcas de assinatura dos Sigur Rós – composições longas e repetitivas, o falsetto de Jónsi Birgisson e a sua técnica de fazer reverberar a guitarra com um arco de violoncelo – o disco permanece hoje tão distintamente prazeroso quanto à altura do seu lançamento, em 1999. Destaques de “Ágætis byrjun”, como “Starálfur” ou a icónica “Svefn-g-englar”, são presenças constantes nos concertos dos Sigur Rós, que como o próprio nome do disco indica (traduz-se para o português como “um bom começo”) serão o primeiro cabeça de cartaz do NOS Primavera Sound. Os islandeses actuam às 22h20 do dia 9 de Junho, no Palco NOS.

4. Yank Crime – Drive Like Jehu
Como “Spiderland”, “In the Aeroplane Over the Sea” ou “American Football”, “Yank Crime” é um disco que esteve tão só à espera de ser descoberto. Como eles, é fruto de um grupo que produziu o seu magnum opus pouco antes de se desintegrar em outros projectos ou na obscuridade, mas cuja idade fez transparecer o seu verdadeiro mérito. De facto, repleto de riffs abrasivos, composições que se estendem em duração e potência e uma energia incansável, “Yank Crime” é o triunfo dos Drive Like Jehu, um marco para o post-hardcore e o emo que hoje reconhecemos em grupos tão celebrados como são os Linda Martini por cá, por exemplo, e que agora vê o seu valor e ambição recompensados com um lugar na ribalta. Momentos reconhecidos do disco não faltarão no repertório da banda, que tem por hábito trazer aos fãs temas como “Luau”, “Do You Compute?” e “Here Come the Rome Plows”. Drive Like Jehu tomam o antigo Palco ATP no dia 11 de Junho, às 22h.

5. Millions Now Living Will Never Die – Tortoise
Para quem nunca os ouviu, os Tortoise certamente representarão uma experiência auditiva, no mínimo, interessante. Colagens de som, dissonância, métricas irregulares e mais uma mão cheia de idiossincrasias caracterizam o som desta banda (uma fórmula que, curiosamente, com seus movimentos demorados e feições invulgares, convoca à mente a figura do pacato animal), que muitas vezes abdica de instrumentos convencionais e quase sempre de estruturas musicais regulares na constituição dos seus discos . E nenhum deles será porventura mais ilustrativo da audácia musical dos Tortoise que aquele que, afinal de contas, lhes mereceu a recorrente alcunha de “padrinhos do post-rock“: “Millions Now Living Will Never Die” é a apoteose destas incursões, um disco tão rico em criatividade quanto em experimentação e que expressa em “Djed”, a colossal abertura de 20 minutos, a total magnitude do seu potencial. Tortoise sobem ao antigo Palco ATP à 01h do dia 10 de Junho.

6. To Bring You My Love – PJ Harvey
Parecia impossível, com instrumentação e influências tão básicas e tratando um tema já tão corriqueiro, fazê-lo com tanto furor e obter tamanhos resultados. E foi, no entanto, o que fez Polly Jean Harvey em 1995, no seu primeiro registo depois da desintegração do PJ Harvey Trio. “To Bring You My Love” tem os pés bem assentes no chão, mas um corpo que o eleva às alturas e alma ainda mais ostentosa. Com justiça o disco mais bem sucedido de Harvey até à data, a sua potência instrumental só é equiparada à absolutamente devastadora entrega da artista, que canta com cada fibra de si e faz das imagens que conjura concretas realidades aos nossos ouvidos. Numa performance que será mais pautada pelos seus êxitos mais recentes (“The Hope Six Demolition Project”; “Let England Shake”), pérolas do seu primeiro disco a solo não faltarão no dia 10, às 22h35, no Palco NOS.

FENDER

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